Danilo concedeu uma entrevista franca na tarde de quarta-feira (17), no hotel onde está concentrada a seleção brasileira em Basking Ridge, Nova Jersey. Com pequeno atraso por causa de uma bateria de exames antidoping conduzida pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), tratou de diversos temas e reconheceu que o time nacional está atrás de algumas das potências da Copa do Mundo.
“Nós temos que ser claros”, afirmou, logo em sua primeira resposta. “A não criação de uma identidade, com trocas constantes, influencia. Se você tem um plano, uma coisa construída, coesa, quando a situação fica difícil, você se agarra naquilo. Isso a gente não construiu, é algo claro e óbvio.”
O defensor de 34 anos se referia ao ciclo conturbado da seleção, que teve presidente afastado e troca no comando da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em 2025. Carlo Ancelotti é o quarto treinador da equipe desde a última Copa do Mundo e está há pouco mais de um ano no cargo.
“Eu já tinha falado isso depois do amistoso contra a França. Nós não temos a maturidade, como equipe, que a França tem hoje. Não temos. O que não quer dizer que não possamos fazer um bom papel, ganhar, chegar longe”, afirmou, referindo-se inicialmente à derrota por 2 a 1 no amistoso realizado em março.
A equipe francesa, que ganhou a Copa do Mundo de 2018 e esteve novamente na final em 2022, tem o mesmo treinador, Didier Deschamps, desde 2012. Nesse cenário, na visão de Danilo, é necessário que o Brasil, mesmo com as suas cinco estrelas em sua camisa, adote um comportamento humilde.
“Nossas ferramentas têm que ser diferentes, outro tipo de mecanismo. Talvez ter uma marcação mais baixa, não pressionar tanto, aceitar que a posse da bola e o comando do jogo possam ser do adversário. Isso é maturidade. É saber que, em uma brecha, nós vamos fazer o gol, com Vinicius Junior, Raphinha, Rayan, Endrick…”, disse.
“As outras seleções melhoraram muito, o futebol evoluiu. A diferença entre ganhar, perder e empatar é muito curta, fina”, acrescentou, antes de fazer uma ressalva. “O Brasil está na primeira fileira, sempre vai estar. Isso só vai mudar se acontecer um desastre muito grande e a gente parar de produzir jogadores.”
O defensor fez elogios à atual organização da CBF. Segundo ele, se ainda está estruturalmente atrasado em relação às potências das últimas Copas, o time ganhou um rumo que pode render resultados no futuro. No presente, a realidade é dura a ponto de um confronto com o Haiti ser considerado decisivo.
“Perguntaram para mim sobre uma goleada. Seria uma grande loucura eu falar algo sobre isso. A gente precisar entrar taticamente bem postado e fazer um jogo seguro”, declarou, a respeito da partida de sexta-feira (19). Após o empate por 1 a 1 com Marrocos e a obtenção de um ponto, o Brasil precisa vencer para não passar sufoco no Grupo C.
Em determinado momento da entrevista, Danilo chegou a parabenizar o ex-jogador Zinho, titular na conquista do tetra, em 1994, hoje comentarista da ESPN. Lembrou que ele ajudou a construir uma seleção de cinco estrelas. “Isso não foi construído por nós. Nosso papel é honrar isso e, com muita entrega, muito espírito, lutar para colocar mais uma estrelinha na camisa. Seria maravilhoso.”
