O Brasil derrotou o Japão por 2 a 1 na tarde desta segunda-feira, 29, em jogo decisivo na Copa do Mundo, a primeira partida da fase de mata-mata do mundial. O autor do gol da suada vitória de virada da canarinha saiu dos pés de Gabriel Martinelli, ponta-direita do Arsenal que saiu do banco de reservas para finalizar no canto esquerdo do goleiro Zion Suzuki, aos 50 minutos do segundo tempo da partida em Houston, no Texas, garantindo a classificação brasileira para as oitavas de final, onde enfrentará o vencedor de Noruega x Costa do Marfim.
Foi o primeiro gol de Martinelli em Copas do Mundo. O atacante de 25 anos, que disputa o seu segundo Mundial (foi reserva na seleção que foi ao Catar, em 2022, tendo enfrentado Sérvia e Camarões), entrou em campo aos 21 minutos da etapa final, na vaga de Matheus Cunha. Fazendo uma função tática diferente, ele recebeu o passe de Bruno Guimarães e tirou o Brasil do desafogo nos minutos derradeiros do jogo, que caminhava para a prorrogação.
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O jogador se emocionou ao comentar sobre o lance após o apito final: “Para falar a verdade, a ficha não caiu ainda. Momento de muita felicidade para mim e para minha família. Ver meus pais, minha namorada, todo mundo na arquibancada chorando. Um momento especial.”
Martinelli e jogadores do Brasil comemoram a vitória sobre o Japão em Houston (Pier Giavelli / BPA)
Campeão pelo Arsenal em 2026
De temporada discreta no título do Arsenal na Premier League (apenas 1 gol em 30 jogos), Gabriel Martinelli foi peça vital na campanha vice-campeã da equipe londrina na Liga dos Campeões: o brasileiro marcou 6 gols e distribuiu 2 assistências em 14 jogos.
Na Inglaterra desde 2019, acumula 276 jogos, 62 gols e 35 assistências. Mais do que bons números, o brasileiro conquistou o coração da torcida do Arsenal, onde conquistou 3 títulos: A Copa da Inglaterra de 2019-2020, a Supercopa da Inglaterra de 2023 e a Premier League de 2025-2026.
Gabriel Martinelli, importante peça do Arsenal – EFE/Neil Hall
Sua entrada no jogo foi uma escolha decisiva do técnico italiano Carlo Ancelotti, a quem Martinelli rasgou elogios na entrevista pós-jogo: “Ele é um cara surreal, não é a toa que ganhou tudo que ganhou. No intervalo, ele deu confiança para nós; disse que não importava quando, era para seguirmos calmos que faríamos o gol de empate. Você vê pela linguagem corporal dele, muito tranquilo. Isso nos passa confiança”.
Do Ituano para o mundo
Nascido em Guarulhos, Martinelli começou a carreira atuando pela base do Corinthians, alternando o futebol de campo com o futsal, se destacando principalmente nas quadras. Em 2014, deixou as categorias juvenis do timão, onde chamou a atenção pelo alto número de gols (73 em 139 jogos).
Após testes em grandes clubes da Europa, como Manchester United e Barcelona, aceitou um convite para integrar a base do Ituano, por causa do surgimento de uma oportunidade de emprego para seus pais no interior de São Paulo. Sua performance impressionou pelo Galo de Itu, enchendo os olhos de Juninho Paulista. Pentacampeão mundial com a seleção em 2002, Juninho era o gestor do Ituano, clube que o revelou para o futebol, e supervisionou o processo de formação de Martinelli.
Gabriel Martinelli com a camisa do Ituano – Divulgação / Ituano FC
O primeiro gol nos profissionais veio aos 17 anos, em 2018. No ano seguinte, foi promovido em definitivo para o time principal do Ituano, sendo o artilheiro da equipe no Paulistão e figurando na seleção do campeonato. Num acordo que movimentou cerca de 6 milhões de libras (R$30 milhões de reais, pela cotação da época). Em Londres, evoluiu rapidamente e conquistou seu espaço no ataque de Mikel Arteta.
Gabriel Martinelli esteve presente no elenco da seleção brasileira sub-23 que conquistou o bicampeonato olímpico nos jogos de Tóquio, em 2021. Convocado pela primeira vez ao selecionado principal por Tite, em março de 2022, só marcou seu primeiro tento pelo Brasil em 16 de novembro de 2023, no seu oitavo jogo pela seleção, inaugurando o placar na derrota por 2 a 1 para a Colômbia, válida pelas eliminatórias. Com o gol agônico diante da seleção japonesa, Martinelli chega a 25 partidas, 5 gols e 1 assistência vestindo a amarelinha.
A sua convocação para a Copa do Mundo de 2026 foi alvo de críticas por parte da imprensa e de torcedores, pela ausência de outros nomes de destaque no ataque e pelos números ruins do camisa 22 canarinho na liga Inglesa. Após o jogo, o Martinelli falou sobre a pressão em entrevista concedida à CazéTV:
“Futebol é assim. A gente sabe como são as coisas. Claro que a gente acaba escutando coisa que não quer, pessoas que falam que não queriam você na seleção. Claro que cada um tem sua opinião, eu respeito. Mas fico feliz demais pelo gol da classificação. Espero que essas pessoas que não me queriam na seleção tenham ficado pelo menos um pouco felizes.” concluiu o atacante.

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