Foram só 17 minutos, mas que duraram como uma eternidade. Goleada por 7 a 1 pela Alemanha logo em sua estreia em uma edição de Copa do Mundo, a seleção de Curaçao deixará Houston, no Texas, com a inesquecível experiência de ter vivido um sonho.
A emoção tomou conta dos curaçauenses ainda na execução do hino nacional. Em um dos trechos cantados em papiamento, a língua oficial do país, câmeras de transmissão flagraram os atletas com olhos marejados, enquanto torcedores choravam: “nossos antepassados vieram para cá, com a força de seus braços, para construir um futuro para que, assim, pudéssemos viver em liberdade”.
Ao iniciar a partida, a festa da Onda Azul — como é chamada a torcida — presente ao estádio era evidenciada a cada bola recuperada, tentativa de drible ou jogada de efeito. Tudo era motivo de alegria.
Onda Azul: torcedores de Curaçao na estreia da seleção em Mundiais, diante da Alemanha – Sam Wasson/EFE
O ápice, contudo, foi vivido no gol marcado pelo lateral Livano Comenencia, aos 20 minutos do primeiro tempo. Perdendo por 1 a 0 até aquele momento, o país se permitiu sonhar com uma façanha tida como impossível — sonho que durou até o gol de Schlotterbeck, aos 37. Ainda no fim da primeira etapa, aos 49, Wirtz esfriou qualquer possibilidade de nova reação.
No espaço destinado aos jornalistas, três representantes da mídia local choravam, levantavam as mãos para o alto e gritavam como se não acreditassem no que viam.
“Esse gol mostra para uma nação que tudo é possível. Perdemos, mas estamos felizes. É óbvio que não tão felizes pelo resultado, mas pelo primeiro gol, porque nos sentimos pertencentes à competição e vemos que podemos crescer. Acho que há coisas hoje que são mais importantes do que vencer o jogo”, disse o jornalista Carl Ruiter, do jornal Extra, de Curaçao.
“Sonhamos com um ponto nesta Copa. Isso já seria incrível”, completou.
Livano Comenencia marcou o primeiro gol de Curaçao em Copas – Reprodução/Instagram/fifaworldcup
A seleção representa uma ilha do Caribe com cerca de 160 mil habitantes, a menor em povoamento entre todos os 48 países que estão no Mundial, e tem apenas um jogador que nasceu de fato no local: o meia-atacante Tahith Chong, atualmente no Sheffield United, da Inglaterra.
Apesar do bom ímpeto inicial, os alemães controlaram por completo todo o segundo tempo. Curaçao ainda chegou a balançar as redes mais uma vez, mas a jogada foi anulada por conta de um impedimento.
Aos 42 minutos, Kai Havertz selou o triunfo marcando o sétimo gol, o que curiosamente soa como um déjà vu para os brasileiros, goleados pelo mesmo placar na pior derrota de sua seleção: o 7 a 1 no Mineirão, pela semifinal da Copa de 2014.
Desta vez, contudo, não houve dor. Ao soar do apito final, os jogadores de Curaçao foram cumprimentar os alemães, como uma reverência e reconhecimento aos tetracampeões do mundo, enquanto eram aplaudidos de pé pela Onda Azul.
