A vice-presidente da Argentina, Victoria Villaruel, chamou os ingleses de “piratas usurpadores”, antes do jogo pelas semifinais da Copa do Mundo de 2026 que nesta quarta-feira (15) colocará a Albiceleste frente à seleção da Inglaterra.
“Não vou ser politicamente correta nem covarde, contra os ingleses sempre é algo a mais. São as Malvinas, é o Diego [Maradona], é a última do Leo [Lionel Messi] e é dar um basta nos invasores”, disse em uma mensagem na rede social X a vice-presidente, por volta de 0h desta quarta.
“Amanhã [nesta quarta-feira] jogamos contra os piratas usurpadores. Não é um jogo qualquer”, acrescentou Villarruel, cujo pai foi um militar veterano da Guerra das Malvinas, que em 1982 foi travada entre o governo ditatorial da Argentina e o da Inglaterra pela soberania das ilhas, que segue em disputa entre ambos os países por vias diplomáticas.
O conflito bélico, que durou 74 dias, terminou com a vitória do Reino Unido e um saldo de 649 argentinos e 255 britânicos mortos.
“Vamos, Argentina! Porque até o último suspiro vamos reivindicar o que é nosso!”, encerrou Villarruel.
Ela também fez alusão a Diego Maradona que, na Copa do Mundo de 1986, na qual a Argentina se sagrou campeã, marcou dois gols lendários na vitória por 2 a 0 contra a Inglaterra. Um deles é conhecido como “o gol do século” e outro, polêmico, chamado de “a mão de Deus”.
A mensagem da vice-presidente argentina vai na contramão das declarações do próprio técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, e de vários jogadores que buscaram amenizar o tom das implicações do jogo, despojando-o de todo conteúdo político ou histórico.
“É um jogo de futebol, nada mais. Então, misturar as coisas seria uma loucura”, disse Scaloni .
Na terça-feira, a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, lembrou que, segundo o esquema de segurança estabelecido nos Estados Unidos para o jogo que será disputado na cidade de Atlanta, os torcedores argentinos não poderão entrar no estádio com bandeiras ou qualquer elemento alusivo às Ilhas Malvinas.
A alusão às ilhas está presente de forma habitual nas bandeiras dos clubes de futebol argentinos, também nas que apoiam a seleção e nos cânticos das torcidas.
“Isso é mais complicado, não dá para tapar a boca das pessoas”, respondeu sorridente a ministra, quando questionada a respeito.
