A sinalização de Neymar de que deve se aposentar da seleção brasileira depois da eliminação da Copa neste ano foi recebida com relativo descrédito por dirigentes de federações, assessores técnicos e integrantes da CBF.
De acordo com análise de três deles ouvidos pela coluna, as declarações do jogador, feitas no calor da derrota para a Noruega, no domingo (5), não devem ser tomadas como definitivas.
Eles citam o exemplo de Leonel Messi, que em 2016 anunciou a aposentadoria da seleção argentina depois de uma sequência de derrotas. Poucos meses depois, ele voltou atrás, seguiu na equipe, bateu recordes e conquistou diversos títulos —entre eles, a Copa do Mundo de 2022, no Catar.
Há diferenças entre o momento em que o anúncio ocorreu. Messi tinha 29 anos. Neymar tem 34. O argentino era então já considerado um dos melhores do mundo, condição que manteve inabalada até hoje. O brasileiro, apesar do histórico, está em um momento de declínio na carreira.
A sinalização de que ele teria desistido de vez da seleção foi festejada por seus críticos, que celebraram o fim da Era Neymar.
Ainda assim, ele é considerado jovem por cartolas para deixar o gramado nos mundiais. Messi hoje tem 39 anos. Cristiano Ronaldo tem 41 anos e jogou nos EUA sua última Copa.
A carta aberta divulgada pelo pai de Neymar um dia depois do anúncio, pedindo que ele siga jogando futebol, foi considerada pelos profissionais ouvidos pela coluna como uma confirmação das suspeitas de que, passada a emoção inicial, o jogador reconsiderará sua decisão.
A dúvida é se ele teria, daqui a quatro anos, recuperado as mínimas condições para, aos 38, disputar mais um mundial, como fizeram em idades aproximadas o argentino Messi e o português Cristiano Ronaldo.
Neste Mundial, ele passou a maior parte do tempo no banco de reserva.
Leia, abaixo, a mensagem de Neymar Pai para o filho publicada no Instagram:
“Vivemos juntos cada etapa dessa jornada. Vibrei com seus primeiros gols, com suas primeiras conquistas, com a sua chegada ao futebol profissional. Depois vieram os grandes estádios, os títulos, as viagens, a seleção brasileira, o reconhecimento do mundo inteiro. Vi o menino se transformar em um dos maiores jogadores da história da sua geração. Mas, para mim, nada disso supera o privilégio de ter acompanhado cada passo como pai.
E é justamente por acreditar nisso que quero lhe fazer um pedido de pai. Filho, continue a jogar futebol. Volte a sentir alegria com a bola nos pés. Volte a sorrir dentro de campo. Hoje você está saudável. Deus lhe deu novamente a oportunidade de fazer aquilo que sempre amou. Desfrute do futebol. Não carregue sobre os ombros o peso das decisões, das críticas, das expectativas ou das interrupções que a vida apresenta. Há coisas que pertencem aos homens, mas há decisões que pertencem somente a Deus.”
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS
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