Base garante mais de R$ 300 milhões ao Palmeiras, aponta relatório


Um dos principais cases de sucesso das categorias de base no futebol brasileiro também é um dos exemplos mais claros da importância da formação de atletas para a sustentabilidade financeira dos clubes. É o que aponta o Relatório Convocados 2026, produzido pela Convocados e OutField com patrocínio da Galapagos Capital.

Segundo o levantamento, o Palmeiras figura entre os clubes que mais se beneficiam economicamente da valorização e negociação de jogadores formados em casa. Os dados mostram que, sem considerar as receitas provenientes de transferências, o faturamento do clube cairia da casa de R$ 1 bilhão para pouco mais de R$ 700 milhões, evidenciando o peso estratégico da base no modelo de negócios alviverde.

O cenário é resultado de uma decisão tomada há mais de dez anos. Em 2015, o Palmeiras iniciou uma ampla reestruturação das categorias de base, liderada por João Paulo Sampaio. Desde então, o clube investiu cerca de R$ 260 milhões em infraestrutura, metodologia e captação de talentos.

A aposta transformou o Palmeiras em uma das maiores vitrines de jovens atletas do país. Gabriel Jesus abriu o caminho para uma geração que contou ainda com nomes como Endrick, Estevão e Vitor Reis, jogadores que ajudaram o clube dentro de campo e geraram receitas expressivas em negociações para o exterior.

Endrick e Estevão juntos em convocação pela seleção brasileira – Andre Ricardo/Eurasia Sport Images

Apenas em 2025, o Palmeiras arrecadou aproximadamente R$ 599 milhões com operações envolvendo atletas formados em suas categorias de base. O valor ajuda a explicar por que o clube conseguiu manter competitividade esportiva e equilíbrio financeiro mesmo diante de concorrentes com elevado poder de arrecadação.

A tendência é que esse movimento continue nas próximas janelas. Allan, que já integra o elenco profissional, desperta interesse do futebol europeu e é avaliado pelo clube em cerca de 40 milhões de euros. Outros jovens talentos, como Eduardo Conceição e Heittor, também aparecem como ativos promissores para futuras negociações.

Além das vendas diretas, o Palmeiras mantém participações econômicas em atletas revelados pelo clube, garantindo receitas futuras mesmo após a saída dos jogadores. Foi o caso de Jhon Jhon, cuja transferência para o Zenit, da Rússia, gerou cerca de R$ 23 milhões aos cofres alviverdes.

Para Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management e representante do zagueiro Vitor Reis, os dados do estudo ajudam a mostrar como a formação de atletas se tornou um dos principais ativos do futebol moderno. “O Relatório Convocados evidencia algo que o mercado já vinha observando nos últimos anos: o Palmeiras transformou a formação de atletas em uma vantagem competitiva. O clube não apenas revela jogadores de alto nível, mas criou uma estrutura capaz de gerar receitas recorrentes, reduzir dependência de aportes externos e manter competitividade esportiva. É um modelo que muitos clubes brasileiros buscam replicar”, afirma.

Com a próxima janela de transferências se aproximando, o Palmeiras deve continuar sendo um dos protagonistas do mercado. Mais do que eventuais vendas, o caso alviverde reforça uma conclusão apontada pelo Relatório Convocados 2026: investir na base deixou de ser apenas uma estratégia esportiva e se tornou uma necessidade econômica para os clubes brasileiros.





Fonte: Placar

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