O ex-jogador Alex, ídolo de Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahce, tem uma espirituosa definição para a maneira como os boleiros são reconhecidos depois da aposentadoria. É algo como “depois que para, quem era bom vira craque, quem era craque vira gênio e quem era gênio vira Deus.” O canhoto do Paraná tem lugar de fala. Foi um fora de série, é consenso entre quem o viu jogar, ainda que ao longo da carreira tenha convivido com duras críticas (algumas justas) e até um apelido tão maldoso quanto divertido. Aos 34 anos, Neymar Jr. começa a conviver com este fenômeno.
O camisa 10 do Santos afirmou na última terça-feira, 28, depois do triunfo diante do Universidad Central-VEN, pela Sul-Americana, o que quase todo mundo já sabia (e que nem todos tiveram a delicadeza de esperar ouvir de sua boca): que seu ciclo na seleção brasileira se encerrou na Copa do Mundo de 2026. “Meu momento na seleção já foi. Fiz história, fui muito feliz, dei meu sangue, minha vida. Sempre briguei e lutei pela Amarelinha, mas agora não quero mais”, afirmou. É uma pena que esta história tenha terminado de forma melancólica e que o último de seus 80 gols pelo Brasil seja lembrado pela provocação totalmente fora de hora e lugar ao goleiro da Noruega. Mas o craque popstar tem razão quando diz que marcou época e respeitou a camisa como poucos.
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É fato que Neymar não conquistou seus dois maiores sonhos, o título da Copa do Mundo e o prêmio de melhor jogador do planeta. O azar e as lesões atrapalharam sua caminhada. Olhando em retrospecto, dá para dizer que sua melhor chance poderia ter sido em 2010, ano em que Dunga foi teimoso ao não levar o prodígio do Peixe, então com 18 anos. Certamente não faria menos que seu quase xará Nilmar ou Grafite, os reservas em quem o técnico não confiou na hora do aperto. Poderia ter uma Copa na adolescência, como Pelé, Mbappé ou Yamal. São suposições, e de nada vai adiantar alimentar o personagem do “Neymar hipotético.”
Nem é necessário, pois o Neymar real entregou muito futebol e também imensas alegrias ao torcedor da seleção brasileira. Desde a estreia com gols diante dos Estados Unidos, em 2010, no mesmo Metlife Stadium de Nova Jersey onde sonhava encerrar sua trajetória com o hexa em 2026, passado pelos títulos da Copa das Confederações de 2013 e da Olimpíada do Rio-2016, até desaguar no recorde de gols pela seleção em jogos oficiais (80 no total, 15 a menos que Pelé contando todas as partida), Neymar quase sempre entregou um nível altíssimo de jogo.
Neymar comemora seu gol contra a Espanha na final da Copa das Confederações de 2013, no Maracanã – Alexandre Battibugli/PLACAR
Driblador nato, com enorme visão de jogo, habilidade com ambas as pernas e uma personalidade que fez dele a estrela do Brasil dos 18 aos 34 anos, esteve, sem dúvidas, entre os mais talentosos atletas nascidos no país. Ao contrário de lendas do passado que pediram dispensa em torneios “menores”, jamais fugiu à luta com a seleção, nem mesmo quando o corpo já não aguentava mais. Se dividiu opiniões entre os críticos, foi amado pelos companheiros (talvez até demais) e elogiado por todos os técnicos que o dirigiram na seleção. Se comportou bem até mesmo na inédita condição de reserva na Copa de 2026, aquela em que não merecia ter ido – mas aí a culpa é de Ancelotti, não dele.
É provável que o remédio do tempo lhe dê os merecidos créditos e minimize os tolos discursos de que “não ganhou nada pela seleção”. Primeiro porque ganhou. Se jogador grande se prova no Maracanã, as vitórias contra Espanha em 2013 e Alemanha em 2016, que lavaram a alma do torcedor em momentos de baixa autoestima, tiveram o selo do craque. Em Copas, foram 9 gols pelo Brasil, só menos que Ronaldo (15) e Pelé (12), empatado com Ademir de Menezes. Neymar deixa a seleção em situação semelhante a de Zico, o gênio dos anos 80, que também sofreu com lesões, doses de azar e contestações, e construiu uma linda história pela amarelinha, mesmo sem a maior das taças.
Para além das estatísticas e troféus, Neymar encantou uma geração inteira de torcedores que se apaixonaram por seu futebol irreverente. Foi um astro tipicamente brasileiro, rebelde, errante e decisivo. Outra fera da bola, Paulo Roberto Falcão, o Rei de Roma, cunhou a máxima de que “o jogador de futebol morre duas vezes, a primeira quando para de jogar”. O velório de Neymar pela seleção começou hoje, e deixará milhões de viúvas e um legado indiscutível.
