A eliminação da França para a Espanha na última terça-feira, 14, deixou mais um time reconhecido por sua qualidade sem a taça da Copa do Mundo. A França de 2026, do trio Mbappé, Olise e Dembélé decepcionou na semifinal e se juntou a outros times como o Brasil de 1982 e a Holanda de 1974, que encantaram, mas não levaram.
PLACAR elencou uma seleção por Mundial, desde 1930, que poderia ter conquistado a taça pelo potencial que tinha. Confira a lista abaixo:
Notícias no WhatsAppEntre no canal da Placar e receba as novidades do futebol em primeira mão.
1930 – Argentina
Donos de um ataque avassalador liderado por Guillermo Stábile (artilheiro da Copa com 8 gols em 4 jogos), os argentinos atropelaram os adversários com um futebol vertical, extremamente agressivo e cheio de raça. O time terminou como vice-campeão, para o Uruguai, que jogava em casa, em Montevidéu.
Seleção argentina que estreou em Copas em 1930 diante da França – Reprodução
1934 – Áustria
O lendário Wunderteam (Time Maravilha) comandado por Hugo Meisl revolucionou o futebol na época, com um futebol de passes rápidos, tabelas e movimentação constante. Liderados pelo genial Matthias Sindelar, os austríacos caíram na semifinal contra a Itália, em uma partida repleta de polêmicas de arbitragem.
1938 – Brasil
Liderada por Leônidas da Silva, a seleção apresentou ao mundo um estilo de jogo baseado na improvisação, gingado e plasticidade. O sonho do primeiro título acabou na semifinal contra a Itália. Sem a presença do Diamante Negro, que estava lesionado, o Brasil foi eliminado da competição.
1950 – Brasil
Com um dos melhores esquadrões de sua história, o Brasil tinha um rolo compressor ofensivo formado pelo trio Zizinho, Ademir Menezes e Jair da Rosa Pinto. O time aplicou goleadas impiedosas (como os 7 a 1 na Suécia e 6 a 1 na Espanha) com um futebol rápido e envolvente que terminou no traumático Maracanazo.
Brasil na Copa de 1950
1954 – Hungria
O time comandado por Puskás, Kocsis e Hidegkuti estava invicto há quatro anos, com inovações táticas, como o recuo do centroavante. Na final, veio a Alemanha, que os húngaros já haviam derrotado na competição por 8 a 3. A final foi uma grande surpresa, com os alemães virando um 2 a 0 para um 3 a 2 e se sagrando campeões no chamado Milagre de Berna.
Puskás, o craque da Hungria, no topo do pódio dos Jogos de 1952 em Helsique [email protected]/Twitter
1958 – França
Com uma mentalidade ultraofensiva, a França de Raymond Kopa teve em Juste Fontaine uma verdadeira máquina de fazer gols. O atacante anotou 13 gols, recorde em uma única edição. Era um time extremamente vistoso e divertido de assistir, que só foi parado nas semifinais pelo surgimento de um garoto de 17 anos chamado Pelé, que marcou três gols.
Just Fontaine sendo erguido e aclamado por franceses – Foto: Divulgação / Equipe de France
1962 – Iugoslávia
Apelidados de “os brasileiros da Europa”, os iugoslavos encantaram pelo refinamento técnico e pela habilidade individual de Dragoslav Šekularac. Com um futebol criativo e de muita posse de bola, alcançaram uma semifinal histórica onde a criatividade deles perdeu para o físico da Tchecoslováquia, que foi derrotada pelo Brasil na final.
1966 – Portugal
Na sua estreia em Copas, os portugueses chocaram o mundo com um futebol físico, veloz e de transições letais comandado pelo imparável Eusébio, o Pantera Negra (artilheiro com 9 gols). Portugal protagonizou uma das maiores viradas da história (5 a 3 contra a Coreia do Norte) e perderam para os donos da casa, a Inglaterra.
Eusébio, craque de Portugal – Reprodução
1970 – Alemanha
Uma equipe de resiliência e poder de reação inacreditáveis, que unia a liderança técnica de Franz Beckenbauer ao faro de gol implacável de Gerd Müller (autor de 10 gols). A Alemanha jogou de forma brilhante e foram protagonistas do lendário “Jogo do Século” na semifinal contra a Itália, quando perderam por 4 a 3 na prorrogação, em que Beckenbauer jogou de tipoia com a clavícula deslocada.
Franz Beckenbauer (à esq.) no jogo entre Alemanha Ocidental e Marrocos, pela Copa do Mundo de 1970 – Staff/AFP
1974 – Holanda
A criadora do revolucionário Futebol Total. Sob a liderança do gênio Johan Cruyff e do técnico Rinus Michels, a Laranja Mecânica sufocava os rivais com marcação sob pressão alta e uma troca constante de posições onde todos atacavam e defendiam. Mudaram a história do esporte, apesar do vice para a Alemanha Ocidental.
Seleção holandesa na Copa do Mundo de 1974 (PLACAR)
1978 – Holanda
Mesmo sem Cruyff, os holandeses provaram a força do seu sistema de jogo coletivo. Com muita intensidade física e maturidade tática, chegaram novamente à final, dessa vez contra a Argentina, os anfitriões, e caíram na prorrogação.
Mario Kempes fez dois gols na final contra a Holanda na Copa de 1978 (PLACAR)
1982 – Brasil
Conhecido pelo “futebol-arte”, o esquadrão de Telê Santana, que contava com Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo, jogava de forma leve, ofensiva e extremamente criativa. A eliminação para a Itália de Paolo Rossi na “Tragédia do Sarriá” marcou o fim de um time que é lembrado até hoje pela plasticidade.
