Copa do Mundo: dizem que ninguém mais liga para a seleção – 29/06/2026 – PVC


A primeira virada da seleção brasileira em 12 anos, desde a abertura da Copa de 2014; a primeira remontada em mata-mata desde as quartas de final de 2002, contra a Inglaterra; teve momentos do velho futebol brasileiro.

Gol perdido por Casemiro; outro marcado pelo volante, que tirou o sufoco e deu o empate; uma jogada antológica de Vinicius Junior defendida por Zion Suzuki.

Uma sucessão de erros depois da parada para hidratação do primeiro tempo, mas uma capacidade de emocionar como há tempos não existia na seleção.

A seleção está crescendo.

A segunda-feira amanheceu com jeito de feriado. Informações do que abre e fecha. Em qual país do planeta os bancos fecham ao meio-dia para todo mundo poder assistir à seleção às 14 horas? Não, isso não faz o Brasil ser o país do futebol, mas é um pouco sinal de como o futebol ainda mexe com o país.

E dizem que ninguém mais liga para a seleção brasileira…

O compacto com a canção “Aqui é o país do futebol” chegou às lojas de discos em 25 de junho de 1970, quatro dias após o Tricampeonato mundial, na voz de Wilson Simonal.

Dois meses antes, 16 de abril de 1970, Milton Nascimento havia lançado um compacto duplo com a mesma canção. “Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão, aqui é o país do futebol.”

Ainda que a cultura do jogo tenha se espalhado e Espanha e Inglaterra tenham mais a ver com o futebol atual, há resquícios de que nossa paixão sobrevive.

O Japão anunciou na véspera do jogo contra o Brasil que mudaria cinco jogadores em relação aos empates com Holanda e Suíça. Seu técnico, Hajime Moriyasu, pretendia equiparar a força do meio-de-campo, apesar de ter vencido a seleção em outubro do ano passado, amistoso em Tóquio.

Com tudo isso, cogitar perder para o Japão parece um sinal de que o aquecimento global é inevitável, a rotação da Terra se transformou e que os alienígenas estão chegando ao planeta e seremos todos abduzidos.

Antes do jogo, profetas do apocalipse tratavam o risco da pior campanha de todos os tempos em Copas, risco que todos correrão, porque pela primeira vez há uma fase eliminatória com 32 times.

Cair precocemente significa ficar abaixo do 16º lugar, número total de participantes em 1966, quando o Brasil viveu seu maior fiasco ao cair num grupo com Portugal, Hungria e Bulgária.

Independentemente do que aconteceu contra o Japão, o Brasil precisa repensar seu trabalho. Olhar para um jogo desse tamanho com a certeza de ter trabalhado em nível pior do que deveria, de coletivamente não estar no padrão que se deseja, exige produzir mais para 2030.

O Brasil chegou e segue sendo, nos Estados Unidos, uma espécie de estudante de ensino médio, extremamente inteligente e pessimamente preparado, que passou três anos sem estudar para a prova e precisou recuperar toda a matéria para ser aprovado no Enem.

O Brasil segue apaixonado por este jogo. É o país do futebol, porque se soltar uma bola de meia na praia de Ipanema ou na margem do rio Guamá, em Belém, um menino ou uma menina saem chutando.

Este lugar não pode mais cogitar correr o risco ser derrotado numa eliminatória contra o Japão.

O Brasil segue na Copa tentando ser uma seleção mais confiável para as oitavas de final.


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Fonte: Folha UOL

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