Após a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo, a primeira desde 1990, o FolhaStats reuniu dados para destrinchar o desempenho de cada atleta da seleção no torneio.
A análise engloba estatísticas de quem entrou em campo por ao menos 70 minutos e de Neymar, o nome que dividiu opiniões desde a convocação por Carlo Ancelotti. Assim, ficam de fora do levantamento Igor Thiago, Roger Ibañez, Luiz Henrique, Éderson Silva, Ederson, Léo Pereira, Weverton, Bremer e Alex Sandro.
Goleiro
De 19 chutes de fora da área e 30 de dentro, Alisson precisou defender a bola 14 vezes em quatro partidas, deixando passar 4.
Sua reposição de bola com a mão foi precisa: acertou as 17 que tentou. Já nas bolas longas, o goleiro teve apenas 24% de acerto, o pior da seleção neste quesito, acertando só 8 dos 33 lançamentos que fez.
Estatísticas de defesa
DESARMES
Nome menos badalado do sistema defensivo, Douglas Santos foi o principal desarmador da equipe e o segundo melhor defensor de todas as seleções até aqui, vencendo 11 disputas de bola. Cáceres, do Paraguai, com 13 desarmes, é o líder na estatística.
Gabriel Magalhães (apenas 1), Marquinhos e Danilo (2 cada um), juntos, têm apenas 5 desarmes, menos da metade do número do lateral esquerdo. O trio fica abaixo da média de 4 desarmes por defensor nesta Copa até agora.
Tirando Douglas, as roubadas de bola ficaram concentradas no meio de campo. Bruno Guimarães foi o segundo melhor da seleção, com 6 desarmes, seguido por Paquetá, com 5. Casemiro foi o jogador que mais perdeu divididas: dos 14 desarmes que tentou, errou 10.
No ataque, Rayan e Matheus Cunha lideraram a marcação, com respectivos 4 e 3 desarmes. Rayan figura como o segundo atacante que mais desarmou na Copa, atrás de Yan Diomandé, da Costa do Marfim, com 6 divididas ganhas.
Os bons números defensivos da dupla não são acaso: a maior virtude da seleção foi a pressão alta na saída de bola, feita especialmente pelos dois. Das roubadas de Rayan e Matheus Cunha, saíram 4 dos 9 gols do Brasil (2 contra o Haiti e 2 contra a Escócia).
A marcação de Rayan fez falta na jogada do primeiro gol norueguês. Endrick, cobrindo a ponta direita àquela altura, foi driblado por Schjeldrup, que cruzou para Haaland marcar de cabeça.
DISPUTAS AÉREAS
Em disputas aéreas, Gabriel Magalhães foi o líder do Brasil, vencendo 17 e perdendo 5 —até aqui, é o segundo melhor jogador da Copa neste quesito, atrás de Harry Souttar, zagueiro da Austrália que venceu 21 disputas.
Apesar do ótimo desempenho pelo alto, Magalhães perdeu o duelo decisivo com Haaland no primeiro gol norueguês, mostrando a dificuldade de marcar o gigante nórdico mesmo com um especialista em bolas altas na defesa.
Em contraste, Marquinhos e Casemiro superaram adversários em apenas 6 duelos cada um.
DISCIPLINA
Danilo foi o jogador mais faltoso da seleção, com 7 infrações no Mundial. Ao lado de Casemiro, é também o jogador com mais cartões amarelos: 2 recebidos para cada.
INTERCEPTAÇÕES
Os dois também encabeçam o ranking de interceptações da seleção. Danilo liderou, com 7, seguido por Casemiro, com 6, e Paquetá, com 5.
Dados de passes
NO CHÃO
O Brasil tocou a bola principalmente entre o goleiro, zagueiros e laterais. Juntos, eles responderam por 55% dos passes trocados pela equipe. Das seleções campeãs mundiais, só a Inglaterra concentrou mais a bola na defesa (56%) do que o Brasil —a média é de 46% de passes na defesa entre os países que já levantaram a taça.
