Toquinhos de lado, baixa eficiência e falta de objetividade ofensiva. Esse foi o desempenho do meio-campo “caranguejo” da seleção brasileira no empate em 1 a 1 com o Marrocos, na estreia da Copa do Mundo, segundo as estatísticas.
Os cinco meias que atuaram na partida fizeram a maioria dos passes para os lados e tiveram pouco impacto no ataque. A pior atuação foi de Paquetá, justamente o jogador que deveria dar apoio aos homens de frente.
Paquetá acertou apenas 79,5% dos passes, o pior rendimento entre os meias. Desses, só 25,6% dos passes foram para a frente. Ele preferiu dar 43,6% dos passes para os lados e 30,8% para trás. O jogador do Flamengo foi substituído aos 16 minutos do 2º tempo e terminou a partida como o maior passador (39 vezes) entre os meias.
Maior alvo de críticas após a partida, o veterano Casemiro teve o melhor aproveitamento nos passes, com 94,4% certos. Porém, ele deu apenas 5,6% dos toques para frente. O jogador, que deve trocar o Manchester City (Inglaterra) pelo Inter Miami (EUA) do argentino Messi, foi mais um que optou pelos toquinhos de lado, chegando disparado à maior marca entre os meias brasileiros: 83,3%.
Fabinho entrou no lugar de Casemiro no intervalo, na famosa troca do “seis por meia-dúzia”. O meia do Al-Ittihad (Arábia Saudita) manteve o ritmo caranguejo, com 64,7% dos passes para os lados, a maioria (47,1%) para a direita e apenas 23,5% para a frente.
O jogador mais objetivo do meio-campo da seleção foi Bruno Guimarães. Ele deu 31,6% dos passes para a frente, mas errou 28,6% deles. Ele também contribuiu com 23,7% dos passes para trás. Ao todo, o meia do Newcastle (Inglaterra) teve um aproveitamento de 89,5% dos passes, o segundo melhor no setor.
Outro dado que mostra a ineficiência do meio-campo foi em relação aos lançamentos, ou passes longos. Foram dados apenas quatro durante toda a partida e só um (de Bruno Guimarães) foi certo. Já os toquinhos curtos somaram 122 entre os meias.
O meia Danilo Santos, do Botafogo, entrou apenas aos 35 minutos do segundo tempo. Ele fez apenas quatro passes, acertou todos, mas nenhum para a frente, dois para a esquerda e outros dois para trás.
Para evitar o estilo caranguejo, o técnico Carlo Ancelotti já declarou que a seleção “precisa melhorar” para ser mais objetiva, dinâmica e ofensiva.
Para isso, o treinador italiano deverá promover mudanças no meio-campo e no ataque para a partida de sexta-feira contra o Haiti, na Filadélfia, às 21h30.
Todos os meias que iniciaram contra Marrocos estão ameaçados de perder o lugar no time titular, assim como os atacantes Igor Thiago e Raphinha. Vinicius Junior, autor do gol de empate, é o único garantido.
Também podem acontecer mudanças nas laterais, principalmente com a saída de Ibañez na direita.
Pior rendimento nos passes
Aproveitamento de passes certos contra o Marrocos
Paquetá – 79,5%
Fabinho – 88,2%
Bruno Guimarães – 89,5%
Casemiro – 94,4%
Quem mais tocou de lado
Estilo caranguejo predomina na estreia
Casemiro – 83,3%
Fabinho – 64,7%
Bruno Guimarães – 44,8%
Paquetá – 43,6%
Quem mais tocou para trás
Falta de objetividade atrasa o setor ofensivo
Paquetá – 30,8%
Bruno Guimarães – 23,7%
Fabinho – 11,8%
Casemiro – 11,1%
Quem mais errou passes no ataque
Permitindo a recuperação de bola pelo adversário
Bruno Guimarães – 28,6%
Paquetá – 23,3%
Casemiro – 7,7%
Fabinho – 0% (acertou todos os passes no ataque)
Não computados os números de Danilo Santos, que entrou no final e deu apenas quatro passes.
