Os anos 80 foram pródigos para o Tricolor em confrontos contra seleções de futebol. Em 1981, mais um confronto deste tipo proporcionou ao São Paulo um grande resultado, uma vitória imponente sobre o México, no estádio Azteca. Algo bem válido de se relembrar especialmente nesta quarta-feira, dia 24, em que a representação mexicana enfrenta a tcheca em mais uma rodada da Copa do Mundo de 2026.
A história desse jogo começa com a excursão são-paulina pela Europa, onde, no dia 21 de maio, derrotou o Milan, no San Siro, em Milão, por 2 a 1 (gols de Paulo César e Renato). Da Itália, o Tricolor seguiu para o México, onde embateria a seleção local. De lá, partiria, ainda, para os Estados Unidos para três outros confrontos, com Tecos UAG, do México, em Los Angeles; Strikers, dos Estados Unidos, em Fort Lauderdale; e o famoso Cosmos, também norte-americano, nos arredores de Nova Iorque. Estava previsto também um jogo na Guatemala, mas este foi cancelado.
Depois de 23 horas de viagem de avião entre Milão e a Cidade do México e várias conexões, o técnico Carlos Alberto Silva tinha problemas para escalar os titulares do São Paulo, pois Zé Sérgio e Darío Pereyra estavam lesionados. No fim, o primeiro ainda conseguiu ir a campo. Apesar dos problemas físicos, os são-paulinos suportaram bem a pressão inicial do time mexicano e, perto do fim do primeiro tempo, aproveitou a chance que teve para abrir o placar com Serginho Chulapa (39 minutos).
Na segunda etapa, o Tricolor do MorumBIS (visto que o adversário também é conhecido pelo apelido Tricolor) deslanchou e poderia ter aplicado, verdadeiramente, uma goleada histórica. Renato fez dois a zero aos 21 minutos e Valtinho fechou o placar aos 37, 3 a 0, fora as inúmeras oportunidades desperdiçadas. E tudo isso com um homem a menos, pois Heriberto fora expulso por reclamar da arbitragem…
A certa altura do jogo, a torcida mexicana presente no Azteca passou a gritar “olé” a cada troca de bola dos são-paulinos, como crítica ao desempenho dos jogadores locais. No dia seguinte, jornais estamparam manchetes como “O São Paulo humilhou a Seleção”, “Uma noite triste”, “O selecionado naufragou diante de um time de verdade” (Ovaciones) e “Seleção? Mas que vergonha” (El Universal).
O próprio técnico adversário afirmou que o São Paulo fez o que quis. “Fizeram conosco o que quiseram. O São Paulo jogou muito bem e nós muito mal. Esta é a realidade. Seus chutes de longa distância e sua velocidade nos desorganizaram“, concluiu.


A reclamação era mais do que justa. Nas semanas seguintes, o México ainda perderia para o PSV e para a Seleção da Espanha. No fim daquele ano, o pior, derrota para El Salvador e uma série de empates tiraram a seleção da Copa do Mundo da Espanha.
Quanto ao São Paulo, restava por o prêmio Federación Mexicana de Fútbol na mala e prosseguir viagem de avião, por mais horas a fio, até Los Angeles e continuar com a excursão de intertemporada (nota: o São Paulo empatou em 0 a 0 com o Tecos, 3 a 3 com o Strikers e 2 a 2 com o Cosmos em um intervalo de uma semana, cruzando os Estados Unidos de oeste a leste).

26.05.1981. Amistoso Internacional
Cidade do México (México). Estádio Azteca
SELEÇÃO DO MÉXICO 0 x 3 SÃO PAULO
SPFC: Toinho; Getúlio, Oscar, Gassem e Marinho Chagas (Nei); Almir, Renato (Valtinho) e Heriberto; Paulo César, Serginho Chulapa (Assis) e Zé Sérgio (Élvio). Técnico: Carlos Alberto Silva. Gols: Serginho Chulapa, 39/1, Renato, 21/2; Valtinho, 37/2. Expulsão: Heriberto, 5/2
México: Francisco Castrejón; José Luis Alderete, Juan Manuel Álvarez, Gustavo Vargas e José Luis López; Pedro Munguía, Manuel Manzo e Guillermo Mendizábal; Héctor Tapia (Sergio Lira), Ricardo Castro (Adrian Camacho) e Hugo Sánchez. Técnico: Raúl Cárdenas.
Árbitro: Jorge Narvaez (Mexico)
Público: 25.000 pessoas

Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah
