Rádios enumeravam os títulos de Lionel Messi, e emissoras passavam em looping seus melhores lances com a camisa da seleção. Na internet, fãs o agradeciam: “Gracias infinitas”.
Pode parecer um dia normal de uma nação obcecada pelo seu craque no futebol, mas esse foi o adeus da Argentina ao jogador na alviceleste. Na segunda-feira (31), Messi anunciou que não representará mais o país sul-americano no gramado.
“Foi uma decisão que doeu e ainda dói profundamente, mas entendo que é o momento certo. Juro que sempre dei tudo de mim, não apenas nos últimos anos, quando conquistamos tudo, mas também antes disso”, afirmou o argentino em suas redes sociais.
Messi disse ter escrito essas palavras dois dias depois da final na Copa do Mundo deste ano, na qual a Argentina perdeu para a Espanha por 1 a 0. “Hoje, depois do que aconteceu com meu pai, estou mais convencido do que antes”, afirmou, em referência à morte de Jorge Messi, no início de agosto.
Poderia estar claro para o resto do mundo que o atleta de 39 anos não jogaria mais pela Argentina, mas, para parte de seus conterrâneos, a questão ainda estava aberta —ainda mais após sua atuação na Copa do Mundo deste ano.
O craque estreou no torneio colocando a bola na rede aos cinco minutos do primeiro tempo contra a Argélia. Com mais dois gols na mesma partida, igualou-se ao alemão Miroslav Klose como maior goleador da história do torneio na época —algo que era esperado apenas três ou quatro jogos depois. Atualmente, com 21 gols, ele é o segundo da lista, atrás do francês Kylian Mbappé, com 22.
Ao longo do torneio, foi fundamental para as vitórias que fizeram a equipe chegar à final —como a contra a Inglaterra, adversário histórico do país desde a Guerra das Malvinas, na década de 1980. A Argentina perdia por 1 a 0 quando Messi fez a primeira assistência, a Enzo Fernández, que resultou em um gol da alviceleste. O gol da virada também foi uma cortesia do craque, desta vez a Lautaro Martínez.
Para muitos, era sinal de que a idade do craque, conhecido pela sua disciplina dentro e fora do campo, não significava nada, ainda que os torcedores entoassem uma canção segundo a qual a Copa seria “pelas Malvinas, por Diego [Maradona], pela última de Leo”.
“Agradecimento eterno, Leo. Amaremos você até o fim de nossos dias”, escreveu a seleção argentina em suas redes sociais. “Você já é uma lenda desta terra, da nossa seleção nacional e do futebol mundial”, afirmou, por sua vez, o presidente da AFA (Associação do Futebol Argentino), Claudio Tapia.
A Fifa (Federação Internacional de Futebol) escolheu fazer um vídeo com todos os 21 gols do atleta na Copa do Mundo, enquanto o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que seu “talento mágico” seria lembrado para sempre. “Obrigado por cada lembrança inesquecível”, disse.
O perfil dos Jogos Olímpicos também publicou um vídeo com sua atuação no evento esportivo. “Um capítulo inesquecível chegou ao fim, mas deixa memórias inesquecíveis, como a medalha de ouro olímpica em Pequim”, escreveu o comitê.
As homenagens não se limitaram ao mundo do futebol. A embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires, por exemplo, publicou uma foto de Messi acompanhada do emoji de uma cabra, “goat” em inglês —sigla para “o melhor de todos os tempos” na tradução para o português.
O presidente da Argentina, Javier Milei, também publicou uma foto de Messi com a frase: “Muito obrigado, HOMEM IMPOSSÍVEL…!!!”. Além disso, postou um vídeo de 2018 em que defendia o atleta de críticas. Seu possível adversário nas eleições do ano que vem e atual governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, escreveu: “Muito obrigado, capitão, por nos presentear com momentos inesquecíveis e por defender sempre a nossa bandeira”.
As manifestações refletem a caixa de comentários na foto de despedida do craque, inundada por argentinos dos mais diferentes perfis que queriam agradecer ao ídolo.
Messi fez uma publicação com cenas de sua carreira. O vídeo começa com o craque, ainda criança, dizendo que seu sonho era jogar na seleção argentina, e termina com ele, já adulto, dizendo que gostaria de terminar sua carreira tendo ganhado uma Copa para seu país.
