American Dream: vitória dos EUA faz o país suspirar – ainda mais


Cunhada em 1931 pelo historiador James Truslow Adams em seu livro The Epic of America, a expressão “american dream” (sonho americano) ecoou, por décadas, como uma espécie de crença nacional de que qualquer pessoa, independentemente de sua origem ou classe social, pode alcançar o sucesso.

Passado quase um século, muita coisa mudou. O sonho americano esvaiu-se por conta de uma série de medidas repressivas contra imigrantes, mas ganhou um sentimento renovado com o inesperado sucesso da seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo. A vitória contra a Bósnia e Herzegovina, que garantiu os anfitriões nas oitavas de final do torneio, fez explodir o clima de euforia no país às portas de completar 250 anos de sua independência, no próximo dia 4 de julho.

Notícias no WhatsAppEntre no canal da Placar e receba as novidades do futebol em primeira mão.

“Que venha o próximo”, publicou o New York Post. “Estados Unidos derrotam a Bósnia e Herzegovina e conquistam sua primeira vitória por nocaute no boxe masculino desde 2022”, analisou o The New York Times.

New York Post fez elogios à classificação americana - Reprodução

New York Post fez elogios à classificação americana – Reprodução

“Este é aquele tipo de vitória na garra que vai fazer o país se apaixonar pela seleção masculina dos EUA. Para quem ainda não se apaixonou”, afirmou o USA Today. Não tem mais jeito, o sonho americano está de volta.

“É o sonho americano. Acho que nós evoluímos muito nos últimos anos, em algumas Copas do Mundo, mas o nosso momento é agora e é fantástico que aconteça aqui. Há um longo caminho pela frente, com França, Portugal, Espanha… mas o título é possível”, disse à PLACAR o torcedor Chad Hartman, 42, um dos milhares que lotaram a Fifa Fan Fest em Houston, no Texas, para acompanhar a partida.

Em East Downtown, o local que abriga até 7,5 mil torcedores já atingiu sua capacidade máxima por várias vezes – principalmente nos jogos dos Estados Unidos, mesmo com a movimentação de bares próximos e até mesmo da boa presença de público do Shell Energy Stadium, que fica ao lado. Até a semana passada, a estimativa dos organizadores era de que 260 mil pessoas já haviam passado pelo equipamento.

“Eu gosto de pensar que o troféu já é possível. Ter os jogos acontecendo aqui na América é muito legal. Para nós, é legal ver as culturas chegando e experimentando a cultura americana, falando do molho ranch, do nosso tempo, do nosso ar-condicionado, coisas assim. Mas o principal: a seleção dos Estados Unidos está jogando demais. Tem muitas seleções jogando demais, mas é um sonho”, explicou Gavin Stockwell, 20, outro torcedor presente.

Durante a partida, o clima começa a esquentar com gritos de “USA, USA, USA”. Na área principal, onde há um palco para shows no intervalo, três telões reproduzem simultaneamente o jogo, atraem famílias e criam um modo especial de torcer.

No primeiro gol, marcado por Folarin Balogun aos 44 minutos do primeiro tempo, festa total. O barulho aumentava a cada vez que a equipe se aproximava do gol rival, enquanto a vantagem fez com que o intervalo fosse tomado por cantoria de sucessos musicais do país.

O cenário dos sonhos foi desmontado com a expulsão do candidato a herói Balogun. Enquanto o árbitro brasileiro Raphael Claus revisava com o VAR o pisão do autor do gol em Muharemovic, um silêncio tomou conta. Seguido de revolta após a expulsão: “Ref (Referee) you suck (Juiz, você é horrível)”, gritaram seguidamente.

Minutos depois, mais revolta com o gol de Pulisic anulado aos 28. Aos 36, Tillman deu a paz que os americanos precisavam. O jogo foi encerrado com contagem regressiva em coro: “10, 9, 8…” ao melhor modo americano de torcer.

“Se a gente mantiver o ritmo que estamos tendo, coisas boas podem acontecer. Dá para notar que os jogadores têm paixão. Nos anos anteriores não víamos isso, mas dá para notar agora, com um elenco novo. Estamos jogando de um jeito bem diferente, existe um brilho ali, uma espécie de irmandade entre os jogadores. Ainda somos uma grande zebra, com certeza, mas acho que se eles jogarem o máximo que podem, a Copa pode definitivamente ser possível”, argumentou o torcedor Blaise Bauman, 20.

Nas redes sociais, a atuação provocou uma onda de reconhecimento: “Estados Unidos estão praticando o soccer”, disse um.

Em campo, nota-se uma seleção não feita apenas de americanos nativos, mas de jogadores com fortes raízes familiares em outros países. De acordo com um levantamento da revista Newsweek, 12 dos 26 convocados possuem origens imigrantes ou diaspóricas ligadas a oito nações diferentes.

Siga a Placar no GoogleFique por dentro das últimas notícias e não perca nenhum lance.

A nova euforia americana também ganhou os ares. Os 65 passageiros do voo 6324 da American Airlines, que fazia a rota entre Los Angeles e Seattle, foram surpreendidos com a distribuição de camisas e produtos oficiais dos Estados Unidos pela companhia aérea. Imagens do interior da aeronave e da reação dos passageiros viralizaram nas redes sociais.

A euforia também é refletida em números. A estreia dos Estados Unidos na competição, vencida por 4 a 1 diante do Paraguai, em Los Angeles, tornou-se o jogo de futebol mais assistido da história americana. Foram 27,5 milhões de espectadores registrados, contabilizadas as transmissões em inglês pela Fox (que alcançou 18 milhões) e pela Telemundo (que atingiu mais 9,5 milhões em espanhol).

O preço dos ingressos também disparou, incentivando torcedores a procurarem as fan fests para conseguirem torcer pela seleção ao lado de outros com o mesmo sentimento de orgulho.

O próximo desafio será diante da Bélgica, na próxima segunda-feira, 6, às 21h (de Brasília), novamente em Seattle.





Fonte: Placar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *