Goleados, jogadores de Curaçao citam orgulho; alemães evitam jornalistas


Goleados pela Alemanha na partida de estreia da Copa do Mundo, os jogadores de Curaçao compartilharam um sentimento em comum durante as entrevistas no NRG Stadium, em Houston: orgulho. A palavra foi repetida à exaustão por quase todos os atletas que pararam na zona mista para atender aos jornalistas presentes e chamou a atenção pelo contraste com a postura dos alemães.

Se, pelo lado curaçauense, havia o atendimento solícito aos profissionais de imprensa, quase sempre aos risos, do outro, a equipe que venceu por 7 a 1 só respondeu às emissoras detentoras dos direitos de transmissão — uma imposição da Fifa.

“Todos ficamos decepcionados com o resultado, obviamente, mas demos o nosso máximo e estamos orgulhosos. Até alguns adversários nos disseram após a partida que fomos bem. E em várias fases do jogo apresentamos um futebol muito bom”, disse o goleiro Eloy Room.

“Nós complicamos a vida deles, marcamos um gol. Então, isso também é algo muito legal”, completou.

A emoção tomou conta dos curaçauenses ainda na execução do hino nacional. Em um dos trechos cantados em papiamento, a língua oficial do país, as câmeras de transmissão flagraram os atletas com olhos marejados, enquanto torcedores choravam e gritavam: “nossos antepassados vieram para cá, com a força de seus braços, para construir um futuro para que, assim, pudéssemos viver em liberdade”.

“Por um lado, sei que é um momento de orgulho para as pessoas em Curaçao e para nós. Vejo o que ocorreu aqui como uma curva de aprendizado. Os meus companheiros se esforçaram, então temos que dar os méritos à Alemanha. Obviamente, não estávamos jogando contra uma seleção qualquer”, analisou o meia-atacante Tahith Chong, que projetou evolução para a próxima partida. A equipe enfrenta o Equador no próximo sábado, 20, em Kansas City.

Onda Azul: torcedores de Curaçao na estreia da seleção em Mundiais, diante da Alemanha, em Houston (EFE/EPA/SAM WASSON) EFE/EPA/SAM WASSON

“Nosso treinador (Dick Advocaat) tem uma bagagem enorme nesse tipo de competição. Então, sabemos que vamos analisar este jogo, entender os erros que cometemos e onde poderíamos ter ido melhor para, se Deus quiser, evoluir nas próximas duas partidas”, completou.

O atacante Jearl Margaritha ainda apontou que a pausa para hidratação, logo após o gol de empate, marcado pelo lateral Livano Comenencia, freou o ímpeto da equipe, mas também destacou o momento histórico para o país..

“Nós já sabíamos que a pausa aconteceria, então precisávamos continuar ligados nesses momentos e saber lidar com a situação. Mas precisamos manter a cabeça erguida, foi histórico o que fizemos aqui. A nossa principal mensagem precisa ser essa”, explicou.

A seleção representa uma ilha do Caribe com cerca de 160 mil habitantes, a menor em povoamento entre todos os 48 países que estão no Mundial, e tem apenas um jogador que nasceu de fato no local: o meia-atacante Tahith Chong, atualmente no Sheffield United, da Inglaterra.

O país está no Grupo E da competição, que além de Alemanha e Equador também conta com a Costa do Marfim. A partida entre marfinenses e equatorianos começa às 20h (de Brasília), na Filadélfia.





Fonte: Placar

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