Tradicional clube italiano responsável por revelar o meia Andrea Pirlo para o futebol profissional, além de também ter contado em seu plantel com nomes como Roberto Baggio e Pep Guardiola, o Brescia Calcio teve sua liquidação judicial decretada na terça-feira (28) por um tribunal da pequena cidade na região da Lombardia, pondo fim a uma história centenária.
A medida vem após meses de agonia dentro e fora dos gramados, e atende a um pedido do Ministério Público de Bréscia, que fez a solicitação da liquidação judicial da agremiação por dívidas acumuladas próximas a € 20 milhões (R$ 117 milhões).
Tendo disputado a primeira divisão do Campeonato Italiano 23 vezes, a primeira delas na temporada 1929/30, o clube fundado em 1911 fez sua última aparição na elite do futebol do país europeu na temporada 2019/20, quando terminou na 19ª e penúltima colocação na tabela.
Seu melhor desempenho foi na temporada 2000/01, época em que contava em seu elenco com o ex-meia-atacante Roberto Baggio, que, aos 33 anos, havia acabado de chegar ao time, após duas temporadas na Internazionale de Milão.
Na reta final, a equipe ainda teve o reforço do jovem Andrea Pirlo, com 21 anos, que começou na base do Brescia e voltou ao clube por empréstimo da Internazionale para ganhar rodagem.
Na temporada seguinte, ainda chegaria o meia Pep Guardiola, aos 30 anos, após uma bem-sucedida passagem de nove temporadas pelo Barcelona, e o atacante Luca Toni, de 24, vindo do Vicenza.
Antes, um dos primeiros nomes de projeção internacional a atuar pelo clube foi o meia romeno Gheorghe Hagi, que disputou 62 partidas, com 16 gols marcados, entre as temporadas 1992/93 e 1993/94.
Na sequência, levaria a Romênia até as quartas de final da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, parando apenas diante da Suécia —que seria eliminada pelo Brasil nas semifinais— e seria negociado junto ao Barcelona.
No período, o clube foi treinado pelo também romeno Mircea Lucescu, com a conquista da Copa Anglo-Italiana de 1994.
Na temporada 2024/25, o clube disputou pela última vez a Série B do Italiano, quando terminou na 18ª e antepenúltima colocação.
Dentro de campo, o time havia ficado na 13ª posição da tabela de classificação, mas acabou punido com a perda de oito pontos pela FIGC (Federação Italiana de Futebol) por pendências financeiras de € 8 milhões (R$ 47 milhões) em impostos e outras dívidas em atraso.
Sob a gestão do empresário italiano Massimo Cellino, o clube enfrentou sérios problemas financeiros, com atrasos no pagamento de salários e contribuições previdenciárias.
O Brescia também não conseguiu cumprir os prazos e requisitos financeiros exigidos para participar da Série C na temporada 2025/26, o que resultou na revogação de sua licença nacional pela FIGC.
Cellino ainda tentou apresentar um plano de recuperação judicial para negociar um acordo com os credores, além de buscar a preservação do registro histórico, para um possível retorno nas divisões amadoras, mas não teve sucesso nas empreitadas.
O futuro da marca histórica e do patrimônio do Brescia Calcio dependerá agora do andamento do processo de falência.
A cidade com cerca de 200 mil habitantes já conta com um novo projeto, batizado de “Union Brescia”, criado em 2025 com o objetivo de disputar o acesso da Série C para a Série B.
