Entenda o que é o gráfico de momento da Copa do Mundo – 16/07/2026 – Coluna FolhaStats


A maior novidade em termos de dados nas transmissões desta Copa do Mundo foi o gráfico que contrasta o “momento” de cada time durante o jogo.

Ele mostra duas cadeias de montanhas, uma para baixo e outra para cima. Picos para cima mostram que um time teve mais “momentos” naquele instante. Quando para baixo, registra os tais momentos do outro time. Mas o que isso significa?

Cada lance recebe uma nota, não pelo que ele foi, mas pelo potencial de ameaçar o gol adversário. Calcula-se quanto aquela ação muda a probabilidade de o time marcar nos dez segundos seguintes. Um passe de lado no meio-campo vale quase nada; uma bola rolada na entrada da área vale muito. Um pênalti cobrado, ainda mais.

O gráfico pega essas notas e mostra, minuto a minuto, qual time esteve mais perigoso. O que sobe e desce na tela é a diferença entre os dois lados naquele minuto. Não é quem teve mais posse nem quem chutou mais, é quem chegou mais perto do gol em cada momento.

Essa proposta tenta reproduzir gráficos comuns no basquete que mostram a diferença de pontos ao longo do jogo. No basquete isso importa muito, já que pontos vão sendo acumulados aos montes ao longo de um jogo. Um time jogando melhor em um momento estará “subindo a montanha” naquele instante no gráfico.

Porém no futebol isso não é tão direto. Um time que está criando muitas chances de gols e não convertendo está também se abrindo a contra-ataques. Muitas vezes um gol sofrido vem logo após bons momentos ofensivos.

Por isso é comum ver gráficos de montanhas suaves de um lado alternados por picos repentinos do outro. São times que estão dominando a posse de bola, mas sofrendo nos raros momentos que a perdem.

Isso nos leva ao “gráfico de momento do momento”, criação da plataforma de tecnologia esportiva Sofascore. O recebi em diversos grupos (acredito que o leitor também) e ouvi alguns comentaristas na televisão o discutindo.

A figura reflete o jogo Brasil x Noruega, nela está realçado o momento da entrada do Neymar (que foi também quando entrou Danilo Santos, mas isso é omitido em muitas análises).

Algo interessante é que não é que a seleção estava dominando antes: a Noruega mantinha o “momento” na maior parte do jogo, porém sem clímax. Era um domínio inócuo. Já o Brasil mostrava o comportamento claro de time contra-atacando com eficiência: poucos momentos, mas altos picos.

Após as alterações, a Noruega se mantém sem picos gigantes, porém eles vão aumentando até o gol. Do lado brasileiro deixa de haver contra-ataques perigosos.

O futebol, diferente de outros esportes, como vôlei, handebol ou basquete, não é um esporte de “momentos”, mas de momento, no singular. O gol é raro e a estratégia geralmente é buscar um pico gigante, não diversos pequenos.

Essa adição nas transmissões pode ajudar a entender a dinâmica do jogo, porém é importante o telespectador ter em mente o que buscar ao vê-la. Entender que ambos os times não buscam ganhar de pouco a cada momento e sim num instante gigante.

Quando jogava videogame com amigos e perdia, fazia questão de analisar a posse de bola ao final e falar que eu havia ganhado de fato porque tinha permanecido mais tempo com a bola. Era idiota da minha parte, assim como é idiota ver esse gráfico procurando quem foi melhor durante um período.

Ainda assim, a popularização desses dados em tempo real é um avanço, que pode ajudar a entender o desenrolar do jogo, mas que exige uma nova alfabetização de quem assiste.


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Fonte: Folha UOL

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