O campeonato de grappling mais prestigiado internacionalmente é o ADCC. Em época de Copa do Mundo de futebol, é até apropriado traçar esse paralelo. Assim como a Copa, que acontece de forma periódica, de quatro em quatro anos, o Mundial do ADCC também respeita essa frequência intervalada, é uma competição bienal. A edição mais recente aconteceu em agosto de 2024 em Las Vegas, nos Estados Unidos. 2026, portanto, é o ano de mais um evento principal do ADCC e o país sede será a Polônia, nos dias 12 e 13 de setembro.
Quem vai embarcar para a Cracóvia na busca da realização desse sonho profissional é o alagoano Vinicius Lessa, faixa-preta de 28 anos de idade. A forma de ingresso para o Mundial do ADCC varia, ou você carimba a vaga para a competição vencendo uma das seletivas que rodam o mundo ou recebe a convocação, diretamente da organização, por uma questão de mérito. Lessa não precisou ter seu desempenho avaliado ao longo da temporada para ser convidado. Ele foi o campeão da seletiva do ADCC que aconteceu em Indaiatuba, São Paulo, no mês de março.
Imagem de divulgação de Vinicius Lessa para o Mundial do ADCC, em setembro. Foto: Divulgação / ADCC
A campanha do atleta foi composta por verdadeiras guerras; afinal, quem chegasse no topo teria a garantia de um passaporte carimbado na Polônia. Lessa venceu um duelo por finalização, outro por pontos, e mais três na decisão. Quando não conseguiu determinar o resultado sem intervenção da arbitragem, lutou para impressionar. Aliás, isso é algo que ele faz muito bem, performa para deixar o máximo de si no tatame com agressividade, contundência e volume de jogo.
“Eu tenho capacidade para lutar contra qualquer atleta do mundo e vencer. Meu estilo é muito completo. As pessoas estão me vendo mais lutando por cima, trocando mais queda, mas a minha guarda é excelente e tenho bons botes de finalização. Eu sou imprevisível. Se eu estivesse do outro lado, acharia muito difícil lutar comigo.”, comentou.
Todas as dúvidas ficaram para trás: Vinicius Lessa é realizado profissionalmente como lutador de Jiu-Jitsu
Participar de uma competição que coloca o atleta em um patamar tão elevado, só a elite atua no Mundial do ADCC, é uma experiência que desperta reflexões sobre as escolhas feitas no passado. Optar por viver do esporte, no geral, estimula inseguranças que talvez não seriam tão evidentes em uma realidade profissional mais corriqueira. Vinicius Lessa superou essa fase. Hoje é um atleta bem posicionado no mercado, com presença valorizada nos grandes eventos. O ouro no ADCC Trials, a seletiva, só cedeu ainda mais validação a uma trajetória já consolidada.
“Várias vezes me questionei se estava no caminho certo, porque é difícil mesmo. É tanto treino, tanta dedicação, abrindo mão de muita coisa, sabe? Eu saí de casa cedo, para longe do conforto, da família, para correr atrás do meu sonho sozinho no mundo. Os resultados ruins podem desanimar, mas tudo faz parte do processo. A gente passa a entender isso com o amadurecimento.”, contou.
Vinicius Lessa, atleta do Maceió, saiu do estado em busca de melhores oportunidades. Hoje, ele acumula participações nos principais torneios do cenário internacional. Foto: Divulgação / Instagram
A bagagem do oponente não importa: Lessa está focado nas próprias habilidades, lapidadas diariamente, para sair vitorioso na Polônia
Na capital da Polônia, o brasileiro Vinicius tem uma missão enorme pela frente, mas nada capaz de retraí-lo. Ele nasceu para essa função, quanto mais alta é a montanha, maior é a motivação que ele sente para escalar. O faixa-preta vai atuar na divisão até 99kg, categoria que tem Kaynan Duarte como atual medalhista de ouro. Na verdade, ele é tetracampeão mundial pelo ADCC, vencendo desde 2019 (a edição de 2021 foi adiada para o ano seguinte por conta da pandemia por Covid-19). Na edição mais recente, em Vegas, ele foi campeão duplo, ficou no topo da divisão de peso e no absoluto.
Além de destronar Kaynan, Lessa tem outros gigantes para debelar, como Declan Moody, Adam Wardzinski e Roberto ‘Cyborg’. Sobre o atual campeão, ele enfatiza o máximo respeito, mas salienta a natureza imprevisível de qualquer luta quando se trata do alto nível.
Atleta exibe medalha de ouro conquistada na seletiva do ADCC em Indaiatuba, São Paulo. Colocação rendeu a vaga para o Mundial do ADCC, na Polônia. Foto: Israel Hudson
“Eu respeito muito o Kaynan. A gente já treinou junto, ele é um cara que já tem uma história própria na categoria, mas lá no dia da competição, a divisão não tem dono. Luta é uma caixa de surpresas. Tudo pode acontecer. Eu estou me preparando para lutar contra qualquer um. Não importa quem é, eu acredito muito que esse é o meu momento.”, reforçou.
Uma breve observação da carreira de Vinicius Lessa revela um lutador apaixonado por cada aspecto do processo. Comprometido com a evolução física e técnica, Lessa é também o tipo de atleta que traça estratégias inteligentes para permanecer sempre em evidência. Se não tem luta agendada, ele faz questão de se manter presente nas redes sociais, com conteúdo frequente que estimula o engajamento, tanto do público quanto de oponentes que almejam enfrentá-lo. Além das qualidades como atleta, Lessa passou também a chamar a atenção por como divulga a própria imagem.
“Eu faço isso porque escolhi. Faz parte de mim isso, a luta faz parte de mim. Eu gosto de treinar, eu preciso estar treinando para alguma coisa, preciso de um desafio. Eu diria para o Vinicius Lessa mais jovem, que só sonhava com isso, para continuar acreditando.”, refletiu.
