Emocionado, Roger Federer afirmou no sábado (29) que ainda estava escrevendo sua declaração de amor ao esporte que “significava tudo” para ele, ao ser eternizado com seu nome no Hall da Fama do Tênis, em cerimônia realizada em Newport, no estado americano de Rhode Island.
Federer, homenageado ao lado da apresentadora e jornalista Mary Carillo, relembrou sua célebre carreira em um discurso que o levou às lágrimas em alguns momentos.
“Esta é uma das maiores honrarias da minha vida”, disse o ex-jogador. “Chamam este lugar de Hall da Fama, mas a fama nunca foi o objetivo. Meu objetivo era passar a vida fazendo algo que amo, ao lado de pessoas que amam isso tanto quanto eu.”
O suíço conquistou o recorde masculino de oito títulos de Wimbledon e permaneceu por 310 semanas como número 1 do mundo. Também venceu outros 12 troféus de Grand Slams (os torneios mais importantes do circuito): seis edições do Aberto da Austrália, cinco do Aberto dos Estados Unidos e uma de Roland Garros.
E fez tudo isso jogando com elegância, uma faixa de cabeça que se tornou sua marca registrada —ele aparentemente usou mais de 5.000 delas durante a carreira, brincou em seu discurso— e quase sempre dois pares de meias.
“O tênis significava tudo para mim. Não apenas jogar, não apenas vencer, mas criar algo novo”, disse ele, que se aposentou em 2022, com 103 títulos no circuito da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).
“É uma mentalidade que tenho. Eu costumava jogar com saques e voleios, tinha um jogo de transição, às vezes jogava muito atrás da linha de base ou em cima dela. E até tentava surpreender meus adversários avançando na devolução, algo que hoje alguns chamam de ‘Ataque Surpresa de Roger’.”
“Isso era o que importava para mim em quadra, mas muito do que era realmente importante aconteceu fora dela.”
Aos 45 anos, Federer se emocionou ao agradecer a seus treinadores, médicos e familiares, incluindo a esposa, Mirka, que o elogiou por seu caráter fora das quadras como marido, pai e amigo.
Ao ter seu nome incluído no Hall da Fama, Federer disse sentir orgulho de levar a Suíça consigo e relembrou o quanto gostava de assistir ao tênis quando era gandula, aos 13 anos, em Basileia.
“Ainda estou escrevendo minha carta de amor ao tênis, e meu tempo como jogador terminou, mas o tênis sempre estará no ponto de encontro de tudo aquilo com que mais me importo”, afirmou.
“Minha família, nossas amizades, os últimos 40 anos, o futuro que estamos construindo —para mim, o tênis é responsável por tudo isso. Portanto, isto não é uma despedida.”
O suíço disse ter sido “incrivelmente sortudo” por jogar com diferentes gerações de tenistas, de Andre Agassi e Lleyton Hewitt a Andy Roddick, Rafael Nadal e Novak Djokovic.
Mas acrescentou que sua entrada no Hall da Fama não é apenas uma oportunidade de olhar para sua carreira, mas também para o futuro do esporte.
“Todos nós deixamos as quadras em algum momento, mas o esporte continua evoluindo”, disse Federer. “E, à medida que o ritmo do tênis profissional se acelera e o esporte se torna ainda mais global, espero muito que ele preserve um pouco desse espírito amador. Que mantenha a camaradagem entre os jogadores.”
