Alexis Lalas, 57, histórico ex-zagueiro da seleção dos Estados Unidos e atualmente comentarista da Copa do Mundo na Fox, emissora oficial do torneio no país com as narrações em inglês, descreve Donald Trump como “presidente do futebol”.
“Não consigo pensar em outra administração em que tenha havido mais futebol emanando do Salão Oval”, disse o defensor durante um programa do canal dias antes da abertura do Mundial.
Desde que a bola rolou, porém, Trump ainda não foi visto em nenhum estádio, nem mesmo nas partidas da seleção americana, classificada às oitavas de final após vencer a Bósnia, por 2 a 1, na quarta-feira (1º) —os americanos não venciam um jogo de mata-mata da Copa havia 24 anos.
O republicano ainda estava em seu primeiro mandato, em 2018, quando a candidatura de Estados Unidos, México e Canadá ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo deste ano. Ele atuou diretamente para levar o torneio para a América do Norte, sendo apontado como principal articulador da campanha.
Desde que retornou ao poder, em janeiro de 2025, Trump permitiu que Gianni Infantino, presidente da Fifa, fosse visto no Salão Oval da Casa Branca mais vezes do que qualquer líder político mundial.
Mesmo em visitas de chefes de Estado, o futebol se fez presente no gabinete do presidente americano, com a exibição de uma réplica da taça da Copa do Mundo atrás de sua cadeira presidencial.
Até agora, porém, o único envolvimento oficial de Trump com a Copa durante o torneio foi o anúncio, feito por Infantino, de que o republicano entregará a taça ao campeão na cerimônia da final no estádio MetLife, no dia 19 deste mês, em Nova Jersey.
A Casa Branca, contudo, ainda não confirmou a presença do republicano no palco da decisão. No ano passado, ele participou da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de Clubes e entregou a taça ao Chelsea após a vitória do time inglês sobre o Paris Saint-Germain.
Desde o início da Copa deste ano, a possível presença de Trump nos estádios, sobretudo em partidas dos EUA, tem sido tema recorrente nas entrevistas na Casa Branca. As respostas, porém, têm sido marcadas por insinuações de que o presidente ainda pode surpreender.
“Uma coisa que posso dizer sobre o meu chefe, o 47º presidente —eu o conheço há, nossa, quase 30 anos a esta altura— é que ele gosta de criar suspense”, afirmou Andrew Giuliani, diretor-executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, em entrevista ao The Telegraph.
“Ele gosta de deixar as pessoas na expectativa. Então, tudo o que posso dizer é: acompanhem, porque tenho certeza de que haverá algumas surpresas”, disse.
Nesta semana, Giuliani voltou a ser questionado sobre o assunto e repetiu a mesma resposta. “Meu chefe gosta de suspense, então acho que vocês terão que ficar atentos.”
Ao ser questionado se a ausência de Trump estava relacionada a preocupações sobre segurança, o diretor negou. Segundo ele, o republicano tem estado ocupado com outros compromissos, como o evento do UFC realizado na Casa Branca em 14 de junho —dois dias após a estreia americana na Copa com vitória sobre o Paraguai por 4 a 1—, as comemorações dos 250 anos da independência dos EUA e assuntos de governo.
“Não foi por nenhum incidente de segurança. Como vocês podem imaginar, ele é um homem bastante ocupado. Mas acredito que tenha conversado com o presidente da Fifa mais de uma dúzia de vezes desde que foi eleito, em novembro de 2024. Portanto, ele continua muito envolvido com esta Copa do Mundo.”
A justificativa da Casa Branca coincide com a agenda do presidente nas últimas semanas. Desde o início da Copa, Trump participou da reunião do G7, na França, de 15 a 17 de junho, acompanhou as negociações que resultaram no anúncio do cessar-fogo entre Israel e Irã e segue envolvido nas tratativas sobre a guerra.
Uma semana antes, estava no Madison Square Garden, em Nova York, onde acabou vaiado pela torcida presente para o terceiro jogo das finais da NBA entre os New York Knicks, do qual Trump é torcedor, e o San Antonio Spurs —a equipe nova-iorquina ganhou a série depois por 4 a 1.
Primeiro presidente em exercício a comparecer a um jogo da liga de basquete, o republicano causou certo transtorno aos torcedores na chegada à arena devido ao extenso perímetro de segurança montado por seus agentes. A tradicional festa da torcida no entorno do Madison Square Garden naquela noite teve de ser transferida para o Bryant Park, a alguns quarteirões de distância, fora do perímetro.
Caso ele decida acompanhar no estádio alguma partida da Copa, é esperado que o esquema de segurança também seja reforçado.
Apesar da agenda intensa em meio ao Mundial, a ausência de Trump contrasta com a atitude de outros líderes dos países-sede.
Embora não tenha presenciado a estreia do Canadá contra a Bósnia, no dia 12 de junho, pois estava em uma reunião na França, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acompanhou a partida entre Canadá e Qatar, na segunda rodada da fase de grupos, em Vancouver.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou que não compareceria aos jogos em protesto contra o preço dos ingressos.
Convidada pela Fifa para acompanhar o jogo de estreia da seleção mexicana contra a África do Sul, no Estádio Azteca, ela doou seu ingresso para uma jovem indígena chamada Yolett Cervantes Cuaquehua, que venceu um concurso do governo mexicano.
Carney e Sheinbaum, assim como Trump, são esperados na cerimônia de encerramento da Copa.
