O técnico da seleção de Marrocos, Mohamed Ouahbi, pediu por expectativas controladas dos marroquinos com relação à Copa do Mundo de 2030, que será sediada pelo país em conjunto com Espanha e Portugal. Semifinalista em 2022 e entre as oito melhores seleções em 2026, para Ouahbi ainda é necessário pensar em outros objetivos mais curtos, como a Copa Africana de Nações, para que a equipe possa chegar a um nível competitivo no torneio.
“Acho que, antes de tudo, há uma Copa Africana de Nações e, se quisermos chegar bem em 2030, precisamos primeiro nos preparar para os jogos de classificação da Copa Africana e vencê-la. Quando você está em uma competição, é um jogo após o outro. Temos muitos jogadores jovens, uma grande base, uma federação forte, um rei que investe muito para que possamos estar aqui nas quartas de final de uma Copa do Mundo. Temos tudo o que precisamos. Não vamos entrar em pânico. Vamos ver o que podemos melhorar e seguir em frente”, disse o treinador.
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Atuais campeões da Copa Africana, caso se classifiquem, os marroquinos defenderão o título da última edição. A próxima edição do torneio está programada para o período entre 19 de junho e 17 de julho, em três países: Quênia, Tanzânia e Uganda.
Nesta Copa, para além dos nomes conhecidos como Bono, Achraf Hakimi, Sofyan Amrabat e Brahim Díaz, outros nomes saem ainda mais em alta como o jovem volante Ayyoub Bouaddi, apelidado de “motor silencioso” da equipe e comparado a Xavi, Iniesta e Busquets.
Forte calor no Gillette Stadium fez com que equipes tivessem dificuldades em parte da partida – Alexandre Battibugli/Placar
Outra figura importante, e ausência sentida na eliminação, foi Ismael Salibari – terror do Brasil na estreia da Copa -, mas que acusou um lesão muscular e ficou de fora. O atacante do Bayern de Munique tinha três gols marcados na competição.
Os Leões do Atlas não sabiam o que era perder na competição, e nem em 2026. Até aqui, acumulavam empates contra o Brasil, na fase de grupos, e Holanda, nos 16 avos de final, além de vitórias contra Escócia, Haiti e Canadá. Em 2026, são oito vitórias, cinco empates e a primeira derrota. No ano anterior, sofreram apenas um revés (para o Quênia, fora de casa) em 26 jogos disputados.
Mbappé recebeu forte marcação, mas conseguiu marcar um dos gols da vitória francesa – Alexandre Battibugli/Placar
Esse sucesso é fruto de um trabalho que começou em 2010, quando o país passou a investir pesado em estrutura e formação de atletas, mesmo que esta seja encerrada fora do país, como nos casos de Hakimi e Brahim Díaz. Foi naquele ano que se inaugurou a Academia de Futebol Mohammed VI, na cidade de Salé, com um aporte de 13 milhões de euros à época.
A estrutura imponente tem mais de 9 mil m², cinco edifícios, seis campos e puxa a fila de um conjunto de vários centros semelhantes espalhados por todo o país. O investimento rendeu uma das maiores conquistas do futebol do país em 2025, a Copa do Mundo sub-20, disputada no Chile.
Nem mesmo a saída de Walid Regragui, comandante da histórica campanha no Mundial do Catar, freou o processo. Coube a Ouahbi, mentor da nova geração, assumir o cargo para dar sequência ao sólido trabalho, que será ainda mais fortalecido para a próxima Copa do Mundo, sediada de forma conjunta entre Espanha, Portugal e Marrocos.
Para 2030, estima-se que sejam investidos mais de R$ 30 bilhões no desenvolvimento do futebol do país. Os gastos já foram alvos de protestos pelo contraste com serviços públicos oferecidos, mas dificilmente entrarão em pauta nos próximos anos.

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