Os dois têm astros contestados por suas torcidas, são dirigidos por técnicos estrangeiros e viraram as suas partidas das 16 avos de final da Copa do Mundo. Portugal e Brasil se assemelham muito além do idioma e empilham razões para acreditar no título.
Portugal custou para vencer a Croácia na última quinta-feira, 2, no BMO Field, em Toronto, no Canadá. Perisic abriu o placar para os croatas, mas Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos colocaram a equipe nas oitavas de final. Portugal enfrentará a Espanha na segunda, 6, no AT&T Stadium, no Texas, nos EUA.
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Na última segunda, NRG, em Houston, Sano marcou para os japoneses ainda na etapa inicial. Coube a Casemiro e Gabriel Martinelli, ambos no segundo tempo, virarem a partida pelo mesmo placar dois portugueses: 2 a 1.
Tanto de um lado quanto do outro, a virada deu moral e aí começam a nascer as razões para acreditar ou no título inédito ou na sexta estrela na camisa. Mais do que isso, as equipes estão ganhando corpo e crescendo ao longo do torneio.
“Sofrer um gol e continuar a acreditar muito… Usar os jogadores que estão no banco. É essa mentalidade que ajuda a ganhar jogos. Os jogos perfeitos nos Mundiais já não existem. A disciplina, a capacidade de ter talento, mas depois a capacidade de jogar com o coração”, disse o técnico Roberto Martínez.
Cristiano Ronaldo e Neymar
Cristiano Ronaldo celebra seu gol contra a Croácia nas 16 avos de final da Copa de 2026, em Toronto (EFE/EPA/EDUARDO LIMA)
Cristiano Ronaldo teria com os portugueses uma relação parecida com a que Neymar tem com os brasileiros. Os dois já não são unanimidades dentro dos próprios países apesar de contarem com milhões de fãs ao redor do mundo.
Em que pese Neymar tenha feito apenas uma partida até aqui, enquanto CR7 participou das quatro, fica evidenciado o quanto o time trabalha para a finalização do atacante. Mesmo com um meio-campo de altíssima qualidade, com João Neves e Vitinha, o ataque por vezes olha para Cristiano Ronaldo mais do que ele próprio olha para o telão.
O cenário dentro de campo é mesmo de quando Neymar atuava regularmente pela seleção brasileira — antes de voltar contra a Escócia, a última partida dele havia sido em outubro de 2023, quando sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.
Até na adaptação de posicionamento, os dois tiveram que trabalhar. Com Rafael Leão na direita, Pedro Neto na esquerda e Bruno Fernandes vindo do meio, sobrou uma função mais próxima ao gol para CR7. É o jeito que Carlo Ancelotti prefere ver Neymar em campo. Não mais com Raphinha, mas com Rayan pela direita, Vini Jr pela esquerda e Matheus Cunha ou Lucas Paquetá vindo de trás.
Martínez e Ancelotti
Carlo Ancelotti comanda treino da seleção brasileira – Divulgação/CBF
Os treinadores das duas seleções são estrangeiros. De um lado, o espanhol Roberto Martínez e, de outro, o italiano Carlo Ancelotti. O estilo de ver futebol dos dois pode não ter muita semelhança apesar do esquema tático utilizado ser similar. A grande questão está mesmo no passaporte.
Foi com Otto Glória e com Luiz Felipe Scolari que a seleção portuguesa obteve os seus melhores resultados em Copas: dois quarto lugares, na Inglaterra 1966; e na Alemanha 2006. Já o Brasil experimenta um treinador estrangeiro pela primeira vez em Mundiais.
Portugal e Brasil estão em lados opostos das chaves e, por isso, só se enfrentariam nesta Copa do Mundo em uma eventual final. A grande decisão acontece em 19 deste mês, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos EUA.

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