Diego Maradona, da Argentina, disputando lance com Zico, do Brasil, durante jogo da Copa do Mundo de 1982 no Estádio Sarriá – (J. B. Scalco)
1986 – França
O refinamento técnico levado ao limite no meio-campo formado por Platini, Giresse, Tigana e Fernandez. A equipe francesa jogava com passes curtos precisos e um controle de ritmo elegante, eliminando o Brasil em um confronto épico nas quartas de final antes de esbarrar na força física alemã. A França terminou na terceira colocação do torneio.
Michel Platini marcou pela França na classificação diante do Brasil (PLACAR)
1990 – Inglaterra
Uma equipe vibrante e comovente resgatou o orgulho do futebol inglês. Com o talento do jovem Paul Gascoigne na criação e a qualidade de Gary Lineker, os ingleses praticaram um futebol veloz e de muita imposição física, caindo de forma dramática nos pênaltis para a Alemanha na semifinal – Gascoigne, suspenso, não jogou a partida decisiva.
Divulgação/Fifa Museum
1994 – Suécia
A equipe mais surpreendente e divertida da Copa nos EUA. Liderada pelo porte físico de Kennet Andersson e pelo futebol inteligente e carismático de Tomas Brolin, a Suécia teve o melhor ataque do torneio. Apresentaram um jogo aberto, alegre e muito ofensivo, conquistando o terceiro lugar com todos os méritos. Antes, fez jogo duro com o Brasil tetracampeão duas vezes (1 a 1 na primeira fase e 1 a 0 na semifinal).
Raí e Brolin, da Suécia, na semifinal da Copa do Mundo de 1994 (PLACAR)
1998 – Holanda
Uma geração espetacular composta por craques como Dennis Bergkamp, Patrick Kluivert e Edgar Davids. Os holandeses praticavam um futebol técnico, imponente e plástico e só caíram após uma semifinal épica contra o Brasil, que terminou 1 a 1 (gols de Ronaldo e Kluivert) e brilho de Taffarel na disputa de pênaltis.
Dennis Bergkamp dribla Roberto Ayala antes de fazer um golaço contra a Argentina em 1998 (Ricardo Correa/PLACAR)
2002 – Itália
No papel, era uma das defesas mais intransponíveis da história (Maldini, Cannavaro, Nesta) combinada a um ataque estelar com Totti, Del Piero e Vieri. O time jogava um futebol competitivo, seguro e de forte imposição física, acabou sendo precocemente eliminado pela Coreia do Sul nas oitavas de final, em uma partida repleta de erros de arbitragem em favor dos mandantes.
Mark Iuliano, Christian Vieri e o capitão Paolo Maldini perseguem o árbitro Byron Moreno na eliminação da Itália para a Coreia do Sul em 2002 (Photo by Ben Radford/Getty Images)
2006 – Brasil
O badalado “Quadrado Mágico” (Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo e Adriano) era considerado o mais promissor da competição. Na prática, o coletivo sofreu, em uma Copa que ficou marcada pelo descaso na preparação física pré-Mundial. A atuação monumental de Zinedine Zidane nas quartas de final contra a França marcaram o último Mundial de R9 e R10.
Ronaldo durante jogo entre Brasil e França, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de Futebol, 2006 – (Alexandre Battibugli/PLACAR)
2010 – Uruguai
A Celeste uniu a clássica garra charrua a um futebol inteligente e vertical. Liderados por um Diego Forlán inspirado com a Jabulani nos pés e eleito o melhor jogador da Copa, o Uruguai venceu Gana na partida mais marcante daquela edição, a da mão de Luís Suárez, nas quartas de final. Em seguida, caiu para a Holanda na semifinal e para a Alemanha na decisão de terceiro e quarto lugares.
Uruguai na épica vitória sobre Gana na Copa de 2010 – AFP PHOTO / RODRIGO ARANGUA
2014 – Holanda
Sob o comando de Louis van Gaal, a Holanda era forte na transição e contra-ataque. Na fase de grupos, atropelaram a então campeã Espanha por 5 a 1 e contaram com um Arjen Robben em estado de graça, voando em velocidade máxima. Terminaram a competição invictos (caindo nos pênaltis na semi para a Argentina) e com o bronze.
Van Persie comemora o quarto gol da Holanda contra a Espanha, na Arena Fonte Nova, em Salvador
2018 – Bélgica
O ápice da “Geração de Ouro” belga. Hazard, De Bruyne e Lukaku jogaram um futebol moderno, dinâmico e de transições ofensivas assustadoramente rápidas. Eliminaram o Brasil em uma exibição tática primorosa nas quartas e só pararam no sólido bloqueio defensivo da campeã França na semifinal.
Kevin De Bruyne foi o carrasco de Brasil em 2018
2022 – Marrocos
Na melhor campanha de sua história, Marrocos surpreendeu o mundo chegando até as semifinais da competição, quando perdeu para a França. A equipe de Regragui era sólida defensivamente e terminou com o quarto lugar, após eliminar Espanha e Portugal no mata-mata.
Youssef En-Nesyri of Morocco scores the Gol de En-Nesyry abriu o placar para o Marrocos sobre Portugal
2026 – França
Consolidando uma renovação geracional invejável, os franceses apresentaram o futebol mais completo, imponente e moderno do torneio. Unindo a velocidade explosiva de seus pontas à solidez física de um meio-campo dominante, a equipe sobrou em todas as partidas, exceto na eliminação contra a Espanha na semifinal.

Siga a Placar no GoogleFique por dentro das últimas notícias e não perca nenhum lance.
Mbappé comemora gol de pênalti sobre o Paraguai, pelas oitavas de final da Copa de 2026 (Reprodução/Xequipedefrance)

