Atual chefe de arbitragem da Fifa, o ex-juiz italiano Pierluigi Colina disse nesta quinta-feira, 9, que os árbitros que atuam na atual edição da Copa do Mundo não recebem influência nem mesmo de Gianni Infantino, o presidente da entidade, para a tomar suas decisões dentro de campo. A declaração busca atenuar as polêmicas sobre a idoneidade de nomes como o brasileiro Raphael Claus e do francês François Letexier.
Sgundo o jornal The New York Times, o presidente Donald Trump teria mencionado o histórico de acusações de Claus a Infantino para pressionar pela anulação do cartão vermelho do atacante Balogun – pleito aceito pela entidade. Já Letexier foi apontado por jogadores e pela comissão técnica do Egito de interferir diretamente na derrota do país para a Argentina.
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“É claro que discussões construtivas sobre as decisões sempre farão parte do futebol, mas acusações infundadas não têm lugar no nosso esporte. Ninguém pode questionar a integridade dos árbitros da Copa do Mundo. Quando isso acontece, pode provocar reações que levam a ameaças contra eles e suas famílias. Isso não está certo”, iniciou dizendo Colina, em entrevista à Fifa.
“Da mesma forma, ninguém pode afirmar que a arbitragem da Fifa seja influenciada por alguém, nem mesmo pelo presidente [Gianni Infantino]. Ele sempre demonstrou apoio, confiando em nossa completa independência. Os árbitros tomam decisões honestas e, assim como jogadores e técnicos, sempre se esforçam ao máximo”, completou.
Messi é reverenciado pelos companheiros de seleção argentina – Cristobal Herrera/EFE
A Argentina avançou às quartas de final da Copa graças a uma virada histórica diante dos egípcios no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Ao final da partida, o técnico do Egito, Hossam Hassan, apontou que “fatores externos e internos” pesaram para que Letexier cometesse erros considerados fundamentais. Em forte desabafo, ele chegou a dizer que não assistiria mais aos jogos pela “falta de credibilidade” da gestão da Fifa no torneio.
O atacante Mostafa Zico, autor do segundo gol egípcio, também protestou à transmissão oficial: “o juiz não foi justo, não foi justo”, desabafou em inglês, antes de dizer que a arbitragem estava “direcionada” para a Argentina.
Um dos lances questionados pelo treinador ocorreu aos 12 minutos do segundo tempo, quando Zico teve um gol anulado pelo VAR devido a uma falta de Attia em Lisandro Martínez na origem da jogada. Collina explicou a marcação:
“Se uma falta for identificada na construção da jogada e considerada decisiva para o gol, o VAR recomendará a revisão em campo. Não há limite definido em relação à distância do gol ou ao tempo decorrido entre o lance e o gol. Um exemplo disso ocorreu no jogo entre Argentina e Egito, onde o egípcio número 19, Marwan Attia, claramente pisou no pé do argentino número 6, Lisandro Martínez. Acreditamos que falta é falta. Independentemente de parecer ‘óbvia’ ou não, se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir.”
Donald Trump e Gianni Infantino durante evento da Fifa em Washington – Brendan Smialowski/AFP
Outra reclamação dos egípcios envolveu o gol da virada argentina, marcado de cabeça pelo meio-campista Enzo Fernández. Eles alegaram duas supostas faltas na origem do lance, que deveriam ter sido marcadas a favor do Egito: um sutil puxão de Mac Allister em Fathy e, logo na sequência, o desarme de Julián Álvarez em Salah.
Collina rebateu os argumentos citando o “elemento de subjetividade” do futebol: “da mesma forma, se nenhuma infração for identificada na jogada que antecede um gol, o VAR informará o árbitro. Pisar no pé de um adversário é falta, enquanto um defensor que toca na bola primeiro e depois faz um contato normal de jogo não comete infração. Foi o que ocorreu no final da mesma partida. O árbitro e o VAR consideraram um contato normal de jogo entre o camisa 10 do Egito, Mohamed Salah, e o camisa 10 da Argentina, Julián Alvarez.”
O dirigente encerrou dizendo que a entidade está “satisfeita com a forma como esse princípio foi aplicado no torneio”.
De acordo com dados da Fifa, após a conclusão das oitavas de final, os estádios operam quase com capacidade máxima (99,7%). Até aqui, foram marcados 280 gols em 96 partidas, uma média de 2,92 por jogo. A Argentina tem o melhor ataque do torneio, com 14 gols – oito deles convertidos por Lionel Messi, o artilheiro isolado da competição.
Nesta quinta-feira, 9, França e Marrocos abrem os confrontos das quartas de final com a partida no Gillette Stadium, em Foxborough, às 17h (de Brasília).

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