Ansiedade e desequilíbrio: qual o diagnóstico do Brasil na estreia


Quem assistiu aos primeiros minutos do amistoso entre Marrocos e Noruega, no último domingo, 7, poderia imaginar: a seleção marroquina pressionaria. Dito e feito. Entre o apito inicial e a metade do segundo tempo, o jogo foi da seleção magrebina.

Sem espaço, os volantes sentiram para dominarem a bola no domínio. Junto ao fator psicológico da estreia, esticaram e forçaram passes, devolvendo a posse ao lado africano. Casemiro, lento ao definir, e Bruno Guimarães, pouco criativo, ainda sofreram com Lucas Paquetá recebendo mal de costas.

Formação inicial de Brasil contra o Marrocos – PLACAR

Detecção do desespero

Tendo em vista a falta de controle da bola, o Brasil precisou defender com a linha baixa. Faltou eficiência na pressão pós-perda e na recomposição pelo lado esquerdo. Vinicius Júnior e Raphinha, que voltavam, ora um ora outro, sofreram com subidas de Achraf Hakimi.

Inicial momento defensivo do Brasil contra Marrocos - PLACAR

Inicial momento defensivo do Brasil contra Marrocos – PLACAR

Brahim Díaz, então, conseguia aproveitar o descompasso, flutuando entre direita e meio, nas costas dos volantes e à frente dos zagueiros. Faltava equilíbrio de recomposição por um lado, que, somado à falta de eficiência na marcação pós-perda, ajudou Marrocos a construir o gol inaugural.

Paquetá, pela direita, errou. O Brasil, ineficiente no meio, permitiu passe entre os zagueiros, que perderam tempo de bola. A desordem anda teve uma saída ruim do goleiro Alisson.

Indícios de cura

Após sair atrás, o Brasil pôde ter mais posse. Depois da parada para hidratação, a seleção de Ancelotti teve Raphinha aberto na direita e Paquetá recuado, na meia-esquerda. Jogando em algo parecido com um 4-3-3, o Brasil cresceu – e se estabilizou mentalmente após Vini fazer belo gol para empatar.

Brasil após a mudança entre Paquetá e Raphinha, ainda no primeiro tempo – PLACAR

No segundo tempo, a pentacampeã cresceu. Fabinho, que substituiu Casemiro, entregou passe mais limpo, e Danilo, substituindo Ibañez, foi pouco testado, considerando o recuo marroquino. Também por isso, o Brasil sofreu para criar, com Vini mais encaixotado e Raphinha preso aos lados. O técnico, então, sacou o centroavante Igor Thiago para colocar Luiz Henrique, que entrou aberto pela direita, e substituiu Paquetá por Matheus Cunha, que passou a recompor pela esquerda.

Uma seleção impotente

Com a nova formação, o Brasil tentou encontrar espaços negados por um Marrocos satisfeito com o resultado. Danilo Santos ainda substituiu Bruno Guimarães, mas pouco fez, sem espaço vazio para atacar.

Brasil após a mudança entre Paquetá e Raphinha, ainda no primeiro tempo – PLACAR

Todavia, é impossível desassociar os erros técnicos do que a seleção brasileira apresentou. Raphinha, mal em todas as posições em que foi testado, ainda desperdiçou oportunidade de finalizar. Vini, um dos mais acionados, sentiu falta de articulação. E os laterais, bastante cooptados pela preocupação com o contra-ataque, nada fizeram.

O Brasil, agora com sinal de alerta, enfrenta o Haiti, o adversário mais fraco do grupo. Não golear é o bastante para ligar a sirene.





Fonte: Placar

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