Apontado por críticos como um personagem por vezes teatral à beira do gramado – como quando reuniu os jogadores da seleção do Canadá dizendo que haviam se tornado “heróis nacionais” após a vitória por 1 a 0 contra a África do Sul, pela fase de 16 avos da Copa do Mundo -, o técnico americano Jesse Marsch se autointitulou “um louco” por ter aceitado o cargo há dois anos.
A equipe, que faz uma histórica campanha em Mundiais, iniciou a preparação para o decisivo duelo contra Marrocos, que ocorre no sábado, 4, às 14h (de Brasília), no NRG Stadium, em Houston.
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“Eu até comentava que era uma loucura aceitar o convite tendo como primeiros compromissos Holanda, França e Argentina. Pensei: ‘Sou um louco, o que meu empresário tinha na cabeça ao me sugerir este trabalho?’. No entanto, esse início difícil foi excelente para mostrar ao grupo o real padrão exigido no futebol de elite”, disse o treinador.
“O Alphonso [Davies] (do Bayern de Munique já vivenciava isso na Europa, mas a maioria do elenco não, e certamente não como um conjunto. Conforme enfrentávamos essas grandes potências, eles sentiram na prática o que eu propunha nos treinos. Mesmo que não tenham assimilado tudo de imediato, entenderam a lógica da nossa metodologia”, completou.
Marsch assumiu o comando da seleção anfitriã em maio de 2024 às portas da disputa da Copa América. Depois de perder por 4 a 0 para os holandeses em um amistoso preparatório na estreia, surpreendeu o mundo um empate sem gols diante da França, em Bordeaux.
Canadá e Suíça se classificaram no Grupo B – Bob Frid/EFE
Ele ainda conseguiu impor uma rápida mudança de comportamento da equipe, que teve campanha elogiada na competição continental, só sendo eliminada na semifinal para a campeã Argentina.
“Com a excelente campanha na Copa América, o grupo se convenceu de que estávamos no caminho certo. Aquela experiência foi o divisor de águas para consolidar a nossa identidade”, apontou Marsch, que explicou ter aumentado a intensidade de cobranças e trabalhos:
“Quando assumi o cargo, muitos atletas, pelo que conheciam da minha carreira, alimentavam a expectativa de que o trabalho daria certo. Mas eu sempre brinco: quando você assume uma seleção sob forte cobrança externa, corresponder a isso é o maior desafio. Logo na chegada, estabeleci um nível alto de exigência, trouxe conceitos que considerava essenciais para o cenário internacional e elevei o sarrafo nos treinamentos diários”.
Marsch conduz a seleção canadense a feitos inéditos em sua história – Bob Frid/EFE
Já perto da estreia no Mundial, em maio, o treinador assinou uma extensão de contrato de quatro anos com o Canadá, válida até a Copa do Mundo de 2030. Curiosamente, após encerrar a carreira de jogador, o primeiro trabalho como treinador foi no próprio país: no Montreal Impact, em 2012. Posteriormente, passou pelo Red Bull Salzburg, onde conquistou quatro tíulos, e pelo RB Leipzig e Leeds United.

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“O tamanho do grupo de talentos é um grande fator, mas o surgimento dos times e das academias da MLS, somado ao desenvolvimento da CPL (Canadian Premier League), mudou o cenário. De repente, as crianças que jogam futebol passaram a ter, antes de tudo, uma plataforma de nível mais alto e o direito de sonhar com algo maior, graças às oportunidades que surgiram. É uma combinação de experiência e de mudança na mentalidade sobre o que é possível alcançar. É por isso que, quando chamei nossos jogadores de heróis, eu quis dizer que eles são heróis de verdade. Eles estão nos dando a oportunidade real de construir algo especial”, afirmou.
O Canadá chegou para a sua terceira participação em Copas tendo perdido apenas dois dos 17 jogos disputados desde 2025. O país jamais havia marcado um gol na competição, fato superado pelos quatro pontos somados na fase de grupos, que asseguraram a segunda colocação.
