O SoFi Stadium de Los Angeles recebeu um dos jogos mais peculiares da primeira rodada da Copa do Mundo de 2026. Em campo, Nova Zelândia e Irã empataram por 2 a 2 em um duelo movimentado válido pelo Grupo G. Fora dele, o confronto carregava um peso político raro para uma partida de fase de grupos.
Conflito Político
o Irã entrou na Copa do mundo em guerra com o país sede que recebe as partidas da equipe nessa primeira fase, os Estados Unidos. Como resultado, a delegação Iraniana está sendo obrigada a permanecer treinando em Tijuana, cidade mexicana fronteiriça com a Califórnia, fazendo apenas viagens de bate-volta nos EUA durante os dias de seus jogos.
Durante o decorrer do torneio, o presidente Donald Trump anunciou um cessar-fogo no conflito, não oficializado até o fechamento deste texto pelo governo do Irã. Nada mudou no status da seleção do técnico Amir Ghalenoei.
Protestos de Torcedores
Durante a execução do hino nacional do Irã, vaias foram escutadas nas arquibancadas do estádio, um protesto que partiu primariamente de torcedores identificados com as cores do país persa. Isso se explica pelo fato de muitos dos iranianos que residem nos Estados Unidos serem contrários ao regime islâmico fundamentalista que governa o país desde a revolução de 1979.
Outros torcedores exibiram cartazes com os dizeres “Minab 168”, em referência ao número de vítimas de um ataque a bombas dos EUA em uma escola em Minab, no sul do Irã.
Torcedor do Irã durante o hino nacional na estreia diante da Nova Zelândia no SoFi en Los Angeles (EFE/ Omar Alonso)
All Whites vestindo all black
Jogadores da Nova Zelândia celebram contra o Irã no SoFi en Los Angeles (EFE/ Omar Alonso)
O apelido da seleção neozelandesa é “All Whites”, uma referência ao uniforme tradicionalmente branco da equipe, para se diferenciar dos famosos “All Blacks”, a tradicional seleção de rúgbi da Nova Zelândia.
A curiosidade é que, ao longo de sua história, a equipe também utiliza frequentemente uniformes predominantemente pretos, mantendo a identidade visual ligada ao país e à tradicional folha de samambaia-prateada (Silver Fern).
Do Soccer ao Football
Durante anos, o futebol ocupou espaço marginal na Nova Zelândia. Pouco presente em Mundiais, a ex-colônia britânica chamava o esporte de soccer, como nos EUA, para diferenciar do Rugby football, a paixão nacional. Em 2007, a federação trocou oficialmente o nome de New Zealand Soccer para New Zealand Football, como estratégia de reposicionamento.
Invencibilidade Mantida
Apesar da frustração em não conseguir sua primeira vitória em Copas do Mundo, a Nova Zelândia segurou sua sequência invicta: após perder todos os seus jogos na Copa de 1982, os neozelandeses saíram do mundial de 2010 com 3 empates. Agora são quatro partidas consecutivas em Copa do Mundo sem saber o que é derrota, ainda que tampouco tenham o sabor da vitória. Após 16 anos de ausência, é um resultado positivo.
O sucesso da dupla Elijah-Wood
Parece nome de ator de hollywood, mas é só o duo ofensivo da seleção da Nova Zelândia: Elijah Just, segundo-atacante, 26 anos, atleta do Motherwell (Escócia), filho de pai alemão e mãe chinesa; Chris Wood, centroavante, 34 anos, jogador do Nottingham Forest, maior artilheiro dos All Whites (45 gols) e recordista de partidas (90 jogos), veterano da Copa de 2010. Os dois participaram bem dos gols neozelandeses no jogo, com Just assegurando um doblete e o status de artilheiro da seleção em Copas.
