Brasil e Japão: vitória do corpo e da alma na Copa – 30/06/2026 – Tostão


A vitória no último minuto foi emocionante, alcançada pela técnica, pela tradição, pela ousadia, pela alma e pelo inconsciente coletivo. Todos pensaram e executaram juntos. A força do conjunto vai muito além da formação tática. Já o bom time do Japão, assustado com a possibilidade de eliminar um gigante que tanto admira, fez um gol e passou a jogar muito recuado, dando chutões, como um time pequeno.

A seleção brasileira não é uma das candidatas ao título somente porque tem história. É, principalmente, porque possui excelentes jogadores e um ótimo treinador, sereno, que não se abala com o momento negativo e que tem capacidade de decidir de acordo com o que acontece no jogo, sem ficar refém do que foi programado.

No segundo tempo, com o recuo do Japão, que raramente contra-atacava, Ancelotti, mesmo se Paquetá não tivesse contundido, teria colocado um centroavante, Endrick, para perturbar os zagueiros japoneses, pois a seleção brasileira não precisava mais de um terceiro meio-campista.

O grande número de bolas cruzadas pelo Brasil no segundo tempo foi uma decisão natural dos jogadores porque o time não conseguia entrar pelo meio trocando passes ou foi uma determinação do treinador? Assim saiu o primeiro gol marcado por Casemiro e ele quase fez o segundo.

Bruno Guimarães foi novamente um dos destaques da seleção. Ele marca como volante, constrói jogadas como um meio-campista e avança como um meia atacante para finalizar ou dar um passe decisivo, como o gol de Martinelli, o da vitória. Se Bruno mantiver a mesma qualidade nos próximos jogos, estará no grupo dos melhores meio-campistas do futebol mundial, mesmo se o Brasil não for campeão.

O Brasil precisa diminuir a lentidão na saída de bola da defesa para o ataque. Rayan ficou muito isolado sem receber o apoio de Danilo pela direita. Faltaram também as viradas de bola da esquerda para direita para Rayan receber a bola livre. Danilo, improvisado, continua lento, além de ter errado o passe no gol do Japão. Porém, não há outra opção. Por outro lado, Danilo é uma das lideranças da equipe, pela experiência, seriedade profissional, lucidez e por ter uma ampla visão das coisas. O futebol é uma disputa psicológica. O jogo pode também ser decidido com uma conversa.

O Brasil vai enfrentar a Noruega, que venceu por 2 a 1 o bom time da Costa do Marfim, com mais um gol de Haaland. O time possui ótimos jogadores do meio para frente. É a geração norueguesa, que joga um futebol ofensivo. Por outro lado, a defesa possui deficiências, especialmente por onde joga Vinicius Junior. Será uma partida difícil para o Brasil. Entre o samba e a remada, sou mais o samba.

As seleções sul-americanas, na média, estão bem no mundial. O Paraguai, com uma organizada retranca, eliminou nos pênaltis a Alemanha. A Colômbia teve uma atuação empolgante no empate contra Portugal por 0 a 0. Merecia ter vencido por dois a três gols de diferença pelo grande número de claras chances de gols. A Colômbia fez uma marcação individual e anulou toda a troca de passes e criatividade do excelente meio-campo de Portugal.

O Uruguai fez o mesmo, também com sucesso, contra o ótimo meio-campo da Espanha. Perdeu por 1 a 0 e está fora da Copa porque não teve ataque para fazer gols.

A enorme superioridade técnica dos times europeus sobre os da América do Sul ocorre porque eles contratam os melhores jogadores do mundo, o que não acontece entre seleções. Brasil e Argentina são fortes candidatas ao título.


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Fonte: Folha UOL

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