Supercomputadores avaliam chances das seleções na Copa – 09/06/2026 – Fabio Takahashi


Enquanto as mesas-redondas fervem na discussão se o Brasil deve jogar com dois, três ou quatro no meio-campo, se Endrick, Matheus Cunha ou Igor Thiago deve ser o atacante titular, a massa do público quer saber algo bem mais direto: o Brasil vai ganhar a Copa?

E o que os dados dizem? A coisa já foi melhor. Mas espere antes de cair no pessimismo.

A empresa Opta, referência mundial em análise esportiva, rodou seu supercomputador dezenas de milhares de vezes para simular o torneio.

O resultado: Espanha é a principal favorita, com chance de título em torno de 16%. Os resultados recentes da equipe realmente são robustos, especialmente com o título da última Eurocopa (2024).


O Brasil aparece nessa simulação com 6,8%, sexto colocado. O modelo indica que haverá pouca dificuldade para passar da primeira fase (96,9% de possibilidade de se classificar; o Haiti, segundo adversário da seleção, tem 0,00% de probabilidade de levar o título).

Para chegar à semifinal, o que não ocorre desde 2014, o Brasil tem 22,1% de probabilidade.

A seleção brasileira é uma das favoritas ao título, atrás, além da Espanha, da França (12,7%), campeã em 2018 e vice em 2022; da Inglaterra (10,8%), atual vice-campeã da Eurocopa; da Argentina (10,2%), atual campeã mundial; e de Portugal (7,2%).


Ou seja, o Brasil é o sexto com mais chance de título (isso não significa que a seleção ficará em sexto lugar). O time de Carlo Ancelotti está logo à frente de Alemanha (5,9%) e Holanda (4%).

A Opta simula milhares de vezes os confrontos do Mundial, estima os duelos de mata-mata e as chances de vitória das seleções. A empresa cruza seus dados com as probabilidades das casas de apostas para calibrar o modelo.

Analisando apenas as casas de apostas, a avaliação é semelhante, embora ligeiramente mais generosa com o Brasil. Na FanDuel, uma das principais plataformas de apostas americanas, o Brasil é o quarto favorito, com 10,5%.


É um panorama diferente do visto nas últimas Copas, em que a seleção aparecia como a grande favorita ao título. Mas esse fato mostra justamente a limitação dessas previsões, já que todos sabemos que o país caiu nas quartas de final no Qatar (2022) e na Rússia (2018).

Primeiro, esse “erro” está bem dentro do previsto do ponto de vista estatístico. No Qatar, mesmo favorito, o Brasil possuía apenas 16% de probabilidade de levar a taça. Ou seja, havia 84% de não ganhar o Mundial.


Além disso, a Copa do Mundo tem uma formatação que dificulta uma previsão estatística: são poucos jogos, em dois formatos diferentes (fase de grupos e mata-mata) e os jogadores vêm de diferentes times e jogam de forma diferente nas seleções, o que dificulta projeções de desempenho.


Sem contar a natureza do futebol: o esporte de menor pontuação entre os grandes, em que um gol de pênalti ou uma bola na trave separa o favorito do fracasso (relembrando, no gol da Croácia, em 2022, um leve desvio da bola no zagueiro Marquinhos tirou o goleiro Alisson da jogada e a classificação do Brasil para as semifinais).

Com seus 7% a 11% de probabilidade, o Brasil não é favorito. Mas está no jogo. E, se as previsões das últimas Copas superestimaram o resultado do Brasil, por que não podem estar subestimando agora em 2026?


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Fonte: Folha UOL

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