Fabi Alvim, Alison ‘Mamute’ e Ary Graça entram para o Hall da Fama do vôlei


O vôlei brasileiro ganhou três novos representantes no Hall da Fama da modalidade. A bicampeã olímpica Fabi Alvim, o campeão olímpico Alison Mamute e Ary Graça, ex-presidente da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), foram homenageados neste sábado, em cerimônia realizada em Holyoke, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.

A trajetória de Fabi foi um dos destaques da noite. Revelada no Rio de Janeiro, a ex-líbero construiu uma carreira de destaque na seleção brasileira e se tornou referência na posição. Ao relembrar o início da caminhada, ela falou sobre as dificuldades que enfrentou ainda na infância, quando jogar não era visto como uma escolha comum para meninas de seu bairro.

“Naquela época, uma menina que escolhia brincar com bola no meio dos meninos causava estranheza. A minha trajetória era, por si só, improvável. O lugar de onde vim, as barreiras que enfrentei pela ausência de padrões a seguir no vôlei, tudo parecia dizer não. Mas, de alguma forma, o improvável virou meu combustível”, contou.

Fabi também destacou como a função de líbero influenciou sua maneira de enxergar o esporte e a vida. Ao longo de duas décadas na posição, a jogadora teve papel importante nas conquistas da seleção, mesmo sem a responsabilidade de marcar pontos diretamente. Ela conquistou duas medalhas de ouro olímpicas e venceu a Superliga em dez oportunidades por clubes brasileiros.

“Ser líbero é aprender na pele o verdadeiro significado do altruísmo. É entender o valor de servir. Em um esporte que vive e respira a contagem de pontos, passei 20 anos sem fazer nenhum e nunca, nem por um segundo, me senti menos importante por isso”, afirmou. A ex-jogadora também disse que sua experiência nas quadras ajudou a formar quem ela é como mulher e mãe.

Outro brasileiro reconhecido foi Alison Mamute, campeão olímpico ao lado de Bruno Schmidt nos Jogos do Rio, em 2016, e medalhista de prata em Londres, em 2012, com Emanuel Rego. Conhecido pela força física e pela eficiência no bloqueio, o ex-jogador também conquistou títulos no circuito mundial de vôlei de praia. Para marcar a homenagem, deixou no Hall da Fama objetos usados na conquista do ouro olímpico em Copacabana.

“É motivo de muito orgulho estar aqui para receber esta homenagem e pensar que, a partir de hoje, estarei junto de tantos grandes nomes, de tantos brasileiros, que brilharam nas areias e nas quadras. É difícil entender o tamanho de tudo isso”, disse Alison. Ele comparou a entrada no grupo a “zerar um jogo” e relembrou os desafios enfrentados durante os 24 anos de carreira.

Ary Graça completou a lista de brasileiros homenageados nesta edição. À frente da FIVB entre 2012 e 2024, o dirigente teve participação na administração internacional da modalidade. A cerimônia reuniu nove personalidades de diferentes áreas do vôlei, entre atletas, treinador, árbitro e representante do esporte paralímpico.

Entre os demais homenageados estão a norte-americana April Ross, campeã olímpica no vôlei de praia em Tóquio 2020, a russa Ekaterina Gamova, bicampeã mundial, e o cubano Yoel Despaigne, primeiro atleta de seu país a receber a honraria. O francês Laurent Tillie, técnico da seleção francesa campeã olímpica em Tóquio, o árbitro japonês Takashi Shimoyama e Denis Le Breuilly, ligado ao desenvolvimento do vôlei paralímpico, também passaram a integrar o Hall da Fama.



Fonte: Jovem Pan

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