Ascenção e queda da Tunísia: das eliminatórias sem levar gol à demissão de técnico na Copa


Na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2022, a Tunísia surpreendeu o mundo ao vencer a França que, 18 dias depois, seria vice-campeã mundial. Naquela oportunidade, a seleção africana não obteve a classificação devido à vitória da Austrália sobre a Dinamarca. Ainda assim, o triunfo parecia promissor para os próximos desafios dos tunisianos.

Eliminatórias e Copas Africanas de Nações

O percurso da Tunísia pelas Eliminatória Africanas para a Copa de 2026 foi, sem exagero, espetacular. As Águias do Cártago,  conquistaram nove vitórias e somente um empate — além de marcar 22 gols e não sofrer um gol sequer.

A participação tunisiana para a sétima Copa do país foi assegurada já na segunda rodada do returno do grupo com seis participantes.

  • Turno
    Tunísia
    4 × 0 São Tomé e Príncipe
    Malaui 0 × 1 Tunísia
    Tunísia 0 × 0 Namíbia
    Guiné Equatorial 0 × 1 Tunísia
    Libéria 0 × 2 Tunísia
  • Returno
    Tunísia
    2 × 0 Guiné Equatorial
    Namíbia 0 × 1 Tunísia
    São Tomé e Príncipe 0 × 3 Tunísia
    Tunísia 2 × 0 Malaui
    Tunísia 3 × 0 Libéria

No entanto, esses resultados mascaravam uma verdadeira turbulência na gestão da equipe. O início da campanha vitoriosa aconteceu sob o comando do mesmo técnico do Mundial do Catar, Jalel Kadri. Ele acabou substistituído após péssima campanha tunisiana na Copa Africana de Nações de 2023, quando o time deixou a Costa do Marfim (país-sede) sem nenhuma vitória e no último lugar do grupo que compunham. “Minha decisão é definitiva. Meu contrato tinha como objetivo as semifinais e como não fizemos isso, o contrato acabou”, declarou o ex-comandante, à época, em entrevista pós-jogo.

Assim, Montasser Louhichi assumiu interinamente a seleção até a chegada do conceituado Faouzi Benzarti, que conduziu a equipe entre julho e outubro de 2024, quando foi demitido “amigavelmente”, segundo a Federação Tunisina de Futebol (FTF), após derrota de 1 a o para Comores, em jogo válido pelas qualificações para a Copa Africana de Nações de 2025.

Novamente, um interino assumiu o cargo, Kais Yaâkoubi, que ali permaneceu até a chegada de Sami Trabelsi. O novo comandante ficaria no cargo por quase uma ano. Ele seria demitido após nova desclassificação continental para o Mali, nos pênaltis, em 3 de janeiro de 2026. Quem assumiu dali até a Copa na América do Norte foi Sabri Lamouchi.

Em suma, o único alento ao torcedor tunisiano era mesmo as Eliminatórias. Independentemente de quem estava à beira do campo, a seleção entrava em modo automático e empilhava bons resultados.

Copa do Mundo de 2026

Lamouchi e os comandados tiveram quatro amistosos de preparação para a Copa, contra Haiti (1×0), Canadá (0x0), Áustria (0x1) e Bélgica (0x5). Após a goleada sofrida para os belgas, o técnico classificou o resultado como um “pesadelo” e afirmou que não havia nada a ser aproveitado a partir daquela atuação.

Em um grupo com Holanda, Suécia e Japão, a derrota acachapante pré-Mundial era um alerta aos tunisianos que, àquela altura, nada poderiam fazer para evitar o pior — que veio em nova goleada: Suécia 5×1 Tunísia.

A solução da FTF foi inédita na história das Copas: substituir Lamouchi pelo francês Hervé Renard. Se o primeiro teve meses para deixar uma seleçao pronta, o segundo teve dias — os quais não foram os bastante para evitar a terceira goleada em três jogos, 4 a 0 para o Japão.

Em duas partidas, a Tunísia registrou duas derrotas, um gol marcado, nove sofridos, uma troca de técnico e o posto de terceira seleção eliminada da Copa do Mundo de 2026.





Fonte: Placar

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