Depois de furar a previsão da vidente Vó Baianinha, que afirmou que os jogadores da seleção brasileira seriam abduzidos por alienígenas na partida diante da Escócia, em Miami, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti jogará a sua sobrevivência na Copa do Mundo, curiosamente, no local que ficou mundialmente conhecido como Space City (Cidade Espacial).
O principal motivo para esse título é o fato de que Houston, no Texas, abriga um dos centro de operações da Nasa, conhecido como Lydon B. Johnson Space Center, criado em 1961 pelo então senador texano que leva o nome do local.
PLACAR visitou o Space Center Houston, o centro de visitação, para conhecer detalhes do lugar que fala pouco sobre futebol.
Não há, por exemplo, nenhuma menção por escrito alusiva à Copa do Mundo. No espaço principal, dois simulares de jogos de futebol, além de uma grande bola pintada como um globo terreste. Protegido por uma cúpula de vidro, logo na esntrada, está o objeto histórico de maior relação entre a Nasa e o futebol.
Bola que pertencia ao astronauta Ellison Onizuka, reqlíquia da tragédia do Challenger – Klaus Richmond/Placar
É a famosa bola que sobreviveu à tragédia do ônibus espacial Challenger, em 28 de janeiro 1986, e pertencia ao astronauta Ellison Onizuka. A bola foi um presente de sua filha, Janelle, e continha mensagens de suas colegas de equipe de futebol da Clear Lake High School, em Houston.
“Ela era parte do time de futebol do Clear Lake, onde eu também estudei quando cheguei ao Texas. As assinaturas não resistiram ao tempo, mas a bola em si, sim. Ela fica na escola e está aqui neste momento. Conta muito sobre a história da região”, explica a brasileira Giulia Pisano, 21, responsável pelas apresentações na Nasa.
O acidente envolvendo o Challenger foi considerado um dos mais marcantes por ter sido transmitido ao vivo. O ônibus espacial explodiu pouco mais de um minutos após o lançamento, com sete tripulantes a bordo. Em 2016, a bola permaneceu em órbita por 173 dias como uma homenagem.
O Space Center Houston funciona como um museu de ciências, oferecendo aos visitantes uma imersão completa na história e no futuro da exploração espacial do país. Virou cena comum nos últimos dias ver muitos dos presentes circulando com camisas de futebol, principalmente das seleções que jogam na cidade.
“Nós viemos a Houston porque Portugal jogou aqui duas vezes e quando pesquisámos o que fazer, a primeira atração era o Space Center. Estamos surpresos com tanta coisa que não que não tínhamos conhecimento. Uma grande experiência sobre o que é que os Estados Unidos, e o que já fizeram no espaço. Em Portugal, não temos tanta noção”, explicou o torcedor português Simão Branca, 30.
Em clima de Copa: camisas de futebol viraram comuns nos últimos dias no Space Center – Klaus Richmond/Placar
“Viemos para ver o Cristiano Ronaldo jogar, mas aproveitamos aqui para também visitar aqui o museu da Nasa. Parecia uma coisa muito distante de nós, porque nunca tinha visto de perto, mas achei muito real e próximo”, acrescentou a brasileira Taciana Caldas, 35.
Entre as principais atrações, está a exibição do Independence Plaza, localizada na parte externa, onde visitantes podem entrar em uma réplica do ônibus espacial, montada no topo do avião transportador original da Nasa.
Na exibição da Artemis 2, que homenageia o retorno da humanidade ao espaço profundo, é possível conhecer Orion, uma cápula em tamanho real das missões realizadas pela Nasa agora.
Roupa espacial utilizada em uma das missões da Nasa – Klaus Richmond/Placar
Outra sessão bastante procurada é a Starchip Gallery, dedicada às naves espaciais que realmente estiveram no espaço, incluindo a cápsula de comando da Apollo 17, módulos da Gemini V e rochas lunares autênticas em que os visitantes podem tocar.
Em todo o lugar, há a exposição de roupas utilizadas em expedições e artefatos históricos, como o púlpito utilizado pelo ex-presidente John Kennedy, assassinado em 1963, para anunciar o programa Apollo de ir para a lua pela primeira vez. É possível ouvir o seu discurso, além de ter acesso aos rascunhos feitos à época:
“Nós escolhemos ir para a Lua nesta década e fazer outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque são difíceis”, disse na ocasião.
Púlpito original utilizado por JFK quando anunciou a missão Apollo – Klaus Richmond/Placar
São comuns também linhas do tempo que mostram aquilo que acontecia com a Nasa e com o mundo durante as mesmas épocas. Nos Estados Unidos, há outros nove centros da Nasa. O de Houston é focado em operações.
De oito mil candidatos que a Nasa para a sua última missão, em 2024, somente dez foram chamados. O tamanho total de uma estação espacial é semelhante ao de um estádio de futebol.
