Artilheiros escandinavos são destaques da primeira rodada


A primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 ainda está em disputa, mas já produziu uma coincidência envolvendo três dos atacantes mais valorizados do futebol mundial. Erling Haaland, Alexander Isak e Viktor Gyokeres marcaram em suas estreias e iniciaram a corrida pela artilharia do torneio.

Nesta terça-feira, 16, Haaland fez dois gols na vitória da Noruega sobre o Iraque. Dois dias antes, Isak e Gyokeres haviam balançado as redes na goleada da Suécia por 5 a 1 sobre a Tunísia.

O fato chama atenção porque reúne jogadores de destaque no futebol global e que compartilham características cada vez mais valorizadas no jogo moderno. Todos atuam no ataque de suas seleções, possuem estatura acima da média e conseguem combinar força física, velocidade e participação constante fora da área.

Gyökeres marcou o terceiro gol sueco contra a Tunísia (Reprodução/X/svenskfotboll)

Haaland tem 1,94m, Isak mede 1,92m, e Gyokeres chega a 1,89m. A eles se soma Alexander Sorloth, companheiro de Haaland na seleção norueguesa e dono de 1,95m. Assim, em uma região com pouco mais de 27 milhões de habitantes somando Noruega e Suécia, a concentração de atacantes desse nível e com características semelhantes chama atenção.

Os bons atacantes escandinavos

A produção de bons atacantes de alta estatura, contudo, não é novidade. A Suécia revelou nomes como Zlatan Ibrahimović, enquanto a Noruega teve jogadores importantes como Tore André Flo. O que diferencia a geração atual é a presença simultânea de nomes tão badalados, com perfis tão específicos.

Durante boa parte do século passado, atacantes altos costumavam ser associados principalmente ao jogo aéreo e à presença física dentro da área. Haaland, Isak, Gyokeres e Sorloth pertencem a outra categoria.

Haaland brilhou em estreia da Noruega contra o Iraque – Divulgação / Fifa

Além da estatura, carregam atributos normalmente encontrados em jogadores de menor porte. Todos eles atacam espaços em velocidade, participam da construção das jogadas e conseguem percorrer grandes distâncias conduzindo a bola, ainda que muitas vezes com lançamentos em profundidade.

A novidade, logo, não está na altura. Dados da NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC), que reúne pesquisadores de dezenas de países, mostram que Noruega e Suécia pertencem há décadas ao grupo de nações com as maiores estaturas médias do planeta. A mudança ocorreu dentro de campo, já que os atacantes formados na região passaram a combinar as vantagens físicas tradicionais com recursos técnicos e mobilidade.

Consolidação da atual geração 

As trajetórias dos protagonistas ajudam a ilustrar esse processo. Dupla da seleção norueguesa Haaland e Sorloth cresceram em famílias com ligação ao futebol norueguês. Entre os suecos, por outro lado, Isak nasceu na Suécia e é filho de imigrantes eritreus, enquanto Gyokeres tem ascendência húngara pelo lado paterno.

Dessa forma, diferentes origens familiares ajudam a mostrar que a atual geração de atacantes da região foi formada em contextos esportivos semelhantes. Isso, independente da ascendência de cada jogador.

Alexander Isak marcou o segundo gol da Suécia contra a Tunisia

Alexander Isak marcou o segundo gol da Suécia contra a Tunisia (Reprodução/X/svenskfotboll)

Simultaneamente, pesquisadores da área de crescimento humano apontam que fatores como alimentação, acesso à saúde, condições de vida e prática esportiva durante a infância também exercem influência sobre o desenvolvimento físico. Em países como Noruega e Suécia, esses indicadores figuram entre os mais elevados do mundo, criando ambiente favorável.

O futebol local também passou por transformações importantes. Nas últimas décadas, federações, clubes e centros de treinamento ampliaram investimentos em formação, qualificação de treinadores e desenvolvimento de jovens atletas. E, pelo menos até aqui, isso tem surtido efeito durante a Copa do Mundo.





Fonte: Placar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *