As jogadoras da seleção espanhola terão acesso a diferentes opções de saúde reprodutiva, entre elas o congelamento de óvulos. O acordo, válido até 2029, foi anunciado nesta terça-feira (8) pela RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol).
“É algo inovador no âmbito federativo em nível mundial”, afirmou o presidente da entidade, Rafael Louzán. Ele ressaltou que que o acerto representa mais um passo nas medidas de conciliação entre vida pessoal e profissional implementadas pela RFEF.
Firmado com a clínica de reprodução assistida Tambre, o acordo prevê desde o fornecimento de informações sobre reprodução assistida até diferentes tratamentos, como o congelamento de óvulos e a fertilização in vitro.
O compromisso contempla, de forma retroativa desde abril do ano passado, todas as jogadoras que tenham sido convocadas para ao menos duas partidas da seleção espanhola, além de árbitras, funcionários da RFEF e jogadoras da seleção de futsal.
A RFEF arcará com o custo do congelamento de óvulos das jogadoras, que prevê, inicialmente, a preservação por cinco anos. Ao fim desse período, “a jogadora poderá dar continuidade ao tratamento ou optar por doar os óvulos para pesquisas ou reprodução assistida”, explicou Inge Komerlink, diretora-geral da clínica Tambre.
Um passo importante
“O objetivo é garantir que, durante a idade mais fértil das atletas, elas estejam protegidas, tenham informações e possamos atender às suas necessidades”, afirmou a diretora de futebol feminino da RFEF, Reyes Bellver.
As jogadoras da seleção Patri Guijarro e Olga Carmona estiveram presentes na apresentação do acordo, realizada na sede da RFEF em Las Rozas, a noroeste de Madri.
“É um passo muito importante para nós”, afirmou Carmona, autora do gol que deu à Espanha o título da Copa do Mundo de 2023 contra a Inglaterra. “Poder escolher quando e como queremos construir nosso futuro é muito importante para nós”, acrescentou Carmona.
Para Patri Guijarro, o acordo é importante para que “as atletas não tenham de escolher entre a vida pessoal e a carreira esportiva”.
“A questão da maternidade é um divisor de águas. Chegamos à melhor fase esportiva justamente no período mais fértil, e poder decidir livremente sobre ser mãe é fundamental”, acrescentou a árbitra Alicia Espinosa.
Em alguns setores, o acordo foi criticado sob o argumento de que se deveria dar mais ênfase a medidas de proteção que permitam a uma atleta ser mãe quando desejar, em vez de recorrer à reprodução assistida.
“Não é aceitável que as únicas alternativas encontradas para que atletas de elite sejam mães sejam abrir mão da carreira e manter óvulos congelados”, afirmou o sindicato Comisiones Obreras.
A diretora de futebol feminino da RFEF atribuiu as críticas à falta de informação sobre o acordo. “A Espanha é líder mundial no futebol feminino e masculino; por que não ser também em medidas inovadoras?”, afirmou Louzán.
O presidente da RFEF disse: “Federações de todo o mundo estão entrando em contato conosco para conhecer o acordo que apresentamos hoje”.
