França: a melhor seleção de todos os tempos (da última semana)


Faz um ano que a redação de PLACAR corria contra o tempo para o fechamento da edição especial de colecionador com a retrospectiva da Copa do Mundo de Clubes disputada nos Estados Unidos, publicada em 19 de julho de 2025.

Dias antes da final entre Paris Saint-Germain e Chelsea, que ocorreu seis dias antes, coube a quem ficou no Brasil uma tarefa bastante comum no jornalismo: deixar textos prontos – ou encaminhados – para cada um dos possíveis campeões. A mim, coube a missão mais ‘fácil’: destrinchar o favorito PSG, vencedor de uma inédita Champions um mês antes e dono do futebol mais bem jogado do torneio até ali.

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“O melhor time de todos os tempos (da última semana)”, apontei no título, em uma brincadeira com a música “A melhor banda de todos os tempos da última semana”. Composta por Branco Mello e Sergio Britto e interpretada pelos Titãs em 2001, no álbum de mesmo nome, a canção fazia uma crítica bem-humorada à lógica do descartável e passageiro da indústria musical.

Chelsea levanta a taça do Mundial de Clubes - Alexandre Battibugli/PLACAR

Chelsea, de Enzo Maresca, levanta a taça da primeira edição do Super Mundial – Alexandre Battibugli/Placar

O subtítulo completava: “Título incontestável nos Estados Unidos alça o PSG a uma prateleira que parecia inalcançável até pouco tempo. Com a identidade de seu treinador, o time mais coletivo do mundo agora é o time a ser batido — e precisará aprender a viver no topo”.

Mas faltou combinar com os ingleses. No MetLife Stadium, o que se viu foi um completo baile do Chelsea em um primeiro tempo perfeito, conduzido por uma atuação decisiva de Cole Palmer, autor de dois gols. João Pedro marcou o último.

Na Copa do Mundo, a França é como o PSG. Joga sem fazer força, conduzida principalmente por seu quarteto ofensivo formado por Doué, Olise, Dembélé e, claro, Mbappé. Todos parecem feitos um para o outro.

Diante de Marrocos, apesar do primeiro tempo sem gols e do forte calor no Gillette Stadium, em Foxborough, foram 13 finalizações a um só nos 45 minutos iniciais – com direito a um pênalti desperdiçado. No segundo tempo, bastaram pequenos espaços para Mbappé e Dembélé decidirem o jogo em menos de dez minutos.

Marroquinos fracassaram na missão de parar o potente ataque da França - Alexandre Battibugli/Placar

Marroquinos fracassaram na missão de parar o potente ataque da França – Alexandre Battibugli/Placar

Questionado se essa já era a melhor geração da história francesa, Mbappé foi cauteloso: ‘Não, não é a mais forte. Eu já fui campeão do mundo e já fui vice-campeão do mundo. Esta equipe não é nem campeã nem vice-campeã do mundo’, disse. “É a que tem o maior potencial, aquela com a qual podemos nos projetar mais facilmente, onde há muita qualidade. Ela permite sonhar, é claro. Mas a mais forte… eu sempre disse que as equipes fortes são as que ganham”.

Campeã em 2018, vice em 2022 e semifinalista em 2026, a França da ‘última dança’ de Didier Deschamps – que não continuará no cargo e deve ser sucedido por Zinedine Zidane – se consolida como a equipe a ser batida nesta Copa. São seis vitórias em seis jogos, 16 gols marcados e só dois sofridos. Os franceses ainda têm o privilégio de ter no banco de reservas nomes que seriam titulares em boa parte das seleções, como Barcola, Cherki ou Thuram. Segundo o site de estatísticas Sofascore, o time foi quem mais criou grandes chances (27) no torneio.

Caso vença os dois próximos jogos, a seleção francesa ainda pode se tornar a dona da campanha mais avassaladora da história: com oito vitórias, superaria a histórica campanha do pentacampeonato do Brasil em 2002, que, comandado por Luiz Felipe Scolari, venceu as sete partidas. Neste momento, parece ser impossível frear os Bleus. ‘Vencemos mais um adversário, vimos o que somos capazes de fazer’, disse Deschamps.

Mbappé fez contra o Marrocos seu 20º gol em Copas do Mundo - Alexandre Battibugli/PLACAR

Mbappé fez contra o Marrocos seu 20º gol em Copas do Mundo – Alexandre Battibugli/Placar

Tudo parece perfeitamente desenhado para que os franceses voltem ao topo do mundo, mas, assim como o PSG, a França não é invencível. Há dois anos, sucumbiu para a Espanha, possível adversária na semifinal, na Euro 2024. No último ano, novamente caiu para os espanhóis em outra semi, desta vez da Nations League. Durante a preparação para o Mundial, foi derrotada por 2 a 1, de virada, para a Costa do Marfim, em um amistoso disputado em Nantes.

Até a decisão no dia 19, os franceses serão apontados como o melhor time de futebol já visto nos últimos tempos. Pelo menos até a próxima semana.

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Fonte: Placar

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