O técnico da Escócia, Steve Clarke, e o capitão do time, Andy Robertson, concederam entrevista na tarde de terça-feira (23), no Hard Rock Stadium, palco do duelo de quarta (24) com o Brasil. Ambos falaram animadamente sobre a expectativa de uma ainda inédita classificação de sua seleção ao mata-mata da Copa do Mundo, mas só uma questão abriu um largo sorriso.
“É desse tipo de pergunta que gosto!”, vibrou Robertson, indagado sobre a sede demonstrada pelos escoceses. Conhecido como Tartan Army, o exército de torcedores usando kilts em padrões xadrez tem festejado por onde passa no Mundial –Boston conheceu bem o entusiasmo– e estabeleceu sua base em Miami, ignorando a proibição americana de consumo de bebidas alcoólicas na rua.
“Eles são os melhores do mundo. Aonde vão as pessoas se apaixonam por eles. Acho que o pessoal lá [em Boston] está inconsolável que partiram. Amanhã à noite, se nós conseguirmos bater o Brasil, para repetir a construção que você usou”, disse a um repórter, “tenho certeza de que algumas cervejas serão bebidas.”
Em tom mais sério, o lateral esquerdo tratou com respeito o adversário da Escócia na terceira rodada do Grupo C, sobretudo Alisson. De saída do Liverpool para o Tottenham, ele foi companheiro do goleiro brasileiro nas últimas oito temporadas e ao lado dele, entre outros títulos, conquistou duas edições do Campeonato Inglês e uma da Liga dos Campeões da Europa.
“Ele é o melhor goleiro do mundo. É um goleiro incrível e uma pessoa ainda melhor. Espero que ele busque a bola na rede mais vezes do que está acostumado a buscar”, declarou. “Vamos jogar contra um país gigante, o mais icônico e vencedor da Copa do Mundo. Mas queremos fazer história para nosso pequeno país e temos a oportunidade de fazer isso.”
Foram semelhantes as frases do treinador sobre a possibilidade da classificação. Com uma vitória sobre e uma derrota, a seleção escocesa chega à rodada derradeira da primeira fase com chance de avançar ao mata-mata, algo que jamais ocorreu. Para isso, quase certamente basta um empate em Miami Gardens, nas cercanias de Miami.
“Os times escoceses nunca sobreviveram à fase de grupos. Então, se nós fôssemos os primeiros, isso seria obviamente muito especial”, afirmou Clarke. “Nós temos que estar preparados para jogar com os melhores, porque eles têm qualidade em todas as posições. Se tiverem que fazer substituições, terão também qualidade vindo do banco”, acrescentou.
Uma dessas opções do Brasil, enfim, será Neymar, a quem o técnico escocês se referiu como “um dos superastros da era moderna”. “Acho que, saindo do banco, ele pode dar um gás para o time, porque o público se empolga, é uma figura icônica. Tenho certeza de que [Carlo] Ancelotti saberá usá-lo da melhor maneira.”
