Qual a estratégia por trás dos chutões na saída de bola da Copa


A jogada tem a sua funcionalidade, mas não é das mais bonitas. Durante as primeiras partidas da Copa do Mundo de 2026, uma tendência global está sendo exposta: cada vez mais seleções se utilizam dos chutões na saída de bola em estratégia adaptada do rúgbi e do futebol americano.

O cara ou coroa do árbitro foi definido para ver quem daria o primeiro chutão, para próximo à linha de fundo adversária, oferecendo a bola para o rival na partida entre França e Senegal, pela abertura do Grupo I. Tanto um time quanto outro escolheram a jogada para começar o 1º e o 2º tempo.

Didier Deschamps, técnico da França – (Franck Fife/AFP)

Em tese, perder a bola, não seria o ideal, mas há outra visão para o assunto como aponta o consultor tático de atletas Vyni Valença. Avançar o seu time em campo é naturalmente ganhar espaço e aí que a coisa toma forma.

“Essa é uma estratégia que se baseia em ganhar metros e tem influência em outros esportes. Assim como o basquete serve de base para os bloqueios nas jogadas de bola parada, acredito que o rúgbi está por trás dessa jogada de ficar mais próximo ao gol adversário”, disse Vyni.

A tendência aplicada

A jogada foi muito trabalhada ao longo das últimas temporadas no Paris Saint-Germain. O time do técnico Luis Enrique, campeão francês e da Champions League, abusou dos chutões nas conquistas dos títulos e, claro, foi copiada por seleções na Copa.

Adversária do Brasil na partida de estreia, o Marrocos fez uso dessa estratégia. O time do técnico Mahamed Ouhabi, conhecido por ser um estudioso do futebol, utilizou do artifício ao tomar o gol de Vini Jr. e em sua saída de bola. 

Já Panamá, do treinador Thomas Christiansen, fez algo parecido com uma jogada de futebol americano para avançar o time nos acréscimos, após levar um gol de Gana. Apesar do placar não ser alterado, nove jogadores de linha correram para a entrada da área adversária, enquanto outro jogador fazia o lançamento. 

Jogadores do Panamá se mandaram para o ataque em estratégia de ligação direta – Reprodução

Ainda que em tom mais sútil, o Brasil adotou algo semelhante na saída de bola da vitória contra o Haiti. Na ocasião, coube ao goleiro Alisson praticamente jogar a bola na grande área adversária e fazer a sua defesa ganhar metros no campo de ataque.

O especialista aponta ainda outro ponto importante, que é a confiança do atleta. Normalmente, os primeiros passes são simples para que o jogador não comece a partida mentalmente em déficit com a sua equipe.

“A maioria dos atletas faz um passe simples porque isso gera uma construção mental e física do que vai ser o jogo. Se o jogador, erra o primeiro passa, às vezes, pode demorar 15 a 20 minutos para se reconectar no jogo. Nessa primeira jogada, você coloca o seu adversário em uma situação de pressão, na lateral, próximo ao gol, para sufocar e pressionar lá em cima”, completa Vyni.

Até mesmo a seleção brasileira utilizou algo similar, na última sexta-feira, 19, contra o Haiti. De modo “menos radical”, o time do treinador Carlo Ancelotti deu o pontapé inicial do primeiro tempo e recuou para Alisson, enquanto seis jogadores se mandaram para o campo, buscando ganhar a bola aérea ou ficar com as bolas reboteadas.





Fonte: Placar

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