Ancelotti conclui que Brasil não tem lateral direito bom – 08/06/2026 – O Mundo É uma Bola


O Brasil, de tantos ótimos laterais direitos em sua história, estará sem nenhum no elenco que no sábado (13) começará a busca pelo hexacampeonato.

Wesley, 22, o único da posição entre os convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo na América do Norte (EUA, México e Canadá são os anfitriões a partir de quinta-feira), contundiu-se no amistoso contra o Egito e foi cortado.

Para o seu lugar, era de se esperar que o treinador italiano chamasse um dos laterais direitos da pré-lista enviada à Fifa, de onde vem o substituto de alguém que, por doença ou lesão, fique impossibilitado de jogar na competição.

Os nomes nela são os de Vitinho (Botafogo), 26, e Paulo Henrique (Vasco), 29. Ambos tiveram oportunidade com Carletto no ano passado. O vascaíno fez um gol, em amistoso contra o Japão, em Tóquio.

Os dois devem ter ficado esperançosos ao saber que Wesley tinha chance de não permanecer com a seleção. E decepcionados ao saber que, para a vaga, o escolhido foi um volante: Éderson, que está deixando o Atalanta (Itália) para defender o Manchester United (Inglaterra).

Não entendi essa ancelottice. Já havia quatro volantes entre os 26 chamados para a Copa: os titulares Bruno Guimarães e Casemiro e os reservas Danilo Santos e Fabinho. Para que mais um? Qual a chance de Éderson ter um papel relevante no Mundial? Mínima.

E a lateral direita completamente órfã. Mesmo havendo carência de talento, não é melhor ter pelo menos um atleta que esteja acostumado a jogar por ali? A meu ver, sim. Na visão de Ancelotti, que concluiu não haver um único lateral direito brasileiro que preste, não.

Adepto convicto de uma linha defensiva com quatro atrás, ele terá de improvisar, colocando um zagueiro para atuar na direita. Será Ibañez, 27, ou o veterano Danilo, 34.

Danilo, homem de confiança do técnico e visto por ele como um curinga –capaz de atuar em todas as posições do setor defensivo–, até jogou muito tempo como lateral, porém nos últimos anos atuou majoritariamente na zaga, por Juventus (Itália) ou Flamengo, onde é reserva dos Léos (Ortiz e Pereira).

Outra opção é fazer Fabinho, 32, voltar a jogar na lateral. Começou no setor, mas é volante faz mais tempo do que Danilo é zagueiro.

Sem um lateral de origem, Ancelotti terá pouquíssimos dias para adaptar alguém, independentemente da escolha. Para fazer a marcação não é grande problema, marcar é sempre mais fácil que criar. Só que o apoio, a ida ao ataque, fica prejudicado.

É até temeroso querer que Danilo ou Fabinho façam o “ir e vir”, pois, mesmo em boa forma, não são mais garotos. Depois dos 30, as pernas passam a pesar. Nesse cenário, Ibañez, com pouca rodagem pela seleção, é o favorito a ser improvisado.

Caso aconteça, será um baita desafio para o zagueiro que realizou apenas sete jogos pelo Brasil. Jogou a partida toda apenas uma vez, no começo de 2023. Sob o comado do interino Ramon Menezes, formou a dupla de beques com Éder Militão em amistoso contra Marrocos.

É. Marrocos. O primeiro adversário do Brasil nesta Copa do Mundo. Resultado daquele jogo? Marrocos 2 x 1 Brasil.

Campeão em Copas do Mundo sempre com grandes nomes na lateral direita (De Sordi e Djalma Santos em 1958, Djalma Santos em 1962, Carlos Alberto em 1970, Jorginho em 1994 e Cafu em 2002), o Brasil buscará o hexa sem nenhum.

Não é um impedimento. A Alemanha ganhou a Copa de 2014 (a do 7 a 1) com um zagueiro, Höwedes, fazendo a lateral esquerda –em função primordialmente defensiva. Mas o brasileiro que entrar ali terá de se desdobrar para dar conta do recado.


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Fonte: Folha UOL

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