As estatísticas do empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo 2026 são muito equilibradas, mas, se tem algo que o torcedor brasileiro não sentiu, foi equilíbrio na estreia da seleção.
Nos primeiros 30 minutos de jogo, a equipe marroquina dominou as ações, enquanto os brasileiros pareciam em pane, errando muitos passes.
Depois do gol de Vinicius Junior, aos 31min do primeiro tempo, o jogo se equilibrou.
Na segunda etapa, o Brasil ensaiou pressão nos minutos iniciais, mas não conseguiu criar boas oportunidades de gol.
Ao mesmo tempo, os marroquinos já nem atacavam tanto, parecendo satisfeitos com o empate.
Assim, apesar de tantos erros brasileiros no início, as duas equipes terminaram a partida com números parecidos em passes certos (448 do Brasil, ante 421 de Marrocos), faltas cometidas (16 a 14), chutes a gol (13 a 14), cruzamentos (16 a 15), desarmes (23 a 24) e percentual de finalizações convertidas em gol (11% a 12%).
SAÍDA DE BOLA
O Brasil teve dificuldade para sair jogando durante todo jogo, enquanto o Marrocos conseguiu rodar pelo campo com facilidade.
No começo, insistiu em lançamentos e passes longos, sem sucesso. E, quando os marroquinos diminuíram o ritmo, a bola ficou concentrada nos zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães, como mostra o gráfico de passes a seguir.
As linhas mostram os passes concluídos entre os jogadores ao longo do campo. Quanto mais grossa é a linha, maior é a concentração de passes entre dois atletas.
Os mapas de calor das equipes reforçam o contraste: enquanto a mancha brasileira fica no campo de defesa, exatamente na dupla de zaga, Marrocos ocupa o lado direito de ataque, onde jogam Hakimi e Brahim Díaz, os craques do time.
Com o volume de toques entre zagueiros, Gabriel Magalhães é o quarto jogador que mais passou a bola na Copa até aqui (85 passes), atrás do também zagueiro Ream (Estados Unidos, com 90 passes) e da dupla de zaga suíça, Elvedi e Akanji (92 e 102 passes, respectivamente).
MEIO DE CAMPO
A comparação entre os volantes Bruno Guimarães (Brasil) e Ayoub Bouaddi (Marrocos) é um retrato da diferença entre o meio das duas equipes.
Bouaddi acertou o dobro de passes (29) no campo de ataque e foi superior nas outras métricas, exceto assistências: Bruno tocou para Vinicius antes de o atacante fazer o gol.
Esse domínio marroquino no meio de campo foi crucial para o início de jogo arrasador dos africanos.
CONTRA-ATAQUES
Apesar de a posse de bola marroquina ter assustado, foram os contra-ataques que definiram o resultado.
Com apenas dois passes, Marrocos saiu do campo de defesa e deixou Saibari frente a frente com Alisson para abrir o placar, como mostra o vídeo.
Do outro lado, quatro passes foram suficientes para Vinicius conseguir invadir a área e chutar no canto esquerdo do goleiro Bono.
LADO DIREITO DO CAMPO
A origem dos dois gols está ligada a falhas pelo lado direito do campo.
É por ali que Lucas Paquetá perde a bola do contra-ataque definidor do gol marroquino.
A dupla formada por ele e Ibañez no lado direito brasileiro foi um dos piores pontos do Brasil na partida, tanto que Carlo Ancelotti sacou ambos no segundo tempo.
No gol brasileiro, Bono tenta lançamento para o avançadíssimo lateral direito Hakimi, interceptado por Douglas Santos. Dali sai a jogada em que Vinicius empata.
Detalhe: avançado, Hakimi nem volta para ajudar a defesa. Sobrou para o meia El Aynaoui marcar o camisa 7 brasileiro, sem sucesso.
INEFICIÊNCIA NO ATAQUE
É cedo, a Copa está no começo, mas até aqui Brasil e Canadá são os países com a menor porcentagem de finalizações convertidas em gol, ambos com 11% (quase 10 chutes para gerar 1 gol). Os Estados Unidos lideram no quesito, com 33% (3 chutes para gerar 1 gol).
Além disso, o número de finalizações da seleção brasileira na estreia foi o pior das últimas três estreias em Copas: apenas 12.
No primeiro jogo de 2018, contra a Suíça, foram 21 chutes. Em 2022, contra a Sérvia, 23. Na média dessas duas partidas, quando o treinador era Tite, o Brasil finalizou quase o dobro do que conseguiu diante dos marroquinos na noite deste sábado (13).
