Neste dia 4 de julho, o surpreendente Paraguai enfrenta a França por uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 e, aproveitando a deixa – seguindo a série especial – o Arquivo Histórico traz fotos e relatos de como se deu a primeira visita são-paulina ao país vizinho.
Até outubro de 1945, o São Paulo só havia excursionado para fora do país em uma única oportunidade, pouco menos de um ano antes: em dezembro de 1944, o Tricolor jogou um torneio amistoso no Uruguai contra Nacional e Peñarol (o Torneio Quadrangular de Montevidéu). Não se pode dizer que a estreia em gramados estrangeiros tenha sido excepcional – o time perdera por 3 a 1 para o primeiro e por 5 a 0 para o último.
Querendo melhorar a imagem da entidade no exterior, o recentemente consagrado campeão paulista de 1945 partiu para uma série de três jogos em Assunção, capital do Paraguai, onde se embateria contra os maiores clubes locais: o Libertad, o Olimpia e o Cerro Porteño.




No dia 7 de outubro de 1945, no antigo estádio de Puerto Sajonia – onde hoje se ergue o famoso Defensores del Chaco – e em confronto que valia a Copa Presidente Moriningo (chefe do executivo local que obtera o perdão brasileiro da dívida imposta pela Guerra do Paraguai), o São Paulo e Libertad se provaram em campo.
O São Paulo saiu atrás do marcador no primeiro tempo, mas na etapa final, com Bauer, o Tricolor conseguiu empatar a partida. Não consta, porém, que tenha conquistada a taça colocada em disputa.
LIBERTAD 1 x 1 SÃO PAULO
07/10/1945. Copa Presidente Moriningo: Final (Única).
Asunción (Paraguai), Estádio Puerto Sajonia – Defensores del Chaco.
SPFC: Gijo; Piolim e Renganeschi; Ruy, Zarzur e Bauer; Rubén Barrios (Luizinho), Antonio Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha. TÉCNICO: Vicente Feola. GOL: Bauer, 16/2.
RIVAL: Marcelino Vargas; Amado Casco e Víctor Vega; Manuel Gavilán, Victorino Leguizamón (Meaurio) e Mario Fernández; Eligio Esquivel, Benítez Cáceres, Teófilo Espínola, Porfírio Rolón e Bruno Boschetti (Amado Salinas). TÉCNICO: Manuel Fleitas Solich. GOL: Benítez Cáceres, 26/1.
ÁRBITRO: Arthur Cidrin.
RENDA: Cr$ 106.000,00.
PÚBLICO: 15.000 pagantes.




Se o primeiro resultado não fora lá assim perfeito, o segundo definitivamente é difícil até de recordar, mas como não se conta história pela metade, aqui vai: o São Paulo foi goleado pelo Olimpia por 6 a 2 no dia 12 de outubro, em jogo realizado no mesmo estádio do embate anterior (e com a Taça Francisco Negrão de Lima como premiação) – Teixeirinha e Luizinho marcaram os tentos brasileiros.

OLIMPIA 6 x 2 SÃO PAULO
12/10/1945. Taça Francisco Negrão de Lima: Final (Única).
Asunción (Paraguai), Estádio Puerto Sajonia – Defensores del Chaco.
SPFC: Gijo; Piolim e Renganeschi; Bauer, Ruy e Zarzur (Virgílio); Luizinho (Antoninho), Antonio Sastre (Rubén Barrios), Leônidas, Remo e Teixeirinha. TÉCNICO: Vicente Feola. GOLS: Teixeirinha, 12/1; Luizinho, 6/2.
RIVAL: Armando Ramos (Hermoso Franco); Alberto González e Martín Carvallo; Eulalio Granje (Rojas), Heriberto Samudio e Martín Goretta; Francisco Calonga (Landolfi), Tiberio Godoy (Valderrama), Leocadio Marín (Luis Montebruno), Sixto Cantero (Juan Villalba) e Pedro Álvarez. TÉCNICO: Desconhecido. GOLS: Francisco Calonga, 31/1; Francisco Calonga, 36/1; Luis Montebruno, 43/1; Tiberio Godoy, 24/2; Leocadio Marín, 40/2; Landolfi, 44/2.
ÁRBITRO: Marcus Rojas (Paraguai).
PÚBLICO: 12.000 pagantes

O último jogo seria aquele em que o Tricolor seria obrigado a salvar a honra da equipe. Mesmo motivados com o espírito de revanche – ainda que o adversário tenha sido outro – os são-paulinos encontraram mais uma vez uma partida acirrada. Assim, no dia 14 de outubro, no mesmo Puerto Sajonia, o São Paulo conquistou o placar mínimo para sair vitorioso da peleja – graças ao gol de Rubén Barrios, no início da etapa complementar.
Com um sabor agridoce, a delegação tricolor retornou ao Brasil um tanto aliviada e um tanto resignada, mas o mais importante é que no bagageiro trouxe uma caixa com a taça Colectividad Brasileira, que fora colocada em disputa na única vitória são-paulina naquela excursão ao Paraguai, além de fotos realmente muito bonitas.

CERRO PORTEÑO 0 x 1 SÃO PAULO
14/10/1945. Taça Coletividade Brasileira: Final (Única).
Asunción (Paraguai), Estádio Puerto Sajonia – Defensores del Chaco.
SPFC: Gijo; Piolim e Renganeschi; Bauer, Ruy e Virgílio (Zarzur); Rubén Barrios, Leônidas, Antoninho, Remo e Teixeirinha. TÉCNICO: Vicente Feola. GOL: Rubén Barrios, 6/2.
RIVAL: Sinforiano García; Sanabria e Severo Rivas; Isidoro García (Santiago Mendoza), Julio César Ramírez e Julián Benegas; Pedro Fernández, Villanueva (Paredes), Francisco Sosa, Arturo Bobadilla e Enrique Ávalos. TÉCNICO: Joseí Vinsac.
ÁRBITRO: Arthur Cidrin.
PÚBLICO: Desconhecido

Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah
