Copa do Mundo: Brasil estreia com time que não atuou junto – 12/06/2026 – PVC


Parece um sacrilégio começar a Copa do Mundo com uma formação de 11 jogadores que jamais atuaram juntos. Qualquer que seja a equipe confirmada por Carlo Ancelotti, assim será.

Paquetá, Matheus Cunha, Vinicius Junior e Raphinha já iniciaram um empate por 0 x 0 contra a Argentina, em 2021, Marquinhos e Gabriel Magalhães formaram dupla, mas os 11 juntos, nunquinha!

Por incrível que pareça, essa mesma história se passou em todas as cinco conquistas da seleção brasileira. O time do tricampeonato, aclamado como o melhor das Copas em todos os tempos, estreou com Everaldo como titular, completando o escrete de feras que se consagraria no estádio Azteca.

Gilberto Silva entrou no time do penta na estreia contra a Turquia, depois do corte de Émerson, e formou pela primeira vez a constelação de cinco estrelas escaladas por Felipão: Cafu, Roberto Carlos, Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo.

Bebeto e Romário não perderam nenhuma das 22 partidas que fizeram juntos pela seleção, mas estrearam contra a Rússia com os 11 jogadores reunidos pela primeira vez.

Não sou supersticioso, porque dá azar, e, além disso, Telê Santana também escalou Falcão pela primeira vez como titular junto com Dirceu, Sócrates e Zico na estreia em 1982.

Carlo Ancelotti também não tem “scaramanzia” e precisa quebrar o tabu de jamais um técnico ter sido campeão do mundo por um país que não fosse o seu. Para fazê-lo, aposta numa formação que proteja seus dois maiores talentos, Vinicius Junior e Raphinha.

Bebeto e Romário torcem o nariz quando escutam a comparação, mas o treinador italiano tem, sim, obsessão por aquela formação dirigida por Carlos Alberto Parreira. Acredita em formar um muro que faça Alisson não sofrer gols; e seus dois avantes resolvem na frente.

Bebeto e Romário marcaram oito dos 11 gols do Brasil de 1994. Vinicius e Raphinha fizeram só três dos 26 da era Ancelotti. A ideia, portanto, não se sustenta antes do início da campanha.

O técnico italiano não é um revolucionário. É um prático. Adapta ou copia o que deu certo com outros treinadores, como faz com o mestre das releituras táticas, Josep Guardiola, definido assim por seu biógrafo, o jornalista catalão Martí Perarnau.

A releitura da vez é a adoção do WM, o sistema que surgiu na década de 1920. Quando mudou a lei de impedimento e os gols inundaram os campeonatos da Europa, o escocês Herbert Chapman recuou um de seus médios e fez um sistema com três jogadores atrás, dois no meio e cinco na linha de ataque. Juntando a defesa dava a letra M e o ataque virava um W.

Ancelotti faz a mesma coisa. Saída com Marquinhos, Magalhães e Alex Sandro. Volantes são Casemiro e Bruno Guimarães.

Seriam Wesley em função de ponta, Paquetá, Raphinha, Vinicius Junior e Matheus Cunha. O drama é Danilo fazer a ponta, alargar o campo do lado direito.

Ancelotti foi contratado justamente para resolver questões que fizeram com que o senso comum condenasse os técnicos brasileiros. Nem sempre com justiça.

A partir da estreia, contra Marrocos, Ancelotti tem uma solução a encontrar para a lateral direita. Depois, uma escrita a mais a quebrar. O único capaz de ser campeão em cinco culturas diferentes, por clubes distintos, agora tem a confiança do Brasil para evitar a maior seca de títulos da maior seleção da história das Copas.


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Fonte: Folha UOL

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