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Neymar comemora seu gol contra o México na Copa das Confederações de 2013 – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar e Pelé em ensaio de capa para a edição de aniversário dos 40 anos da Placar, em 2010 – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos brinca com crianças após o treino do Santos no CT Rei Pelé – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar jogador do Santos com a camisa da seleção Brasileira – Alexandre Battibugli/PLACAR.Neymar do Santos comemorando o título de campeão da Libertadores de 2011, diante do Peñarol, no Pacaembu – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar pela seleção brasileira na partida contra o Chile, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2018, no Allianz Parque – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar pela seleção brasileira na partida contra o Chile, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2018, no Allianz Parque – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos, durante um jogo do campeonato Paulista de 2011 – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos brinca com crianças após o treino do Santos no CT Rei Pelé – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos, como goleiro durante treino no CT Rei Pelé – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar em ação em Brasil 1 x 0 Romênia, partida de despedida do Ronaldo da seleção brasileira, no Estádio do Pacaembu, em 2011- Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos Futebol Clube, durante lanca da partida contra o Corinthians, válida pelo Campeonato Paulista de 2009 – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos – Alexandre Battibugli/PLACARMessi do Barcelona cumprimenta Neymar do Santos, durante jogo da final do Campeonato Mundial de Interclubes – Alexandre Battibugli / PLACARMessi do Barcelona e Neymar e Durval do Santos, durante jogo da final do Campeonato Mundial de Interclubes (Alexandre Battibugli)Neymar do Santos durante jogo entre Santos 1 x 0 – Corinthians, partida válida pelo Campeonato Paulista, no estádio da Vila Belmiro – Alexandre BattibugliNeymar do Santos e Alessandro do Corinthians durante jogo entre Corinthians 3 X 1 Santos, partida válida pelo Campeonato Paulista, no Estádio do Pacaembu / Alexandre Battibugli/PLACARNeymar chora após eliminação da Copa do Mundo de 2022 – Akexandre Battibugli / PLACARNeymar comemora seu gol contra a Espanha na final da Copa das Confederações de 2013, no Maracanã – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar em ação em Brasil 1 x 0 Romênia, partida de despedida do Ronaldo da seleção brasileira, no Estádio do Pacaembu, em 2011- Alexandre Battibugli/PLACARNeymar antes de a bola rolar para Brasil 1 x 0 Romênia, partida de despedida do Ronaldo da seleção brasileira, no Estádio do Pacaembu, em 2011- Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, em ensaio no CT do Santos, em 2011 – Alexandre Battibugli/PLACARRenato Pizzutto, fotógrafo ao lado de Neymar, jogador do Santos com o troféu Bola Ouro e de Prata na 42ª edição do prêmio Bola de Prata, entregue aos destaques do futebol brasileiro de 2011, promovido pela revista Placar e pela ESPN Brasil, no Museu do Futebol – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar comemorando gol pela seleção brasileira, na Copa do Mundo de 2014, diante de Camarões, no Mané Garrincha – Alexandre Battibugli/PLACAR.Celso Unzelte apresentador do canal ESPN Brasil junto com Neymar, jogador do Santos, na 42ª edição do prêmio Bola de Prata, entregue aos destaques do futebol brasileiro de 2011, promovido pela revista Placar e pela ESPN Brasil, no Museu do Futebol – Alexandre Battibugli/PLACAR.Neymar jogador do Santos com a camisa da seleção Brasileira – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar do Santos antes do jogo Corinthians 3 X 1 Santos, partida válida pelo Campeonato Paulista, no Estádio do Pacaembu – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar, jogador do Santos – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar durante a derrota para o México na final das Olimpíadas de Londres 2012, em Wembley – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar durante Brasil 3 x 0 Coréia do Sul, nas Olimpiadas de Londres 2012 – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar foi cortado da Copa do Mundo de 2014 após levar joelhada nas costas do colombiano Camilo Zuñiga – Castelão -Alexandre Battibugli/PLACARNeymar chorando de emoção e sendo confortado pelo técnico Felipão após vitória nos pênaltis sobre o Chile, pelas oitavas da Copa do Mundo de 2014, no Mineirão – Alexandre Battibugli/PLACARNeymar na vitória sobre a Colômbia, pouco antes de se lesionar, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014, no Castelão – Alexandre Battibugli/PLACAR