Quem assiste aos jogos da Copa do Mundo de 2026 já se deparou com jargões pouco explicativos do futebol moderno, nas falas de comentaristas ou analistas do esporte.
“Fazer o facão”, “atacar o espaço” e “jogar entre as linhas” são três exemplos do que o linguajar dos boleiros tem a oferecer durante as narrações das partidas ou num simples bate-papo no pós-jogo —a “resenha”, para ambientar o leitor.
Para facilitar a compreensão do público, a Folha preparou mais um dicionário de expressões do futebol, para quem quer acompanhar os dois jogos da semifinal, a disputa pelo terceiro lugar e a grande decisão do Mundial da Fifa, marcada para às 16h de domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
FAZER O FACÃO
Apesar de não compor a indumentária do esporte, o facão está presente na movimentação tática dos jogadores de futebol. O termo se refere ao movimento em diagonal de um atleta que está sem a bola, de preferência pelas costas de um ou mais jogadores de defesa do outro time —também chamados marcadores ou zagueiros.
O cenário mais comum é um meia-atacante ou um ponta (esquerda ou direita) “cortar” a linha de defesa adversária —saindo da beira do campo em direção à faixa central— para receber a bola de frente para o gol do oponente. O deslocamento rápido e sorrateiro, em diagonal, foi apelidado de facão.
JOGAR ENTRE AS LINHAS
Esqueça as faixas brancas do gramado —a ação se relaciona com a formação do adversário, e como tirar proveito dos espaços no campo. Grosso modo, os jogadores se dividem em três linhas principais: de defesa, do meio-campo e do ataque. A depender do esquema tático, a distância entre as linhas varia.
Os meias e atacantes mais talentosos costumam atuar entre a linha de meio-campistas e a de defensores. Ali, recebem passes e põem à prova o sistema defensivo adversário. Dribles desconcertantes ou passes que deixam os companheiros na frente do goleiro costumam nascer assim.
Na prática, os espaços nem sempre são óbvios e exigem visão de jogo e agilidade para pensar e executar as jogadas.
ATACAR O ESPAÇO
É parte da função dos jogadores quando estão sem a bola. O termo ainda se relaciona com os dois conceitos anteriores de “jogar entre as linhas” e “fazer o facão”, mas não se restringe a eles.
Ao “atacar o espaço” o atleta se desloca no campo para ocupar os setores vazios. Na prática, o jogador de ataque visa se desmarcar e bagunçar a defesa do oponente.
Zagueiros e laterais têm de acompanhar o jogador livre de marcação. Portanto, a movimentação tende a abrir novos espaços para que outros companheiros se infiltrem, recebam passes ou ainda puxem ainda mais os marcadores.
Funciona dependendo do esquema tático, da capacidade técnica e da genialidade dos atletas que o treinador tem à disposição.
AMPLITUDE DE JOGO
Uma maneira de abrir buracos na defesa adversária é estender ao máximo a largura do campo com a presença dos pontas (esquerda e direita) —atletas do setor ofensivo especializados em cruzamentos para dentro da área ou dribles em diagonal, visando o gol adversário.
Ao atacarem o espaço pelas beiradas, cada ponta “puxa” ao menos um defensor para perto de si, esgarçando a última linha de jogadores que protegem a meta, antes do goleiro.
Um jogador rápido, infiltrado pelo meio, ou um bom driblador —como Lionel Messi— pode tirar proveito do cenário para sair “na cara do gol”. Esquemas com três jogadores na defesa podem ficar em apuros diante de equipes que sabem dar mais amplitude ao jogo ofensivo.
PRESSÃO ALTA E BAIXA
A primeira linha de defesa de um time quando está sem a bola é a dos atacantes. O volume de marcação que os jogadores mais adiantados exercem na saída do adversário determina o nível da pressão.
Equipes que “apertam” o adversário antes da bola chegar ao meio de campo adotam pressão alta. Os times que permitem ao adversário avançar à metade do campo tendem a assumir uma pressão mais baixa.
Brasil e França são duas seleções que pressionam os adversários quando eles ainda estão no campo de defesa. Mas, durante a derrota por 2 a 1 para a Noruega, o volante brasileiro Casemiro reconheceu que faltou marcação: “Poderíamos ter caprichado na pressão”.
Ainda existem centroavantes clássicos, como o norueguês Erling Haaland —camisa 9 que espera a bola chegar no pé. Mas a tendência é que os atacantes se insiram cada vez mais nas táticas de defesa, como fazem o espanhol Lamine Yamal e o francês Michael Olise.
