Ancelotti recomeça mal o trabalho na seleção brasileira – 10/09/2026 – O Mundo É uma Bola


Depois de o Brasil cair precocemente na Copa do Mundo deste ano, o (ainda) conceituado Carlo Ancelotti, com seu salário de cerca de R$ 6 milhões mensais, adiantou, na volta ao Brasil após férias não merecidas no Canadá, que iniciaria uma reformulação na equipe, descartando veteranos e chamando novatos.

Na primeira convocação pós-Mundial, foi o que se viu, parcialmente. O técnico italiano, entre os 26 nomes escolhidos para amistosos no fim deste mês e começo do próximo, relacionou os goleiros Pedro Morisco, 22, e Otávio, 20, os zagueiros Jair, 21, Vitor Reis, 20, e Arthur Dias, 19, e os meias Breno Bidon, 21, e Gabriel Bontempo, 21. Todos novidade.

Somando-se aos já com rodagem de seleção (Endrick, 20, Estêvão, 19, Rayan, 19), há um leque de juventude bruta no grupo que dá início ao ciclo que culminará na Copa de 2030.

Poderia, contudo, haver bem mais sangue novo. Se a proposta é testar, observar a capacidade de atletas que não tiveram chance antes ou durante a Copa na América do Norte, não há razão para Carletto chamar –não neste momento– vários dos chamados.

Para que, contra a medíocre Austrália (28ª no ranking da Fifa, sem um único jogador pop), que será a rival em dois dos três amistosos, e a inexpressiva Índia (jamais presente em uma Copa do Mundo, 138ª no ranking, ruim de futebol mas boa de críquete), é necessário recorrer a medalhões como Vinicius Junior, Raphinha, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães?

Eles não precisam ser postos à prova, não precisam viajar da Europa à Oceania, depois à Ásia. Não há coerência nisso. Devem ser chamados quando houver de fato necessidade (Eliminatórias, que dão vaga para a Copa do Mundo, e Copa América).

Esses amistosos valem para quem precisa mostrar serviço: quem é calouro e/ou quem ainda não se consolidou.

Sob essa ótica, outro sobrando na lista é Douglas Santos. O lateral esteve na Copa, Carletto conhece de sobra. Já tem idade avançada (32) e não é um primor, longe disso (que saudade dos tempos do Roberto Carlos e do Marcelo). Poderia abrir espaço na posição. Seja para um jovem como Kaiki, 23 (ex-Cruzeiro, atual Como), seja para um destaque no Brasileirão como Luciano Juba, 27 (Bahia).

Outros que Ancelotti poderia conhecer –ele gosta de não só treinar mas de conviver e conversar com o pé de obra, avaliando a personalidade de cada um– e usar nesses amistosos insípidos: na zaga, Robert Renan, 22 (Vasco), e nomes da seleção sub-20, como os Joões (Victor, do Flamengo, a Ananias, do Santos); no ataque, Allan, 22 (Man City, ex-Palmeiras), e William Gomes, 20 (Porto, ex-São Paulo).

No meio, setor em que o italiano busca talento desesperadamente, concluo que ele não aprecia o futebol de Matheus Pereira. Tem 30 anos, porém se mantém em boa fase e faz diferença no Cruzeiro na ligação com o ataque e na chegada à área rival.

Se é para dar oportunidade a gente nova, que se dê por atacado, de baciada. Dava para ser feito, sem medo, pois é necessário testar muito, e logo. Urge saber quem se mostra apto, de cara, a vestir a camisa amarela (ou azul).

A convocação não foi ruim. Entretanto, para o que o Brasil precisa, e para o que o próprio Carletto propunha, deveria ter sido muitíssimo melhor. Recomeçou mal o mister.


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Fonte: Folha UOL

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