Copa: Argentinos enfrentam frio para ver Messi marcar 3 – 16/06/2026 – Esporte


O outono deu uma trégua em Buenos Aires, mas os termômetros ainda marcavam 14°C na noite desta terça-feira (16) na capital argentina. Nem o clima, nem o horário, nem o trabalho no dia seguinte impediram centenas de pessoas de se reunirem na Plaza Seeber, em Palermo, para acompanhar a estreia da Argentina na última Copa do Mundo de Lionel Messi.

Assim que o jogo começou, às 22h locais, a multidão silenciou para acompanhar do telão instalado na praça, onde acontece a “Fan Fest” promovida pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), a partida contra a Argélia, disputada no Arrowhead Stadium, em Kansas City.

Os primeiros dez minutos de jogo não pouparam os argentinos de tensão, mantendo o clima com que o país se consagrou no último torneio —em 2022, a seleção de Messi deixou o país em suspenso por alguns minutos antes de vencer a França nos pênaltis. Nesta terça, os torcedores comemoram um gol de Messi aos cinco minutos do primeiro tempo e observaram incrédulos um gol do adversário, aos oito minutos.

Ambos foram anulados por impedimento para, aos 17 minutos, o camisa 10 da Argentina colocar a bola na rede de novo, desta vez regularmente, e os torcedores gritarem no gramado da Plaza Seeber. O craque ainda marcou mais duas vezes, igualou o alemão Miroslav Klose como maior goleador da história do torneio e deu a vitória à Argentina.

Para Andrés Chavez, 42, a performance de Messi foi um bom começo para a despedida do craque da camisa da seleção. “Diziam que em algumas partidas ele poderia superar e já igualou em um”, afirmou o entregador. “Ele é único. Depois de Maradona, é ele.”

À diferença da Copa passada, celebrada no final do ano para poupar os atletas do calor do Qatar, este torneio volta a acontecer em um período de frio na Argentina, o que fez muitos se perguntarem se a torcida teria pique para acompanhar os jogos nas ruas, como em 2022.

“Temos uma televisão de 65 polegadas em casa para ver as partidas, mas nem passou pela nossa cabeça ficar em casa. Aqui é outras coisa. Queremos sentir o gol”, disse a entregadora Violeta Gandía, 21, acompanhada de seu namorado, Lucas Lopez, 30, e o cachorro deles, devidamente trajado com a camisa da seleção.

“As expectativas são altas, porque ganhamos a última e estamos mais ansiosos e mais confiantes”, disse Lopez. O pedreiro Federico Pires, 37, que também assistia à partida do telão em Palermo, parece não ter dúvidas. “Temos os jogadores, temos a capacidade, confiamos na equipe. Vão trazer a taça para casa de novo.”

A Argentina é a equipe de ocasião de Pamela Silva, 27, equatoriana que vive no país há seis anos e acompanhava a partida com os pais, que vieram do país natal para visitá-la.

“Eu não acho que vão ganhar”, afirmou, vestindo um casaco pesado para aguentar a temperatura que caia ao longo da partida.

Seu pai, o médico Michael Salazar, 49, estava mais confiante. “Acho que a equipe tem uma boa mistura entre jogadores novos e mais experientes”, disse.

Embora torça preferencialmente para o Equador, em sua quinta participação no torneio, também considera a Argentina uma espécie de segundo time por conta do novo lar da filha.

“Nós, latinoamericanos, vivemos o futebol. Acho que nascemos assim. E quando jogamos contra um europeu, por exemplo, torcemos pelo latinamericano”, disse. “Só quando nos encontramos a coisa é diferente”, diz.



Fonte: Folha UOL

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