Depois da queda precoce, futuro de Djokovic se ensombra – 31/08/2026 – Esporte


Novak Djokovic voltará a jogar no US Open? A resposta não está nada clara depois da maneira como o tenista sérvio perdeu neste domingo (30) na primeira rodada do torneio, no qual a leda do tênis aspirava à conquista do 25º título de Grand Slam.

Djokovic foi derrotado em cinco sets pelo argentino Mariano Navone (49º do ranking), depois de uma partida na qual sofreu muito fisicamente e chorou de impotência no quinto set. O sérvio perdeu por 7-6 (7-5), 5-7, 4-6, 6-2 e 6-1 e se despediu do público da quadra Arthur Ashe, quem sabe se pela última vez.

Eliminado na primeira rodada de um Grand Slam pela primeira vez desde 2006, o ex-número 1 do mundo, atualmente na quinta colocação do ranking da ATP, não cumpriu suas obrigações com a imprensa, como dar entrevistas. O torneio se limitou a enviar aos meios de comunicação uma breve página com declarações fornecidas por ele.

As dificuldades físicas são, “infelizmente, algo que sofri em praticamente todas as partidas deste ano”, lamentou o tenista de 39 anos, que foi finalista do Aberto da Austrália em janeiro e chegou às quartas de final de Wimbledon, em julho.

“Meu corpo começa a falhar, com cãibras e dor. No fim [da partida], as costas e o ombro me abandonaram e não consegui terminar” em boas condições, acrescentou o sérvio, que não quis tirar conclusões precipitadas sobre os últimos meses nem fazer projeções para os próximos.

Embora tenha sido em Nova York que conquistou seu último título de Grand Slam, em 2023, o US Open é, ao lado de Roland Garros, o torneio mais exigente fisicamente para o veterano do circuito.

No fim da temporada, Djokovic chegou a Wimbledon em condições físicas menos favoráveis do que em janeiro, no Aberto da Austrália, onde caiu nas semifinais diante de Jannik Sinner, atual número 1 do mundo, antes de ser derrotado por Carlos Alcaraz, atual número 3, em Wimbledon.

Essa falta de frescor físico torna ainda mais difícil disputar o US Open, em meio a calor e umidade sufocantes, condições ainda mais difíceis de suportar quando se está perto dos 40 anos.

Desde o início da partida contra Navone, Djokovic tentou se refrescar com gelo no rosto, mas acabou vomitando em várias ocasiões durante o encontro.

Ainda assim, quando se trata de Djokovic, não é possível tirar conclusões muito definitivas sobre o futuro de sua carreira, porque o sérvio gosta de contrariar as previsões.

Depois de sua eliminação nas semifinais de Roland Garros em 2025, ele passou por um longo período longe do circuito e chegou a dar a impressão de que poderia ter disputado sua última partida em Paris. Mas voltou um ano depois.

Um ou dois níveis abaixo

Em julho, Djokovic declarou que gostaria de voltar a jogar “pelo menos uma vez” na grama de Wimbledon, torneio que conquistou em diversas ocasiões.

“Quando estou bem, sinto que hoje sou capaz de jogar como um integrante do Top 5”, insistiu o último representante em atividade do “Big Three”, após as aposentadorias de Roger Federer, em 2022, e Rafael Nadal, em 2024.

Mas também reconheceu estar “um ou dois níveis abaixo” de seu algoz em Wimbledon, Jannik Sinner.

Com o risco de deixar o Top 10 da ATP pela primeira vez em muitos anos, seu caminho tende a ficar cada vez mais complicado nos Grand Slams.

Semifinalista nos quatro grandes torneios de 2025, quando continuou encarnando a figura do terceiro homem atrás de Alcaraz e Sinner, Djokovic caiu neste domingo diante de um rival com um currículo muito menos impressionante.

Aos 25 anos, Mariano Navone não é especialista em quadras duras, nunca havia vencido uma partida de cinco sets e, ainda assim, mal conseguia acreditar no que havia feito quando chegou à sala de imprensa.

“É Novak, é o ‘GOAT’ (maior jogador de todos os tempos). Sempre encontro uma maneira de vencer meu adversário”, disse, incrédulo, o argentino.

Após esse revés em Nova York, a melhor —e talvez última— oportunidade de Djokovic conquistar o tão desejado 25º título de Grand Slam, que lhe daria o recorde isolado na história do tênis, será provavelmente em janeiro de 2027, no Aberto da Austrália, torneio que venceu em dez ocasiões.

Sempre, claro, se chegar até lá.



Fonte: Folha UOL

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