A passagem do Tricolor pela I̶u̶g̶o̶s̶l̶á̶v̶i̶a̶ Bósnia


Neste dia 1º de julho, ainda no clima de Copa do Mundo, o Arquivo Histórico se virou em meio a jornais escritos em alfabeto cirílico e trouxe a história da excursão do São Paulo à Sarajevo, Bósnia, que na época fazia parte da Iugoslávia. Confira!

Preâmbulo

Em 1969, o São Paulo promoveu uma grande excursão a Europa. A viagem começou com a participação do clube no Torneio Bodas de Ouro do Valência, da Espanha. O Tricolor começou bem, vencendo o Eintracht Frankfurt, da Alemanha, por 2 a 0, mas na final o time foi superado pelo time da casa por 4 a 0.

Da Península Ibérica os tricolores seguiram para a Península Escandinava, onde derrotaram o selecionado de Solna por 3 a 2. Com a moral recuperada, o São Paulo partiu, então, para um país que nem existe mais: a Iugoslávia.

A República Socialista Federativa da Iugoslávia surgiu após a Segunda Guerra Mundial e, apesar do nome, era uma nação não alinhada a nenhum bloco desde 1948, seja ele capitalista ou comunista, durante a época mais conhecida como Guerra Fria.

Alheios ao cenário internacional ou a qualquer coisa do tipo, os tricolores chegaram em Belgrado, capital do país e hoje situada na Sérvia, no final de julho. O primeiro compromisso do clube na terra dos eslavos do sul seria contra um dos quatro grandes locais: o Crvena Zvezda – mais conhecido no Brasil pelo nome de Estrela Vermelha (os demais grandes, a saber, eram o Partizan, também de Belgrado, o Dinamo, de Zagreb e o Hajduk Split, ambos da Croácia dos dias atuais).

Ainda que fossem os detentores dos títulos do campeonato e da copa local, o Estrela Vermelha não chegou perto de ser páreo para os tricolores, mesmo atuando com 15 mil pessoas lhes apoiando. O jornal Sportiski žurnal destaca que os brasileiros atuaram “com muita calma e segurança, sem desperdiçar energia desnecessariamente. Desde o início controlaram o jogo e deram a impressão de que, quando quisessem, poderiam aumentar o ritmo”. E foi exatamente o que aconteceu.

Aos quatro minutos de jogo, Benê abriu o placar. Aos 30, Babá fez o dele e, quase no fim da peleja, Zé Roberto anotou mais um. 3 a 0 – outro excelente resultado da excursão. Era hora, então, de partir para Sarajevo – à época, no Brasil, grafada como Serajevo.  

Na Bósnia

O grande jogo do São Paulo contra os sérvios fez a fama dos brasileiros crescer e a capital da República Socialista da Bósnia e Herzegovina (então espécie de república autônoma dentro da Iugoslávia), Sarajevo, estava tomada por cartazes anunciando o embate dos tricolores contra o Željezničar – que poderia ser traduzido como Ferroviários (e pronunciado como “Geliesnichar”).

Com tamanho alarde, não foi de se estranhar a casa cheia, quase 20 mil pessoas se abarrotaram no Koševo (que mal cabia 15 mil) e viram os são-paulinos terem que suar muito para se manterem parelhos com o time local. A imprensa brasileira – via correspondentes – ressaltou que os paulistas encontraram dificuldades, mas que se comportaram como “feras”, se sobressaindo no aspecto defensivo, não se deixando levar pelo jogo violento iugoslavo (ou melhor, bósnio).

O jornal Borba, inclusive, afirma que o Željezničar foi melhor, que o Tricolor só não foi derrotado devido as grandes defesas do goleiro Picasso, e que o único gol brasileiro, marcado por Nenê, aos 14 do segundo tempo, só aconteceu por mero acaso e falha do arqueiro do time azul – o empate rival veio cinco minutos depois, com Mujić.

O 1 a 1 no fim das contas foi um bom resultado, que em nada abalou a campanha são-paulina na Europa – na verdade, o elenco até foi premiado com um bicho de 60 dólares (250 cruzeiros novos, na época).

Após o jogo, a delegação tomou um trem para uma viagem de 20 horas em direção a Craiova, na Romênia. Neste outro país balcânico, o time jogaria contra o Universitatea Craiova, o Rapid, de Bucareste, e o Farul, de Constança, mas estas partidas são uma outra história…

ŽELJEZNIČAR 1 x 1 SÃO PAULO
30/07/1969. Amistoso Internacional: Jogo Único.
Sarajevo (Iugoslávia, atualmente Bósnia e Herzegovina), Estádio Koševo.

SPFC: Picasso; Cláudio Deodato, Eduardo, Roberto Dias e Édson Cegonha; Nenê e Benê; Paraná, Zé Roberto, Téia e Babá. TÉCNICO: Diede Lameiro. GOL: Nenê, 14/2.

RIVAL: Vasilije Radović; Fahrija Hrvat, Velija Bećirspahić, Hajrudin Saračević, Enver Hadžiabdić, Blagoje Bratić, Branislav Jelušić, Božidar Janković, Josip Bukal, Duško Bajić, Fikret Mujkić. TÉCNICO: Milan Ribar. GOL: Mujkić, 19/2.

ÁRBITRO: Selimović (Iugoslávia).
PÚBLICO: ~25.000 presentes

Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah





Fonte: SPFC

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