Na última Copa do Mundo, saiu dos pés de Lucas Paquetá a assistência para o gol de Neymar nas quartas de final contra a Croácia. O lance, já na prorrogação, certamente seria lembrado com mais entusiasmo pela torcida se o Brasil não tivesse sofrido o empate e, na sequência, amargado a eliminação nos pênaltis.
Apesar da frustração, o meia deixou o Qatar com uma boa impressão. Sob o comando de Tite, ele cumpriu seu papel tático, ajudando na defesa e na criação das jogadas. Então, com 25 anos, não era difícil imaginar que teria uma nova chance no maior palco do futebol. Mas não foi fácil.
Quatro anos depois, Lucas Paquetá reconhece que “enxerga agora uma felicidade muito maior e tem mais gratidão” por voltar a vestir a camisa amarela em um Mundial.
“Não que antes eu não estivesse muito feliz, mas hoje, depois de ter passado por tanta coisa, eu enxergo uma felicidade muito maior”, disse ele neste domingo (21), no hotel The Ridge, em Basking Ridge, onde a Seleção Brasileira está concentrada, em Nova Jersey.
Sua gratidão está diretamente ligada ao medo de nunca mais ser convocado para representar o Brasil. No ciclo para a Copa na América do Norte, sua continuidade na equipe esteve ameaçada pelas investigações sobre a suspeita de participação em um esquema de manipulação de partidas do Campeonato Inglês para favorecer apostadores.
Em julho do ano passado, quando foi declarado inocente, ele não só tirou esse peso das costas, como viu novamente a oportunidade de trilhar um caminho até o Mundial.
“Eu aprendi muito nesses quatro anos, particularmente por tudo o que eu vivi. Eu aprendi a dar um pouco mais de valor às coisas que eu conquisto”, reconheceu o jogador do Flamengo.
Paquetá ficou quase dez meses afastado da Seleção até ser chamado pela primeira vez por Carlo Ancelotti para as partidas contra Chile e Bolívia, em setembro de 2025, quando o Brasil encerrou sua participação nas Eliminatórias.
Além da distância da equipe, o jogador viveu um período difícil durante quase dois anos, tempo que durou a investigação conduzida pela FA (Football Association, a federação inglesa de futebol).
“Agradeço a Deus por tudo o que ele fez na minha vida, por novamente me dar a oportunidade de estar aqui”, disse, com semblante de alívio.
Também lhe trouxe alívio a atuação da Seleção Brasileira contra o Haiti. A vitória por 3 a 0 na partida pela segunda rodada colocou o Brasil na liderança do Grupo C. O meia destacou as mudanças feitas por Carlo Ancelotti depois da estreia com empate diante do Marrocos, por 1 a 1.
“Para esse segundo jogo, a gente já foi um pouco mais definido, jogando com três no meio, diferentemente do outro jogo, em que eu começava por fora e flutuava por dentro com um pouco mais de liberdade. Acho que essa mudança tática acaba definindo melhor a maneira que a gente vai se entender dentro de campo”, explicou.
Paquetá também afirmou que o principal objetivo do grupo para o jogo contra a Escócia, na quarta-feira (24), é garantir a primeira colocação da chave. Caso consiga terminar a primeira fase em primeiro, o Brasil teria uma logística mais fácil, sem necessidade de sair dos Estados Unidos para jogar o primeiro mata-mata no México.
“Nosso objetivo é passar em primeiro. Nós estamos trabalhando e buscando isso. É uma logística que nos favorece nas viagens, nos descansos e no tempo de recuperação, então é um objetivo nosso que a gente vai atrás de alcançar”, afirmou.
