A vitória por 3 a 0 do Brasil sobre a Escócia deu claros sinais de um time mais vistoso prometido por Carlo Ancelotti. A partida desta quarta-feira, 24, no Hard Rock Stadium, em Miami, entregou ainda um cenário perfeito para a estreia de Neymar nesta Copa do Mundo.
O Brasil avançou na primeira colocação do Grupo C e, além de um rival teoricamente mais fácil vindo da chave F (Holanda, Japão ou Suécia), tem uma logística melhor para a sequência da Copa. A equipe continuará jogando nos Estados Unidos, desta vez, em Houston, e evita a desgastante viagem até o Monterrey, no México.
Neymar ficou mais de um mês sem entrar em campo, depois de um edema na panturrilha direita. A lesão aconteceu ainda na partida entre Santos e Coritiba, quando o craque teria sido substituído erroneamente. Convocado no dia seguinte, sob muita pressão, em uma cerimônia dantesca no Museu do Amanhã, no Rio, o jogador intensificou o seu treinamento e conseguiu voltar no terceiro jogo do Brasil. Ele não defendia a seleção desde 17 de outubro de 2023, quando sofreu uma ruptura no ligamento cruzado do joelho esquerdo.
A partida de estreia da equipe, contra o Marrocos, mostrou que o caminho para o hexacampeonato era mais longo do que o esperado; na partida seguinte, contra o Haiti, a vitória iludiu o torcedor brasileiro. Na decisão do primeiro lugar do grupo, uma vitória convincente construída já no primeiro tempo com Vini Jr. (dois gols). Na etapa final, Matheus Cunha deu mais tranquilidade.
Neymar consegue jogar 90 minutos?
Neymar então era o escudo perfeito para Ancelotti. A equipe não vinha bem e precisava de uma novidade técnica e, como dizem os especialistas, anímica tamanho respeito que o camisa 10 tem dentro do grupo.
“O Neymar pode jogar 90 minutos. Eu posso jogar 90 minutos caminhando”, dizia Ancelotti na entrevista oficial de véspera da partida.
A verdade é que Neymar entrou aos 30 minutos do segundo tempo no lugar de Matheus Cunha. Esse foi um claro indicativo de que Ancelotti o vê como um falso 9, atuando mais perto do gol, para utilizar a sua habilidade.
A movimentação em pouco mais de 15 minutos não foi a suficiente para saber se o jogador terá mais chance pelo setor e Matheus Cunha passará a atuar no lugar de Lucas Paquetá por exemplo. Autor das cobranças de faltas, escanteios e, por pouco, até tiros de meta, Neymar é muito importante em um time que está se construindo. Um chute para o gol foi o máximo que conseguiu quando entrou com a partida já definida.
O que Neymar e Ancelotti disseram depois do jogo
Em rápida conversa com o ex-jogador Denílson, comentarista da Rede Globo, Neymar se mostrou satisfeito com o retorno. “Muito nervoso, mas feliz, deu tudo certo. Estou 100%, vamos embora, obrigado.
O técnico Carlo Ancelotti, por sua vez, elogiou o veterano por seu esforço. “O Neymar teve a oportunidade de jogar porque merecia, trabalhou, treinou para jogar. Ele pode ajudar a equipe por suas características. Jogou bem os poucos minutos em que jogou.” Em seguida, rejeitou qualquer tipo de discurso motivacional.
“O Neymar não precisa de motivação nenhuma para jogar. Nenhum jogador aqui precisa de motivação para jogar com a camisa do Brasil. E a mesma coisa vale para o Neymar. Ele tem a mesma paixão de menino para jogar futebol. Ele pode jogar o quanto quiser.”
Números de Neymar em Copas
Neymar agora tem oficialmente quatro Copas do Mundo no currículo, com 14 partidas, oito gols marcados e três assistências. O camisa 10 se juntou a Djalma Santos (1954 a 1966), Pelé (1958 a 1970) e Cafu (1994 a 2006), todos com quatro Copas disputadas.
- Cafu – 20 jogos
- Ronaldo – 19
- Dunga – 18
- Taffarel – 18
- Lúcio – 17
- Roberto Carlos – 17
- Gilberto Silva – 16
- Jairzinho – 16
- Bebeto – 15
- Didi – 15
- Nilton Santos – 15
- Rivellino – 15
- Thiago Silva – 15
- Neymar – 14
