Brasil: Futebol precisa de plano de metas de 40 anos em 4 – 16/07/2026 – PVC


A CBF cometeu mais um erro grosseiro ao realizar reunião de planejamento depois da pior campanha em 60 anos de Copa do Mundo, sem a presença do técnico Carlo Ancelotti, e com discurso assustador.

A meta da reconstrução é ser primeiro colocado na Copa América de 2028 e das eliminatórias para 2030. Santa ignorância, Batman!

A dois meses do retorno das atividades a seleção brasileira, com dois amistosos na Austrália, a pressa para dar satisfação à população e à torcida deveria acontecer com entrevistas coletivas de Carlo Ancelotti, Vinicius Júnior e das referências do futebol atual. E com um plano de metas para os próximos dez anos.

Uma espécie de cinquenta anos em cinco, de Juscelino Kubitschek, lema de campanha à Presidência da República, em 1955, que se tornou slogan da industrialização do país naquele período.

Para o futebol brasileiro, é necessário o plano 40 anos em 4. Não pode ser um bordão, tem de ser uma decisão.

O Brasil de Juscelino era diferente, sem dúvida. Havia Bossa Nova, sem sofrência. Diz-se que todo mundo torcia para a seleção, mas a despedida para a Copa de 1958 teve corintianos gritando Corinthians em amistoso contra o Brasil, de Pelé. Queriam Luizinho, o Pequeno Polegar, ídolo do Parque São Jorge.

Atualmente, o que se repete exaustivamente é que ninguém liga mais para a seleção. Então, preste atenção a este trecho do livro Revolución Scaloni, publicado pelo jornalista Alejandro Wall, pela editora Planeta:

“É uma seleção da qual os torcedores mantêm distância. Há indiferença, um vínculo frio.”

É o relato dos dias prévios a dois amistosos contra o México, em Córdoba e Mendoza. Não havia procura por ingressos, mesmo com descontos de 50% para quem comprasse os primeiros.

Desde o início da gestão Samir Xaud, a CBF fala em recuperar o vínculo com o povo. É importante e uma parte do plano de metas.

Ainda que “ninguém” seja muita gente, num país de 210 milhões de habitantes. A Copa mostrou que muitos de nós nos importamos com a seleção, pintando ruas quando há esperança e xingando quando vem o fracasso.

Tem de ser mais do que religar a camiseta amarela e seus jogadores ao povo. Há uma reforma estrutural indispensável e urgente.

O Brasil passou quatro vexames em Mundiais sub-20, sem nem sequer se classificar em 2017 e 2019, eliminado por Israel em 2023, último colocado na fase de grupos de 2025 contra Marrocos, México e Espanha. “A gente vai com o terceiro time, porque nenhum clube quer liberar seus jogadores”, argumenta um antigo funcionário da CBF.

É pura verdade. Mas a Espanha tem seus jogadores liberados porque não jogam nos times principais de Real Madrid, Barcelona e Atlético. Estêvão, Endrick, Rayan e Vítor Roque não jogaram o Mundial Sub-20 de 2025 por falta de liberação.

Em 2019, a seleção ficou em quinto lugar no Sul-Americano, nem se classificou para o Mundial. O técnico Carlos Amadeu não pôde contar com nove jogadores que pretendia convocar.

Os clubes só vão liberar se houver calendário coerente e projeto nacional. É um quebra-cabeças. Precisa ser montado com menos clubismo e mais compreensão do problema global.

O Brasileirão só será relevante no mundo se o Brasil for importante no futebol. Se não, viraremos o México com seu amor platônico pelo jogo. Seu campeonato é bom, e a seleção, irrelevante. Você assiste ao campeonato mexicano?


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Fonte: Folha UOL

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