No Texas, brasileiros ‘invadem’ bar temático de beisebol à espera da seleção


Em Katy, cidade localizada na região metropolitana de Houston, não havia absolutamente nada que se relacionasse com o futebol ou até mesmo com o Brasil até a chegada da Copa do Mundo.

No entando, o Home Run Dugout – um conhecido bar temático de beisebol que combina espaços para a prática do jogo em simuladores – se transformou no principal reduto de torcedores brasileiros no Texas desde a estreia da equipe dirigida por Carlo Ancelotti.

A procura já tem superado até mesmo a transmissão dos jogos brasileiros na Fan Fest em Downtown e no Shell Energy Stadium, bases credenciadas para torcedores pela Fifa. Nesta quarta-feira, 24, cerca centenas de pessoas acompanharam a vitória por 3 a 0 contra a Escócia.

“A nossa parceria com a casa começou em março, com a tentativa de reproduzir um carnaval bem brasileiro, o CarnaHouston. O evento foi um sucesso, então resolveram testar novamente com a primeira partida da Seleção Brasileira na Copa. Conseguimos atrair mais de 1.200 pessoas. É uma forma incrível de unir a comunidade brasileira local. Há cerca de dez mil de nós aqui, mas estamos muito dispersos”, explicou o engenheiro elétrico Robson Silva, 43, conhecido como Robinho, organizador do evento.

Home Run Dugout, bar temático de beisebol, se transformou em reduto de torcedores brasileiros – Klaus Richmond/Placar

Antes de a partida começar, artistas brasileiros tocavam em alto som nas caixas acústicas repertório cantado em bom português. O valor da entrada no local é de 20 dólares (cerca de R$ 104), com a consumação cobrada à parte.

Quando a bola começou a rolar,c hamou atenção a festa particular de uma família quando a transmissão anunciou o primeiro gol do Haiti diante de Marrocos. “Eu quero é que o Haiti bote mais gols no Marrocos”, falou, aos risos, o químico aposentado Jorge Oliveira, 70, que veio visitar as filhas que moram em Katy e já comprou ingressos para o duelo de 16 avos de final.

O resultado em Atlanta ajudava a seleção brasileira a manter a primeira colocação no Grupo C, sem ser ameaçada pelos marroquinos, o que consequentemente evitaria uma viagem ao México ao invés de Houston. “Estamos todos torcendo pelo Haiti aqui, não tem jeito. Pagamos 600 dólares nos ingressos, precisa dar certo”, completou a filha de Oliveira, Sarah Sobreira, 43, engenheira que vive no Texas desde 2007.

Torcida se dividiu entre música e partida no telão - Klaus Richmond/Placar

Torcida se dividiu entre música e partida no telão – Klaus Richmond/Placar

A cada gol do Brasil, uma música nova era tocada pela banda: “chorando se foi quem um dia só me fez chorar…”. Tudo em perfeita sincronia com as imagens geradas no telão, que só paravam quando a bola voltava a rolar.

Na anulação do que seria o segundo gol da seleção e de Vinicius Junior na partida, um paraense provocou gargalhadas nos presentes ao gritar: “Isso num Re-Pa (Remo e Paysandu) não seria falta nunca!”.

A euforia com os gols só foi menor do que o momento em que Neymar entrou em campo. “O Neymar vai ser o cara da Copa se ele jogar 50% do que sabe”, afirmou um torcedor.

A vitória por 3 a 0 foi acompanhada por euforia:”eu creio que o Brasil dentro dessa Copa vai no mínimo até uma semifinal. Mas, como torcedor, torço para que chegue na final. Sejamos realistas: o Brasil ainda está abaixo de França e da Argentina. Então, eu creio que até uma semifinal o Brasil pode chegar sim, mas torcendo para uma grande final”, disse Elias Oliveira, 47, administrador de empresas.

Para a próxima partida, porém, a festa pode ficar mais esvaziada com a chegada da seleção brasileira ao Texas. Nem mesmo o organizador do evento garantiu presença: “não sei se venho, hein? Estou tentando arrumar ingresso, não é todo dia que o Brasil joga aqui”, concluiu Robson Silva.

O duelo ocorrerá no próximo dia 29, às 14h (de Brasília), contra o segundo colocado do Grupo F, posição atualmente ocupada pelo Japão. A definição ocorre nesta quinta, 25, e ainda pode ter Holanda ou Suécia como adversários.





Fonte: Placar

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