Copa do Mundo: Ancelotti não chama Endrick e adia a emoção – 19/06/2026 – PVC


Messi tinha 19 anos e vestia a camisa 19 em sua primeira Copa, em 2006, na Alemanha. É exatamente a mesma idade e o mesmo número de Endrick. A idiossincrasia de Carlo Ancelotti de não escalar o jogador a quem define como “talento extraordinário” é a mesma de Nestor José Pekerman, treinador argentino 20 anos atrás.

Messi não disputou nem um mísero minuto da vitória por 2 x 1 sobre a Costa do Marfim. No segundo jogo, entrou aos 29 do segundo tempo, provavelmente só porque a partida já estava resolvida, com

3 x 0 para os argentinos contra Sérvia e Montenegro.

Terminou 6 x 0 e Messi marcou o sexto gol.

Na terceira rodada, Argentina classificada antecipadamente, Messi permaneceu em campo por 71 minutos, mas disputou só seis minutos contra o México, nas oitavas, e não jogou contra a Alemanha, nas quartas. Pekerman voltou para Buenos Aires antes das semifinais.

Poderia ser igual com Messi em campo. A Argentina não estava pronta para ganhar a Copa, assim como o Brasil não está.

A contradição de Ancelotti é definir Endrick como “talento extraordinário” e não começar os jogos com ele. Em entrevista à imprensa na quinta (18), na Filadélfia, o técnico italiano foi questionado sobre as características de seus três candidatos a vestir a camisa 9: Matheus Cunha, Igor Thiago e Endrick.

“Matheus Cunha pode sair mais da área, circular mais pelo campo; Igor Thiago não. É a referência dentro da área. Endrick é outra coisa. Não é como um nem como o outro. Um talento extraordinário.”

Endrick é isto mesmo: outra coisa. Como a expressão facial de Ancelotti dizia, “outra coisa” foi um elogio rasgado, a junção de duas palavras que se tornaram um adjetivo revelador de sua admiração por um jogador especial. Então, a pergunta inevitável: por que o talento extraordinário não joga?

“Porque vou meter Endrick no momento correto. Temos de esperar um pouco. Vai ser importante.”

Não se trata de desconfiar da experiência de Carlo Ancelotti, mas de entender por que uma equipe não ainda estruturada prescinde desse talento.

Na véspera, o lateral Danilo afirmou: “Técnico tem cabeça maluca. Faz coisas que ninguém entende”. Também admitiu que, pelos erros do ciclo com dois presidentes e quatro treinadores, a seleção não tem ainda maturidade tática. E prescinde do talento extraordinário.

Ancelotti fez diferente com Kaká. Embora tenha chegado ao Milan aos 21 anos, duas temporadas mais maduro que Endrick hoje e que Messi na Copa da Alemanha, Kaká desbancou Rui Costa no primeiro treino, pelo encantamento do técnico com o menino que, à primeira vista, pareceu-lhe um estudante do ensino secundário.


Kaká virou titular e foi estrela do título do Milan na temporada 2003/04. Verdade, já era campeão do mundo como reserva do Brasil de Felipão, aos 20 anos.

Denílson vestia a camiseta 19 em 1998, assim como Messi e Endrick. Ficava no banco com Zagallo enquanto a torcida pedia seu nome na arquibancada. Foi reserva até o fim. As coincidências com Messi, neste caso, são apenas o número da camisa e ambos não terem vencido o Mundial.

Menino prodígio, talento precoce, que entrou no time e ganhou a Copa aos 17 anos, esse a gente não precisa citar o nome, para evitar comparações. O caso está citado aqui apenas como exemplo de que adiar a escolha pode antecipar a eliminação.


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Fonte: Folha UOL

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