Com alto volume de posse, os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães acertaram mais passes na equipe, com 96% de precisão. Até o fim do jogo entre Brasil e Noruega, Magalhães era o segundo jogador da Copa com toques na bola (430 passes).
O elo frágil da saída de bola brasileira foi o lateral-direito Danilo, jogador que mais errou passes da seleção (33 tentativas erradas, entre elas a que rendeu o contra-ataque do gol japonês na fase de 32).
No meio de campo, Lucas Paquetá errou mais passes, média de 6 por partida, provavelmente por ser quem mais tentou toques para a frente (142).
Apesar de arriscar menos do que Paquetá, Bruno Guimarães liderou as assistências da seleção, com 4. Bruno ainda figura entre os principais assistentes do torneio, atrás de Olise, da França (5 assistências), e empatado por Brahim Díaz, de Marrocos.
Entre as 48 seleções, o Brasil é a quinta que menos jogou pelo meio de campo: só 26% dos passes trocados saíram dos pés dos meias. Apenas Holanda (25%), Qatar (24%), Jordânia (23%) e Suécia (23%) têm percentual menor nesse quesito.
NO ALTO
Nas bolas longas, Marquinhos é um dos principais armadores: acertou 22 dos 32 lançamentos que fez para o ataque, liderando em tentativas e em precisão no quesito (69%). Gabriel Magalhães não cumpriu bem essa função, dando 12 lançamentos e acertando só 3.
Dos laterais, Douglas Santos foi o menos ofensivo: cruzou 6 vezes na Copa e acertou só uma tentativa, ante um total de 92 bolas alçadas na área pela seleção.
Os cruzamentos (em bola parada ou em jogo), aliás, foram um dos principais pontos fracos da equipe nacional. Entre as 48 seleções, o Brasil é a 36ª colocada em precisão de cruzamentos (20%): de 92 tentados pela seleção, só 18 foram no alvo. A Argentina domina essa métrica, com 37% de acerto.
Bruno Guimarães foi o jogador que mais cruzou, com 15 tentativas, só duas certas. Danilo e Raphinha acertaram mais, com três bons cruzamentos cada um.
Finalizações
Vinicius Junior foi o coração do ataque brasileiro. Artilheiro da equipe nesta Copa com quatro gols, deu dor de cabeça aos adversários dentro da área: tocou na bola 43 vezes e finalizou 14 nessa parte do gramado. É o único jogador da seleção que tocou na bola dentro da área mais de 20 vezes.
Vini totalizou 17 finalizações neste Mundial, com 11 certas (65%). É o brasileiro que mais chutou no torneio. Depois dele, vem Matheus Cunha, com 11 finalizações e 3 gols. O ataque dependeu tanto dos dois que, do elenco, só eles chutaram mais de dez vezes.
Cunha foi quem mais arrematou de fora da área, com cinco tentativas, nenhuma convertida em gol. Desde o empate em 1 a 1 contra a Suíça, na Copa do Mundo de 2018, o Brasil não faz gols de fora da área em Copas —na ocasião, o tento foi de Philippe Coutinho.
Dribles
Vinicius Junior monopolizou as tentativas de drible, com 36 de 87 do Brasil (41%). Depois dele, quem mais tentou fintas foi Raphinha, com 9. Vini acertou 16 dos 36 dribles tentados (44% de eficiência). Só Rayan foi mais melhor, mas com muito menos tentativas: 6 dribles certos de 7 tentados (86%).
E Neymar?
O camisa 10 da seleção teve pouco impacto nas partidas em que entrou. Dos 7 cruzamentos que tentou, só acertou 1. Finalizou três vezes, duas no alvo; em uma delas, marcou o gol de pênalti contra a Noruega. Tentou 2 dribles e acertou 1. Sofreu uma falta, passou a bola 25 vezes (21 certas) e perdeu 8 de 10 disputas de bola.
